segunda-feira, 2 de março de 2015

Sleepy Hollow – Balanço da 2ª Temporada


Entre conflitos de épocas e cabeças cortadas...

Construir uma história que alie ficção e fatos históricos não é uma tarefa fácil, ainda mais quando se trata da adaptação de um clássico da literatura. Mas Sleepy Hollow vinha tirando isso de letra, e lembro que esse fator somado aos personagens carismáticos fez com que a série me cativasse desde o início. Todavia, alguma coisa aconteceu e os demônios deixaram de ser o único problema da trama.

A série começou muito bem, com uma pegadinha bem ao estilo Henry. Crane e Abbie com suas mentes manipuladas para acharem que estavam livres há um ano foi uma das melhores season premiere que já vi. Mas depois disso, algumas coisas que esperávamos tanto para ver não tiveram o resultado esperado. E nem todas as surpresas foram positivas. Conseguiram resgatar Katrina do purgatório mas ela desenvolveu uma espécie de Síndrome de Estocolmo por Abrahaam/Horseman. O Capitão Irving vendeu a alma, o caçador de recompensas amigo de Jenny que deveria ser um bom acréscimo foi embora sem mais nem menos... E por aí vai.

Claro que muita coisa boa aconteceu. A associação da lenda The Weeping Lady com uma ex-noiva de Crane, a visita ao hospício onde a mãe de Abbie e Jenny esteve internada e que possibilitou uma melhor compreensão sobre o passado das irmãs, a aparição do anjo Orion, a batalha contra Moloch que contou com uma reviravolta e tanto... Sim, tivemos muitos momentos de aspecto positivo. E Crane continua sendo Crane mesmo tomando capuccino e cantando no karaokê, o que é o mais positivo de tudo. Mas em contrapartida com o que não deu tão certo, causa dúvidas sobre quão promissor será o destino da série.


É notável que Sleepy Hollow é aquele tipo de série que quando parece ter cometido o maior suicídio da história da TV de repente muda as peças de lugar e vira tudo do avesso. Henry se virando contra Moloch na batalha e Katrina ativando o Feitiço do Viajante no Tempo ao não se conformar com a morte do filho foram provas disso. Mas mudar drasticamente algumas coisas que faziam parte da base de tudo pode ser um risco muito grande e sem volta. Como Crane tendo que sacrificar sua família.

Talvez eu seja a única que torcia para Crane e Katrina ficarem juntos. Não que a ache um poço de carisma, e tampouco considero Abbie melhor. Mas com tudo que já passaram e por tudo que lutaram isso era o mínimo. Existem horas em que é preciso levar mais em conta a história do que o caráter individual dos personagens. A reaproximação não foi fácil, e não deveria ser mesmo. O fato de que Henry os via como seus inimigos também não facilitou nada. Mas quando parecia que Crane e Katrina estavam conseguindo mudar a mente do filho e ele matou Moloch, Henry resolve trazer a mãe pro lado do mal para criar um novo clã. Ele morreu, ela virou vilã (o que até foi legal) e logo morreu. Fim do casamento.

Também não gostei de simplesmente terem tirado Hawley da jogada, embora eu provavelmente seja a única a gostar dele. Mas era legal ver ele e Crane implicando um com o outro, e também dava mais chances para Jenny aparecer. Ela sim é a personagem feminina mais forte da série e acredito que deveria ter mais destaque. Talvez isso aconteça agora que Katrina está fora de jogo (a não ser que bruxa volte como espírito, o que sempre é possível), mas também seria legal ter alguém que trouxesse mais do seu passado e com quem ela pudesse se envolver. E como Irving parece mesmo ter voltado para sua família, parece que Jenny continua sem previsão de romance.


E no entanto, o que me frustrou de fato foi o encerramento do season finale. A viagem no tempo com Katrina vingativa prometia um cliffhanger de explodir mentes para a próxima temporada, mas então encontram Grace que simplesmente reverte o feitiço e puff! Sim, foi um ótimo episódio com o antigo Crane tentando usar o celular e a reação de Benjamin Franklin ao ver em Abbie o perfeito símbolo de tudo pelo que lutavam. O verdadeiro sonho americano. Mas tirando a mensagem de Grace para Abbie de que ela é quem irá escrever as últimas páginas de seu diário e o fato de que Irving é novamente dono de sua própria alma, o que fica para a próxima temporada?

Uma coisa é certa, o fato de que Crane matou seu filho e sua esposa provavelmente o afetará de alguma forma. Ele estava disposto a sacrificar Henry por sua missão como Testemunha, e Katrina o obrigou a fazer o mesmo com ela. Mas ele os amava e tinha esperança de convertê-los. Talvez esteja no remorso de Crane o que mais movimentará a trama. Por outro lado, Henry e Katrina parecem ter encontrado redenção em suas mortes. Quem sabe seus espíritos possam voltar para ajudar. Em Sleepy Hollow tudo é possível.

A série está na bolha e o fato de não ter deixado um grande cliffhanger torna tudo ainda mais preocupante. Mas já vi séries terminarem uma temporada de forma ainda pior e voltarem com tudo. Espero que esse seja o caso de Sleepy Hollow, odiaria ter que me despedir assim. Mas vou ter fé. O apocalipse está só começando.

2 comentários:

  1. Francielle Couto Santos4 de março de 2015 17:20

    Gabi, corri o risco e li seu texto (ainda não vi essa temporada... na realidade, vi apenas dois, três capítulos)... fiquei meio frustrada com a morte da Katrina e do Henry (assim como você, torcia por Katrina e Crane), mas prefiro não opinar muito, porque ainda quero assistir. :\ Será que SH vai se reerguer?

    Abraços,
    http://universoliterario.blogspot.com.br/

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  2. GabrielaCeruttiZimmermann5 de março de 2015 17:02

    Então acho que eramos as únicas que torciam pro casal, Fran. Tudo que li foi detonando a Katrina e torcendo pro Crane ficar com a Abbie. E não sei, mas não consigo vê-los como casal. Enfim, essas mortes me deixaram sem saber o que sentir e "frustrada" foi a melhor palavra que achei. :/ Mas como em SH tudo é possível, espero que se reerga e surpreenda.


    Abraços!

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