O que há
de novo?
Quem não
leu pelo menos um dos clássicos contos de fadas, grande parte deles
escritos pelos irmãos Grimm, durante a infância? Ou viu todas as
animações Disney baseadas neles? Pois é, difícil encontrar alguém
que responda não a essas perguntas. Mas o fato é que nos últimos
anos essas histórias também tem se tornado populares entre jovens e
adultos. Não só pela nostalgia que trazem, mas também pela nova
roupagem que ganharam com novas versões e adaptações.
Muitos
criticam os contos de fadas dizendo que o “felizes para sempre”
só serve para iludir as pessoas. E geralmente fazem isso sem saber
que os contos em suas formas originais eram muito sombrios. Eram como
folclore, cheios de violência e sangue. Com tempo é que foram se
modificando e ganhando versões açucaradas. No entanto, algumas das
novas adaptações devolvem parte do contexto sombrio original.
Alguns ainda são leves. Mas sempre mantém a moral ética inserida
nas entrelinhas.
Talvez a
franquia Shrek dos estúdios DreamWorks tenha dado o pontapé
inicial dessa nova era dos contos de fadas. O primeiro filme, lançado
em 2001, inovou trazendo um ogro como protagonista, misturando
aspectos de várias histórias em uma só. E a franquia talvez seja
também a primeira a mostrar todos os personagens clássicos
coexistindo em um único reino/mundo,
criando uma verdadeira miscelânea de contos de fadas. Além
disso, Shrek conseguiu a reputação que tem usando o humor para
quebrar os tabus que os contos ganharam com o tempo. Afinal, quem
disse que toda princesa precisa ser bonita e que é preciso morar em
um palácio para ter a felicidade eterna? A franquia conseguiu quatro
filmes, alguns curtas-metragens e um spin-off do Gato de Botas por
conta de seus personagens divertidos e cativantes. O que também
agradou muito o público foi o fato de levar situações cotidianas à
esses personagens fantasiosos. Isso sem falar da épica trilha
sonora.
Talvez
tentando embarcar nesse sucesso, surgiram depois filmes que no Brasil
ganharam os títulos Deu a Louca na Chapeuzinho (Hoodwinked!,
2005),
Deu a Louca na Cinderela (Happily N'Ever After,
2007) e Deu a Louca na Branca de Neve (Happily N'Ever After
2, 2009). Essas animações tinham como premissa dar uma nova
versão à esses contos. No entanto, não agradaram tanto. Os
roteiros são fracos e os personagens mal conseguem prender a atenção
de crianças, quem dirá de um público eclético. E ainda teve
Pinóquio 3000 (Pinocchio 3000, 2004), uma versão
futurista do conto de Carlo Collodi, mas não chega nem aos pés do
original. Então se quiser uma versão futurista de Pinóquio
que usa a ciência no lugar de magia, fique com A.I. -
Inteligência Artificial (A.I. Artificial Intelligence,
2001), que tem enredo muito mais sólido e emocionante.
A Disney
também tentou ganhar com isso trazendo seus clássicos de volta a
moda. Primeiro lançou produtos – de vestuário a material escolar
– das Princesas, separadas ou todas juntas, o que chamou a
atenção principalmente das crianças pequenas. Mas não demorou a
embarcar na onda fazendo o que sempre soube fazer de melhor:
animações em longa-metragem! E tratou de lançar mais duas
adaptações. A Princesa e o Sapo (The Princess and the
Frog, 2009) e Enrolados (Tangled, 2010). O primeiro
não se trata de uma pura adaptação, mas de uma versão moderna que
se passa em Nova Orleans na década de 1920, além de outras mudanças
no caráter dos personagens, mas que conseguiu ser uma boa animação.
Já o segundo sim se passa no conhecido ambiente europeu medieval dos
contos. Apesar de que ao invés de ser resgatada por um príncipe,
Rapunzel vive aventuras com um bandido procurado pela Guarda Real.
Mas é uma daquelas animações que você quer
rever várias vezes sem se importar que digam que está velho demais
pra isso. E a Disney já tem uma nova animação baseada em contos a
caminho. Será sobre Rumplestiltskin, e terá o titulo de The Name
Game. Mas ainda não há previsão de lançamento.
