Com nossa
nova politica de só escrevermos balanços da séries que realmente
gostamos e achamos que merecem pensei por um bom tempo que não
escreveria esse texto. Mas a série me surpreendeu tanto e me deu um
tapa na cara tão forte que tive que me render. E aqui estou eu para
falar novamente sobre The Affair, uma das maiores surpresas da
temporada.
Com o
sucesso do livro Garota Exemplar, que recentemente virou filme
protagonizado por Ben Affleck e Rosamud Pike, dramas conjugais e
familiares misturados com thriller psicológicos tem ficado cada vez
mais em alta. E pra você ter uma história nesse estilo realmente
boa precisa de elementos que casem muito bem entre si. Personagens
absurdamente realistas, uma trama intricada, momentos
psicologicamente perturbadores entre outras coisas. E The Affair
teve tudo isso.
Não vou
dizer que ando morrendo de amores pela série, não chegou nesse
ponto. E posso dizer pra quem leu o texto de primeiras impressões
que mantive aquelas mesmas opiniões até o terceiro ou quarto
episódio. Mas algo começou a mudar sutilmente, transformando a
certeza do flop em desejo e probabilidade de renovação. E se só
continuei assistindo para saber quem morreu, como e por quê, agora
continuarei para descobrir que diabos realmente está acontecendo.
Pois apesar de já ter a resposta para duas das questões anteriores
e deduzir a resposta da terceira sei que tem muito mais a ser
revelado.
Pode-se
dizer que a trama realmente começou a esquentar quando começaram a
mostrar as rixas familiares em Hampton e o cartel. Quando o caso de
Noah e Alison foi descoberto e o verão acabou. (O caso com certeza
seria descoberto. Até Stephen King mencionou em seu Twitter que para
duas pessoas que estavam tendo um caso, Noah e Alison eram bem
indiscretos.) Quando todos tiveram que lidar com as consequências de
seus atos e pequenos vislumbres do presente começaram a ser dados.
Quando percebemos que o Detetive Jeffries sabe que um dos dois –
possivelmente os dois – está mentindo e começou a entrar no
joguinho deles pra ver até onde vão. Pois as versões continuam tão
diferentes que tenho dificuldade de escolher em quem acreditar, se é
que devo acreditar em alguém.
O mote
das versões talvez seja o grande diferencial e atrativo de The
Affair. O fato de ter Joshua Jackson no elenco e Blair Brown ter
participado como a terapeuta de casal de Noah e Helen chegou a me
fazer pensar em universos paralelos. (Entendedores entenderão.) Mas
claro que não pode ser isso. Acho que não... Na maior parte do
tempo tendo a acreditar mais na versão de Alison, parece mais crua e
verdadeira. Mas muitas coisas na versão de Noah trazem pistas
relevantes que não vemos na versão dela. Até que um certo detalhe
nos últimos episódios me chamou atenção para o fato de que talvez
ninguém esteja falando 100% a verdade.
Os
personagens surpreendem a cada episódio por sua verossimilhança.
Foram muito bem construídos e as atuações são impecáveis. Mas
não posso dizer que criei empatia por eles. Na verdade posso dizer
que sinto pena de Helen, Cole e das crianças, mas não consigo
torcer pra que Noah e Alison voltem para seus casamentos e tampouco
que fiquem juntos. Pra ser totalmente sincera não consigo torcer por
nada, apenas criar teorias e querer saber o que vai acontecer.
Creio que
The Affair acertou ao apostar numa primeira temporada mais
lenta com a intenção de dar pistas soltas para que o telespectador
fosse juntando as peças e com o golpe final visse que a 2ª
temporada promete ação de verdade. Pois a cena final foi um grande
e inesperado golpe, mostrando que a série ainda tem muito a revelar.
E é por isso que desisti de abandoná-la e fico na aflição de
esperar pela próxima temporada.