Uma nova visão.
Ilha
das Flores é um curta-metragem escrito e dirigido por Jorge
Furtado em 1989, e produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre.
O filme tem uma proposta não-fictícia, e conta com uma linguagem
ácida e prática de fácil entendimento como seria a vida naquela
ilha situada a poucos quilômetros de Porto Alegre. Com narração
ator Paulo José, o curta foi ovacionado pela crítica e ganhou
diversos prêmios naquela época. Incluindo o Urso de Prata, no
Festival de Berlim de 1990.
Foi
eleito em 1995 pela crítica europeia como um dos 100 mais
importantes curta-metragens da história. E foi também listado no
livro 1001 Filmes para Ver Antes de Morrer, de Steven Jay
Schneider. Além de todo esse reconhecimento o filme merece ser visto
por sua perspectiva. Por mostrar de uma forma quase cômica e ainda
assim muito dura algumas injustiças da sociedade que muitas vezes
resolvemos apenas ignorar. Pra quem ainda não viu, pode assisti-lo
abaixo.
No entanto, quando fui reassistir Ilha das Flores para escrever esse post, descobri uma reportagem produzida pelo Editorial J intitulada Ilha das Flores: depois que a sessão acabou. E aí meu rumo mudou, uma vez que a reportagem mostra fatos que eu até então desconhecia sobre o filme. Como a produção afetou aqueles moradores, sendo em boa parte prejudicial para eles. O vídeo contém entrevistas não só com moradores do lugar mas também com especialistas em cinema, que comentam as verdades, mentiras e o legado do filme.
Sempre
gostei de avaliar todos os lados de uma história, e não seria
diferente aqui. E assim, o que seria um comentário de indicação
virou uma reavaliação. Todos merecem ver a reportagem não só para
poderem formar suas próprias opiniões sobre o filme mas também por
ser uma produção corajosa, uma vez que envolve um nome tão
importante para o cinema nacional como é o de Jorge Furtado. Você
pode assistir a reportagem abaixo.
Contudo, não se pode tirar todo o crédito do filme. Como foi mencionado no final da reportagem, a situação podia não ser real naquela região mas ela existe. Em algum lugar (pra não dizer alguns) do mundo pessoas são realmente expostas aquela situação. Pessoas são obrigadas a viver um estilo de vida que nos parece distante e irreal. Sendo tratados pior do que animais, de uma forma que nem animais deveriam ser tratados.
Minha
opinião final é de que Ilha das Flores deve ser visto numa
perspectiva de reflexão sobre o mundo em que vivemos. Onde
preconceitos triviais são postos à frente do conceito de ser
humano, e onde comida se torna algo um tanto relativo. E fica a velha
pergunta: O que fazer para mudar (leia-se: salvar) esse mundo?