Todavia,
os estúdios Disney não ficaram só nas animações. Em 2007
lançaram Encantada (Enchanted) para comemorar os 100
anos do estúdio. O filme conta a história da camponesa Giselle
(Ammy Addams) que após conhecer o príncipe dos seus sonhos é
jogada no mundo real pela Rainha Narissa (Susan Sarandon). E a moça
precisa contar com a ajuda de Robert (Patrick Dempsey) e sua filha
para viver num mundo sem magia até que seu Príncipe Edward (James
Marsden) venha salvá-la. O longa mistura animação (mundo
encantado) com live-action (mundo real), e é repleto de easter-eggs
que deixam qualquer fã de Disney com os olhos brilhando. É um filme
agradável e pode até ser viciante. Em 2010 houve notícias de que
uma sequencia estava a caminho, mas nada mais recente sobre isso foi
publicado.
Ainda
falando dos longas em live-action, em 2010 a Warner veio com A
Garota da Capa Vermelha (Red Riding Hood). No filme,
Amanda Seyfried vive uma Chapeuzinho Vermelho mais adulta do que se
costuma ver em outras versões. A Chapeuzinho, já em idade para se
casar, se vê no meio de um triangulo amoroso enquanto sua vila luta
para destruir o lobo que os amedronta há gerações. Já em 2012
surgiram dois longas inspirados no conto da Branca de Neve.
Espelho, Espelho Meu (Mirror Mirror) traz uma versão
um tanto cômica do conto, apresentando Lily Collins no papel
principal e Julia Roberts como a Rainha Má. Já Branca de Neve e
o Caçador (Snow White and the Huntsman) mostra uma versão
muito mais sombria do mesmo. É protagonizado por Kristen Stewart,
traz Charlize Theron como a Rainha e Chris Hemsworth como o caçador.
E nesse
ano de 2013 ainda temos dois lançamentos. O primeiro é João e
Maria: Caçadores de Bruxas (Hansel and Gretel: Witch
Hunters), que mostra os irmãos 15 anos depois de encontrarem a
casa de doces trabalhando como valentes caçadores de bruxas. Os
jovens João e Maria mostram um humor sádico, e usam armas um tanto
modernas para o período medieval. O segundo é Jack – O Caçador
de Gigantes (Jack The Giant Slayer), onde Jack – ou
João, como é chamado na versão em português – não é um garoto
ingênuo que troca a única vaca da propriedade da família por
feijões mágicos como no conto de
Joseph Jacobs*. Na trama ele é um fazendeiro que se une ao Rei e seu
exército para salvar a Princesa Isabelle, que foi sequestrada por
gigantes. Ian McShane e Ewan McGregor fazem parte do elenco. Enquanto
a Disney dá os toques finais em Malévola
(Maleficent),
que deve estrear em 2014. O longa estrelado por Angelina Jolie
contará a história da antagonista da Bela
Adormecida. O
estúdio também divulgou recentemente que fará remakes em
live-action
da Cinderella – que provavelmente será estrelado por Emma Watson –
e de A Bela e a Fera. E
a Warner planeja uma versão de Pinóquio, com Tim Burton na direção
e Robert Downey Jr no papel de Gepeto, enquanto Guilhermo del Toro
produz um stop-motion 3D do conto. Ambos
intitulados Pinocchio
e ainda sem previsão de lançamento.
Apesar
das controvérsias sobre Peter Pan e Alice serem ou não contos de
fadas, não posso deixar de citar suas novas versões
cinematográficas, pois, de qualquer forma, são clássicos da
literatura infantil. Em 2003 a Warner Bros nos presenteou com o filme
Peter Pan. Cheio de efeitos visuais, a produção agradou por
retratar mais fielmente à peça e ao livro de J. M. Barrie, os
motivos pelos quais o menino Peter não queria crescer. E um ano
depois pudemos apreciar Em Busca da Terra do Nunca (Finding
Neverland),
filme protagonizado por Johnny Depp e Kate Winslet, que conta como
teria surgido a peça. Já em 2010 a Disney lançou Alice no País
das Maravilhas (Alice in Wonderland). O filme dirigido por
Tim Burton e que traz Johnny Depp, Helena Bonham Carter e Anne
Hathaway no elenco se trata meio que de uma sequencia do livro de
Lewis Carrol, onde Alice volta ao País das Maravilhas dez anos
depois, mas não se lembra de ter ido pra lá quando criança. Apesar
de não ter sido amado por todos, é um belo filme.
Mas os
contos não ficaram só no cinema, e foram parar também na TV. No
final de 2011 surgiram duas séries de TV americanas inspiradas
neles. Once Upon a Time (ABC) e Grimm (NBC). Mas apesar
de terem a mesma base, as duas têm enredos totalmente diferentes.
