sábado, 3 de janeiro de 2015

The Affair – Balanço da 1ª Temporada


Desistindo de abandonar.

Com nossa nova politica de só escrevermos balanços da séries que realmente gostamos e achamos que merecem pensei por um bom tempo que não escreveria esse texto. Mas a série me surpreendeu tanto e me deu um tapa na cara tão forte que tive que me render. E aqui estou eu para falar novamente sobre The Affair, uma das maiores surpresas da temporada.

Com o sucesso do livro Garota Exemplar, que recentemente virou filme protagonizado por Ben Affleck e Rosamud Pike, dramas conjugais e familiares misturados com thriller psicológicos tem ficado cada vez mais em alta. E pra você ter uma história nesse estilo realmente boa precisa de elementos que casem muito bem entre si. Personagens absurdamente realistas, uma trama intricada, momentos psicologicamente perturbadores entre outras coisas. E The Affair teve tudo isso.



Não vou dizer que ando morrendo de amores pela série, não chegou nesse ponto. E posso dizer pra quem leu o texto de primeiras impressões que mantive aquelas mesmas opiniões até o terceiro ou quarto episódio. Mas algo começou a mudar sutilmente, transformando a certeza do flop em desejo e probabilidade de renovação. E se só continuei assistindo para saber quem morreu, como e por quê, agora continuarei para descobrir que diabos realmente está acontecendo. Pois apesar de já ter a resposta para duas das questões anteriores e deduzir a resposta da terceira sei que tem muito mais a ser revelado.

Pode-se dizer que a trama realmente começou a esquentar quando começaram a mostrar as rixas familiares em Hampton e o cartel. Quando o caso de Noah e Alison foi descoberto e o verão acabou. (O caso com certeza seria descoberto. Até Stephen King mencionou em seu Twitter que para duas pessoas que estavam tendo um caso, Noah e Alison eram bem indiscretos.) Quando todos tiveram que lidar com as consequências de seus atos e pequenos vislumbres do presente começaram a ser dados. Quando percebemos que o Detetive Jeffries sabe que um dos dois – possivelmente os dois – está mentindo e começou a entrar no joguinho deles pra ver até onde vão. Pois as versões continuam tão diferentes que tenho dificuldade de escolher em quem acreditar, se é que devo acreditar em alguém.



O mote das versões talvez seja o grande diferencial e atrativo de The Affair. O fato de ter Joshua Jackson no elenco e Blair Brown ter participado como a terapeuta de casal de Noah e Helen chegou a me fazer pensar em universos paralelos. (Entendedores entenderão.) Mas claro que não pode ser isso. Acho que não... Na maior parte do tempo tendo a acreditar mais na versão de Alison, parece mais crua e verdadeira. Mas muitas coisas na versão de Noah trazem pistas relevantes que não vemos na versão dela. Até que um certo detalhe nos últimos episódios me chamou atenção para o fato de que talvez ninguém esteja falando 100% a verdade.

Os personagens surpreendem a cada episódio por sua verossimilhança. Foram muito bem construídos e as atuações são impecáveis. Mas não posso dizer que criei empatia por eles. Na verdade posso dizer que sinto pena de Helen, Cole e das crianças, mas não consigo torcer pra que Noah e Alison voltem para seus casamentos e tampouco que fiquem juntos. Pra ser totalmente sincera não consigo torcer por nada, apenas criar teorias e querer saber o que vai acontecer.

Creio que The Affair acertou ao apostar numa primeira temporada mais lenta com a intenção de dar pistas soltas para que o telespectador fosse juntando as peças e com o golpe final visse que a 2ª temporada promete ação de verdade. Pois a cena final foi um grande e inesperado golpe, mostrando que a série ainda tem muito a revelar. E é por isso que desisti de abandoná-la e fico na aflição de esperar pela próxima temporada.