Título:
Adorável heroína
Autores:
Michael Hingson e Susy Flory
Edição:
1/2012
Editora:
Universo dos Livros
Páginas:
232
Sinopse:
Nenhum
alarme soou no 78º andar da Torre Norte do World Trade Center e
ninguém sabia o que tinha acontecido às 8h46 do dia 11 de setembro
de 2001 – uma manhã que teria sido de um dia normal de trabalho
para milhares de pessoas. Cego desde o nascimento, Michael também
não via nada naquele dia, mas conseguia ouvir os sons de vidro
estilhaçado, destroços caindo e pessoas aterrorizadas se reunindo
em torno dele e de sua cão-guia. No entanto, Roselle permaneceu
calma ao seu lado. Naquele momento, Michael escolheu confiar nos
julgamentos de sua cachorra e não entrar em pânico. Eles eram uma
equipe. Adorável heroína possibilita ao leitor entrar no World
Trade Center segundos após o ataque para vivenciar a experiência de
um homem cego e de sua amada cão-guia na luta pela sobrevivência.
Comentários:
Adorável
heroína
foi pra mim um desses livros que você lê a sinopse na internet ou
qualquer lugar e sabe que precisa ler. E então você o vê na
livraria e não restam dúvidas: é ele! Nem preciso dizer que o que
mais me atraiu foi o fato de ser uma história de companheirismo
entre um homem e sua cadela. Amo cães e amo livros. E quando uma
história me permite unir essas duas paixões, não deixo de
conferi-la. Ainda mais se tratando de uma incrível história real.
Mesmo
depois de tantos anos, ainda nos comovemos ao tomar conhecimento da
história de algum sobrevivente do atentado ao World Trade Center.
Talvez
porque costumamos nos concentrar mais no fato de que terroristas
sequestram dois aviões e os jogaram contra as torres, e esquecemos
de que haviam pessoas trabalhando
naqueles escritórios e que de repente precisaram deixar o prédio
pelas escadas
sem ter muita noção do que estava acontecendo. Michael era uma
dessas pessoas. E por ser cego, dependia da ajuda de sua cão-guia
Roselle. Os dois dependeram da relação mútua de confiança que
tinham para sobreviver, e ainda manter os demais que estavam com eles
calmos para que conseguissem sair.
O
livro é escrito na primeira pessoa, numa linguagem simples e
fluente. Michael altera os acontecimentos do fatídico 11 de Setembro
de 2001 com memórias de sua vida. É
uma leitura rápida e ágil, mas muito agradável. Alguns momentos
são sim bem tensos e trazem algumas lágrimas, principalmente ao que
diz respeito sobre a fuga e a relação de Michael com Roselle. É o
tipo de livro que te deixa algumas marcas. Mesmo que pequenas, mas
deixa.
A
vida de Michael é intercalada com a narração da fuga da torre por
dois motivos simples. Cego desde que nasceu, Michael precisou criar
métodos alternativos (como ele mesmo chama) para se tornar
independente em um mundo feito para pessoas que enxergam. E
esse autoaprendizado o ajudou muito nesse momento em especial. O
outro motivo, que pode ter sido apenas impressão minha, é que foram
coisas que ele lembrou para se manter calmo enquanto descia as
escadas. Uma vez que em certo momento ele faz menção ao fato de que
sua vida passa em flashes quando você acha que vai morrer.
Michael
era, naquela época, gerente regional de vendas da Quantum/ATL. E
trabalhava em um escritório no 78º andar da Torre Norte do World
Trade Center. Ele e seu colega David preparavam a sala de reuniões
para um treinamento de vendas que teria naquela dia, enquanto Roselle
dormia sob sua mesa. No
momento em que o avião atingiu a torre, sentiram o prédio tremer e
começar a se inclinar sem saber o porquê.
Quando a torre parou de se inclinar, David foi até à janela e só o
que viu foi fumaça saindo de alguns andares acima. Pensaram se
tratar de uma explosão de gás, o que já era motivo suficiente para
deixar o prédio. Então Michael chamou Roselle e começaram sua
jornada por 78 lances de escada.
Quando
se lê um livro, é normal que você crie as imagens em sua cabeça.
E o fato de Adorável
Heroína
ser narrado por um homem cego não muda isso. Michael
passa todas as suas percepções na narrativa, e você cria imagens
tridimensionais além de sentir tudo o que ele tem a proporcionar.
Inclusive seu bom humor, que em alguns momentos foi uma ótima
válvula de escape para a tensão da fuga.
Então
pra resumir, Adorável
Heroína
é um livro que deve ser lido não como um livro sobre um homem que
conseguiu fugir de um trágico acidente mesmo sendo cego. Mas como
uma história sobre trabalho em grupo, confiança e fé. E,
talvez, ainda faça
você
reavaliar seus preconceitos. Cegueira não é nenhuma tragédia,
apenas algo que faz com que algumas pessoas precisem criar métodos
alternativos para se virar em
um mundo feito
para pessoas “normais”. E claro, Roselle é mesmo adorável.
Independentemente do que vier a acontecer, independentemente se vamos viver ou morrer, estamos juntos nisso. E, se não sairmos vivos, espero que continuemos juntos, com minha mão na guia de Roselle. Eu nunca vou deixá-la.
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