Once Upon a Time mostra os personagens dos contos de fadas
lutando para quebrar a maldição que os trouxe para o mundo real,
numa cidadezinha chamada Storybrooke. A série ainda toma a liberdade
de trazer personagens que normalmente não entrariam no contexto dos
contos de fadas, como o Gênio (personagem comum das Mil e Uma
Noites), Mulan (lenda chinesa) e Frankenstein. Mas faz isso
belamente, com um enredo muito bem estruturado. O elenco também é
maravilhoso. Só para citar alguns nomes, a série conta com Jennifer
Morrison, Lana Parrilla, Robert Carlyle, Ginnifer Goodwin, Josh
Dallas, Emile de Ravin, David Anders e muito mais. Já Grimm
traz a premissa de que as histórias que ouvimos quando criança não
eram apenas histórias. Que seus monstros – na série chamados de
Wesen – realmente existem. E é dever de um Grimm relatá-los
e caçá-los. O protagonista Nick Burkhardt (David Giuntoli) é um
detetive que descobriu o dom de Grimm por sua tia Marie, pouco antes
que ela morresse. Para entender esse mundo que não conhecia, Nick
conta com a ajuda de Monroe (Silas Weir Mitchell),
um Blutbad “regenerado”. A série, na verdade, faz uma analogia
aos monstros dos contos de fadas com crimes como pedofilia, tráfico
de órgãos, sequestro e violência doméstica. São duas boas
séries. E a primeira
ganhou a pouco a confirmação de um spin-off
chamado Once Upon
a Time
Wonderland, que será
ambientado num País das Maravilhas pré-maldição.
No mesmo
ano ainda teve Neverland, minissérie britânica do canal
Syfy. Em dois episódios de quase uma hora e meia cada, a minissérie
conta como Peter Pan e os meninos perdidos foram parar na Terra do
Nunca. E ainda o motivo pelo qual Capitão Gancho o odiaria tanto.
A CW
também resolveu embarcar nessa, pois é só o que sabe
fazer. Em 2012 veio com Beauty and the Beast. A série
é uma versão moderna do conto de Gabrielle-Suzanne Barbot, um
remake da série da década de 1980. A “Bela” da série é
Catherine Chandler (Kristin Kreuk), uma detetive. E a CW tem
programado para o segundo semestre de 2013 Wunderland, uma
versão moderna de Alice, onde a protagonista também seria uma
detetive, que descobre sob Los Angeles um submundo repleto de crimes,
e também o País das Maravilhas.
Outros
novos contos e adaptações:
- Uma Garota Encantada (Ella Enchanted, 2004), uma comédia musical protagonizada por Anne Hathaway. Conta a história da menina Ella, que recebeu de sua fada madrinha o dom e maldição de obedecer qualquer ordem que lhe for dada. Não é exatamente uma obra prima, mas é divertido e tem uma trilha sonora fantástica.
- Stardust – O Mistério da Estrela (Stardust, 2007) é um filme baseado no livro homônimo de Neil Gaiman. Uma história divertida e cheia de ação sobre o jovem Tristan (Charlie Cox), que resolve se aventurar em território proibido e mágico em busca de uma estrela cadente e assim conquistar sua amada Victoria (Sienna Miller). No elenco também estão Claire Danes, Michelle Pfeiffet, Robert de Niro e muitos outros grandes nomes.
- Os Irmãos Grimm (The Brothers Grimm, 2005) fala sobre os irmãos Wilhelm (Matt Damon) e Jacob (Heath Ledger). Os dois têm histórias sobre suas caçadas, cheias de personagens mágicos. Porém, quando as autoridades francesas descobrem suas farsas, ambos são condenados a resolver o mistério de uma floresta amaldiçoada.
Bom,
espero ter feito uma compilação dos novos contos e adaptações.
Cada um tem seus preferidos, e há aqueles que não largam os
originais por nada. E também àqueles que continuam detestando-os de
todas as formas. Mas não podemos negar que os contos de fadas estão
em alta, e ao que tudo indica, ficarão por um bom tempo.
* A
versão mais antiga relada de João e o Pé de Feijão é de
Benjamin Tabart, de 1807. Mas a mais popular até hoje é de fato a
de Joseph Jacobs, de 1890, devido a moral que falta na primeira.
Texto:
Gabriella Cerutti
Zimmermann
Edição
e colaboração: Francielle Couto Santos
Fontes:
Wikipedia, Disney Mania,