Nome:
O Bicho-da-seda
Série:
Cormoran Strike – Livro #02
Autora:
Robert Galbraith (a.k.a J K Rowling)
Edição:
1/2014
Editora:
Rocco
Páginas:
464
Sinopse: O
detetive Cormoran Strike, protagonista de O chamado do Cuco, está de
volta, ao lado de sua fiel assistente Robin Ellacott, no segundo
livro de Robert Galbraith, pseudônimo de J.K. Rowling. Dessa vez, o
veterano de guerra terá que solucionar o brutal assassinato de um
escritor. Quando o romancista Owen Quine desaparece, sua esposa
procura o detetive particular Cormoran Strike. Incialmente, ela pensa
apenas que o marido se afastou por alguns dias como fez antes e quer
que Strike o encontre e o leve para casa. Mas, à medida que
investiga, fica claro para Strike que há mais no sumiço de Quine do
que percebe a esposa. O escrito acabara de concluir um livro
retratando maldosamente quase todos que conhece. Se o romance fosse
publicado, a vida deles estaria arruinada - assim, muita gente pode
querer silenciá-lo. E quanto Quine é encontrado brutalmente
assassinado em circunstâncias estranhas, torna-se uma corrida contra
o tempo entender a motivação de um assassino impiedoso, diferente
de qualquer outro que Strike tenha encontrado na vida.
Comentários:
Me
arrependi de ter deixado O Chamado do Cuco tanto tempo
intocado na minha estante, então tratei de não cometer o mesmo erro
com sua sequência. Terminada a leitura fico não só com os bons
sentimentos de mais um tempo passado com Cormoran e Robin como
reforço minha impressão de que eu deveria ler mais policiais.
Porque estou realmente gostando disso.
SPOILER
FREE! Sem grandes revelações do livro anterior.
Oito
meses se passaram desde a solução do caso Lula Landry, e a situação
profissional de Cormoran Strike está bem diferente. Agora o detetive
está cheio de casos, e é bem verdade que boa parte de seus clientes
procuram seus serviços para investigar suspeitas de adultério mas
também aparecem casos realmente interessantes. Principalmente quando
Leonora Quine o procura para encontrar seu marido Owen, um escritor
que vive dando seus sumiços. Mas dessa vez ela sente ter algo
diferente.
Não sei
se é só na edição brasileira, mas o livro teve boa parte do
mistério estragado na sinopse. Ela já vai entregando fatos que vão
sendo expostos ao leitor ao longo da primeira metade da trama. Claro
que ela não entrega detalhes de como Owen denegrira a imagem das
pessoas que o cercam em seu novo romance, Bombyx Mori, e nem
as condições em que o autor é encontrado, o que não consigo
definir com palavra melhor do que “chocante”. Mas por mais
envolvente e intricada que tenha sido a investigação até esse
ponto, a surpresa não foi total. Digo, ao invés de ficar esperando
para ver se Owen será encontrado vivo ou morto você simplesmente
espera que encontrem seu corpo logo.
O
Bicho-da-Seda traz semelhanças notáveis com seu antecessor.
Seja pelo ritmo da narrativa e investigação, pelas críticas, pelo
fato de que inúmeros personagens são suspeitos em potencial ou até
a forma como o título revela seu significado dentro da trama.
Contudo, um grande diferencial em relação a O Chamado do Cuco,
ao meu ver, é que a opinião que o leitor vai formando sobre os
personagens com base no relato dos outros personagens não muda
tanto. Owen Quine me pareceu um verdadeiro traste do início ao fim,
pois mesmo que no final algumas verdades reveladas mostrem que os
fatos não eram exatamente como mostrados no início não consigo
ignorar algumas coisas que fez.
De
qualquer forma a trama funciona muito bem. Andando sempre no ritmo
mais adequado para cada passagem, as vezes mais rápido e as vezes
mais lento. Mas preciso confessar que me vi mais envolvida por esse
enredo embora não saiba especificar bem o porquê. Mesmo encontrando
algumas partes morosas aqui também senti que essa história fluiu
melhor, me instigou mais a continuar. Talvez seja apenas pelos
capítulos terem ficados mais curtos, ao que me pareceu. Ou
simplesmente porque o universo do mercado editorial usado como pano
de fundo tenha me soado mais interessante. Mas a investigação
também me soou mais curiosa, questionei mais sobre o quão relevante
cada pista seria. E até Cormoran me pareceu mais cativante.
Falando
nisso, a dupla investigativa mostrou mais uma vez porque deve ser
acompanhada. É uma delícia ver Cormoran e Robin no trabalho,
chegando a complementar o raciocínio um do outro em algumas
ocasiões. Bem como o quanto se compreendem pessoalmente. E chegou a
ser engraçado ver a moça tentando fazer seu chefe e seu noivo se
entenderem. E se simpatizei mais com Cormoran dessa vez digo
simplesmente que gosto cada vez mais de Robin. Com seu jeito prático
e observador ela só prova que está realmente seguindo sua vocação.
A admiro muito.
O final
foi realmente surpreendente. Por mais que eu tenha suspeitado de
praticamente todas as opções, a escolhida pelo autor era uma das
últimas de minha lista. Tinha todas as minhas fichas em outra
aposta, a que parecia mais razoável. E ainda assim tudo foi tão bem
explicado que passei a me achar uma tola e fiquei com vontade reler
na hora só para rever tudo por essa nova perspectiva.
Enfim
digo que foi muito bom andar pelas ruas de Londres com Cormoran e
Robin mais uma vez, seguindo pelas palavras de Galbraith/Rowling. É
por esses dois e sua peculiar linha de investigação que me sinto
instigada a continuar a série. Tanto na literatura quanto na TV, já
que aparentemente a BBC irá fazer uma série baseada nos
livros. E não sei quando sairá o terceiro livro, mas já aguardo
ansiosamente.