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Se a Maratona de Vícios anterior foi a primeira sobre uma série literária, esta é a primeira sobre algo que já vi inúmeras vezes e provavelmente ainda verei muitas outras. Falo de Lost, a primeira série que me conquistou de verdade e que me fez descobrir o verdadeiro significado da palavra “fã”. E fez isso genuinamente bem. Eu diria até que foi da forma que deveria ser.
Já falei
algumas vezes aqui sobre como Lost chegou até mim, então não
vou contar de novo pra não ficar repetitivo. Vou me ater em falar
sobre essa maratona em específico. Foi a segunda vez que vi a série
completa desde seu fim em 2010, todos os seus 122 episódios
divididos em 6 temporadas, nem sei dizer quantas maratonas fiz ao
todo. Nunca me canso e suspeito de que nunca cansarei. Pois mesmo
sabendo o que vai acontecer, mesmo sabendo as respostas e o resultado
de tudo, Lost é daquelas obras que sempre consegue te prender
e fazer torcer. Porque a cada vez que você vê, tem uma nova
percepção.
A
história de Lost começa quando um avião, o voo 815 da
Oceanic Airlines, que ia de Sydney a Los Angeles cai em uma ilha
deserta no sul do Pacífico. Com o tempo os sobreviventes precisam
lutar não só para sobreviver, mas também enfrentar os mistérios
da própria ilha e até os fantasmas de seus passados. Dito isso,
fica fácil perceber que o titulo Lost se aplica não só no
sentido literal mas também figurado. Eles não estão apenas
perdidos em uma ilha, estão perdidos em suas próprias vidas. Muitos
personagens entram e saem ao longo da trama, todos com um papel
fundamental. E embora eu diga que eles são a peça chave, não vou
falar sobre eles porque é legal pra quem vai assistir pela primeira
vez descobrir isso sozinho.
Lost
é uma série cheia de nuances, com mistérios, ação, suspense,
distorções temporais e, é claro, excelentes momentos de alívio
cômico. Mas o mais importante é que Lost é uma história
sobre pessoas, feita por pessoas e para pessoas. Então o que mais se
sobressai são os personagens. Seus caráteres, decisões e os laços
que formam uns com os outros. Por que no fim é isso que fica, é só
o que importa. Não a toa que cada episódio é focado em um
personagem, mostrando seu passado (e depois seu futuro) e nos fazendo
entender suas atitudes. Foi a primeira vez que criei empatia por
personagens e até quis compartilhar daqueles momentos. Que sofri com
a morte de personagens queridos. Também é a primeira que me fez
pensar. Não digo só no raciocínio lógico para tentar desvendar os
mistérios, mas refletir mesmo. Lost tem vários aspectos
filosóficos e discussões que nos fazem pensar sobre o que realmente
importa.
Quando se
fala de Lost é impossível não falar sobre quem fez isso
acontecer. Cito inicialmente o trio de produtores JJ Abrams, Damon
Lindelof e Carlton Cuse. Graças a eles comecei a dar mais valor a
quem está por trás das produção, e agora sempre avalio isso ao
escolher algo pra ver. O premiado compositor Michael Giacchino, que
fez uma trilha sonora épica e me fez descobrir o valor de uma boa
trilha. E ao maravilhoso elenco que trouxe verdade a cada cena. Que
me fez chorar, rir, emocionar, gritar, dar instruções (e eu sempre
dou as mesmas e eles não ouvem [rs]) e querer estar com eles. Grande
parte deles (pra não dizer quase todos) viraram meus atores e
atrizes favoritos. Por eles que vi muitos filmes e séries, e só
agradeço por isso. São muitos pra citar, mas tenho um carinho sem
tamanho por eles e certamente vocês ainda me verão falando sobre
eles aqui. Pois sempre os acompanharei.
Também
agradeço aos amigos que fiz por causa de Lost, direta ou
indiretamente. Isso porque além do enorme fandom que a série
tem e onde fiz amizades que perduram até hoje, conheci pessoas
maravilhosas nos fandoms de alguns atores e de novas séries
deles. Coisas que só acompanhei por causa de Lost. E mesmo
quando eles não tinham assistido a série ainda, eu os convencia a
ver. (Né Fê? Né Ítalo? [kkk]) E também gerou ótimas discussões
em amizades que eu já tinha. (Né Marina? [rs])
Desviei
um pouco do assunto que é a maratona, mas o que quis dizer é que
Lost é uma série que não importa se você acompanhou na
época da transmissão ou resolveu assistir ontem, porque vai te
cativar e instigar. A trama não soa datada ou ultrapassada. Uma
qualidade que só os clássicos tem. E se você vai ver pela primeira
vez, quero te dar dois avisos. Primeiro eu quero dizer pra se
preparar para fazer pesquisas dos mais diversos tipos, desde temas da
Física Quântica e Filosofia até músicas e livros citados. Porque
a curiosidade vai bater. E segundo, não dê importância às
críticas negativas que você já possa ter ouvido sobre o final.
Digo isso porque é algo muito pessoal. Eu particularmente adorei o
provavelmente foi o final mais emocionante que já vi. Mas tenho
amigos que não gostaram e me dou bem com eles, a gente só não fala
sobre isso. [rs] Digo isso porque tenho viste muitos sites e
publicações conceituadas falando sobre o “terrível final de
Lost” como se fosse uma verdade absoluta e
não uma questão de opinião. Sendo assim uma péssima demostração
de jornalismo profissional. Apenas mantenha sua mente aberta. E
lembre-se que o importante não é o que vai acontecer, mas o que
está acontecendo.
Quero
terminar dizendo que o que importa é que não faz diferença quanto
tempo passe e o quanto isso me mude. Afinal, sou uma variável. Mas
Lost sempre estará lá para mim, como uma constante pro caso
de algo dar errado. Assim como aqueles com quem me importo. Pois a
ilha é um lugar pra onde sempre posso voltar e revisitar bons
momentos. Rever aqueles personagens que são como queridos amigos que
sempre amarei.
Thank
you, good luck and namaste!