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“Quando você passa tantas horas assistindo à série de TV mais popular da história, não são apenas os personagens que terminam perdidos” |
Realidade ou
extremismo?
Foi
lançada no mês passado pela Associação de Editores de Madrid uma
campanha que visava incentivar a leitura. A campanha em questão
possui três imagens de divulgação. Uma delas trás a baleia Moby
Dick da obra de Herman Melville encalhada na ilha de Lost.
Outra mostra o Pequeno Príncipe baleado no campo de Call
Of Duty. Enquanto a última mostra Dom Quixote derrotado
por um dos pássaros de Angry Birds ao pé de um moinho. O
objetivo é mostrar que as pessoas, principalmente jovens, estão
passando muito tempo assistindo séries de TV e/ou jogando vídeo
games e deixando de ler.
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“Quando você gasta tanto tempo jogando videogames de guerra, não são só seus inimigos que você liquida” |
Mas será que ainda tem cabimento dizer algo assim? Até onde eu sei, dizem que os livros estariam com os dias contados desde a invenção do rádio. Surgiu o cinema, a TV, o vídeo game, o celular, o computador doméstico... E os livros continuam aí para o nosso deleite. Verdade sim que a nova geração prefere se divertir com joguinhos em smartphones e tablets ao invés de ler um livro ou até um gibi mesmo. Isso por muitas vezes se deve a falta de incentivo dentro de casa. É muito mais “cômodo” para os pais deixar uma criança ou pré-adolescente brincando por horas no iPad do que sentar ao lado e ler um livro junto.
Contudo,
como seriadora que sou, o que me doeu foi ver Lost mostrada
como assassina do hábito da leitura. Falaram de séries de TV em
geral, mas usar justo Lost como exemplo? Durante suas seis
temporadas a série apresentou dezenas de referências literárias
mescladas ao enredo. Quem já tinha lido o livro sabia porque ele
estava ali, e quem não tinha ia a procura dele pois sabia que
poderia ter alguma pista sobre os mistérios ou ajudaria a entender
melhor algo. Inclusive no box da 3ª temporada há uma parte dos
bônus dedicada ao livros que aparecem na série, onde os produtores
e o elenco falam sobre a importância dos livros como um todo. Com
isso, acho que é válido dizer que Lost incentivava a
leitura. E muitas séries usam desse mesmo artifício.
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“Quando você passa tantas horas jogando um joguinho no seu celular, nem tudo o que você destrói lhe rende pontos” |
E apesar
de não ser uma jogadora assídua – na verdade não o faço por ter
uma forte tendência ao vício – não acredito nesse esteriótipo
de que fãs de games tenham preguiça de ler. Verdade que os e-books
tornaram os livros mais acessíveis. Mas entre jogar ou ler em um
smartphone/tablet até eu preferiria jogar, já que ler em uma tela é
algo totalmente cansativo. Além do mais, algumas sagas literárias
como Harry Potter e O Senhor do Anéis ganharam jogos
baseados em suas narrativas. Prova de que games e livros não são
inimigos mortais, e que podem até ser aliados.
Mas cada
um é cada um. Eu adoro séries de TV mas também adoro um bom livro.
Apenas não tenho tanta disponibilidade para ler quanto gostaria. E
também precisamos entender e respeitar o fato de que nem todo mundo
gosta de ler. Assim como tem tem gente que não gosta de chocolate e
café. Ou dos Beatles, dos Rolling Stones... De música em geral. Ou
de viver. Mas cada um é cada um, certo? E honestamente, acho que não
só o “ler”, “assistir” ou “jogar”. Mas “o que ler”,
“o que assistir” e “o que jogar”. Penso que mais vale
assistir Fringe ou jogar Zelda do que ler Cinquenta
Tons de Cinza, por exemplo.
Fonte: Boa Informação