Série:
Red Luna – Livro #02
Autora:
Leticia Vilela
Edição:
1/2014
Editora:
Gutenberg
Páginas:
256
Sinopse: Quando
o príncipe do Clã mágico dos Devas é assassinado, as suspeitas
recaem sobre sua própria mestra, Draupadi. O irmão do príncipe, o
jovem Arjuna, jura vingar sua morte e persegue a criminosa pelos
reinos mágicos da antiga Índia. Draupadi inicia sua fuga ao lado de
Asti, uma humana a quem chama de filha, que guarda um segredo em seu
corpo desde que nasceu - uma maldição ancestral em forma de
tatuagem, da qual procura desesperadamente se libertar. Todos os
fatos fazem os destinos de Arjuna e Asti convergirem definitivamente,
o que torna inevitável a concretização da temível 'Profecia de
Samsara'.
Comentários:
Tenho o
hábito de constantemente ficar olhando os lançamentos no Skoob
e marcar os que acho mais interessantes como desejados, mesmo que não
faça a menor ideia de quando irei lê-los. Foi assim que descobri A
Profecia de Samsara, e fiquei interessada por uma fantasia
envolvendo mitologia indiana escrita por uma autora brasileira.
Grande foi minha surpresa quando recebi uma mensagem do Marcos Inoue,
o roteirista do livro, dizendo que tinha uma cota de exemplares de
autor e que poderia me enviar um. Não pensei duas vezes antes de
aceitar. E ainda recebi autografado.
Antes de
tudo, preciso dizer um grande erro de minha parte. Como tenho um medo
enorme de pegar spoilers, acabo não pesquisando muito a fundo sobre
os livros antes de concluir a leitura. Eis que quando comecei a ler
descobri que o livro faz parte de um projeto nacional multimídia
chamado Red Luna, que inclui livros, HQs e games. Mas quando
fui fazer as pesquisas para escrever a resenha descobri que A
Profecia de Samsara é o segundo livro. O primeiro é A
Biblioteca do Czar, escrito pelo Marcos Inoue e Gabriel Morato.
Como cada livro tem protagonistas, se passam em épocas e até usam
como base mitologias diferentes não cheguei a ser prejudicada. Mas
claro que irei ler o outro livro, e espero que em breve.
Esclarecimentos
dados, vamos à trama em si. A história se passa em 3026 a.C, no
território que hoje conhecemos como Índia. Arjuna é um jovem
Príncipe Deva, que persegue a também Deva Draupadi que além de ser
acusada de vários crimes é a principal suspeita da morte de Bhima.
O irmão de Arjuna. Acontece que Draupadi anda com Asti, uma garota
humana a quem chama de filha e que é a chave para uma antiga
profecia. Ela pode destruir ou libertar uma antiga força do mal. Mas
Arjuna e Asti nem imaginam como seus destinos estão entrelaçados, e
que o inimigo real com quem ambos terão que lutar é o terrível
Naguendra.
Devo
dizer que a história como um todo me surpreendeu e superou minhas
expectativas. Me surpreendeu com a descoberta de que tratava-se de
uma ampla história que usa como pano de fundo a história da
humanidade e... Vampiros! Sim, a cada mitologia conhecemos um tipo
diferente de vampiro. Os Devas da mitologia hindu são magos da
magia, vampiros que se alimentam da energia mágica que alguns
humanos possuem, descendentes de Hollow Deva. São tidos como deuses
e são divididos em castas conforme os poderes que possuem. O que
resulta num amplo leque de seres.
Mas não
só em suas base que a história ganha muitos pontos. Além de um
ritmo incrível, cheio de ação e mistério, A Profecia de
Samsara tem personagens bem caracterizados. Arjuna a Asti são
ótimos protagonistas, que apesar da vulnerabilidade emocional da
idade são fortes e decididos quando necessário. O que os torna até
críveis. Draupadi é do tipo misteriosa, que não passa uma página
sem fazer você se perguntar de que lado ela realmente está.
Naguendra é o típico vilão terrível que dá até prazer em odiar,
chega a ser repulsivo. E até os personagens secundários tem seu
brilho, como a Deva curandeira Camil e sua divertida aprendiz Liz.
Mesmo Gandiva, uma espécie de guia espiritual de Arjuna, tem ótimos
momentos.
Ao termos
técnicos também só tenho elogios. A divisão em capítulos curtos
narrados na terceira pessoa intercalando os pontos de vista de
Arjuna, Asti, Draupadi e Naguendra. Leticia tem uma narrativa fluída
e envolvente, e tem o dom de mesmo na terceira pessoa conseguir dar
vozes diferentes e marcantes aos personagens. Além disso, a autora,
que é designer gráfica, é responsável pelas belas ilustrações
da capa e das aberturas de cada capítulo. O livro conta com um lindo
mapa, um prelúdio de como toda a história começa, uma descrição
dos seres, um glossário de termos e ainda uma incrível linha do
tempo mostrando a trama aliada à História mundial.
Concluo
dizendo que certamente me aprofundarei mais nesse universo Red
Luna. Espero em breve poder conferir o primeiro livro A
Biblioteca do Czar com base na mitologia russa, e ficarei de olho
no lançamento do terceiro livro que provavelmente se chamará A Maldição do Sol com base na
mitologia japonesa. Bem como ficarei atenta às HQs e ao cardgame que partilhará o nome do terceiro livro, e que logo será lançado. Pois mesmo não tendo
muita afinidade com jogos fiquei curiosa. Recomendo, e quem quiser
saber mais é só clicar aqui.