Título:
O Lado Bom da Vida
Autore:
Matthew Quick
Edição:
1/2013
Editora:
Intrínseca
Páginas:
254
Sinopse:
Pat
Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma
instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns
meses naquele “lugar ruim”, Pat não se lembra do que o fez ir
para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um
"tempo separados". Tentando recompor o quebra-cabeças de
sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar
uma realidade que não parece muito promissora. Com seu pai se
recusando a falar com ele, a esposa negando-se a aceitar revê-lo e
os amigos evitando comentar o que aconteceu antes da internação,
Pat, agora viciado em exercícios físicos, está determinado a
reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em
finais felizes e no lado bom da vida. Uma história comovente e
encantadora, de um homem que não desiste da felicidade, do amor e de
ter esperança.
Comentários:
Comprei
esse livro ainda no início do ano, em Março. Mas como tinha outros
títulos em espera, só fui lê-lo há poucas semanas. E aí me perguntei, porque
protelei tanto essa leitura tão maravilhosa? Claro que eu não tinha
como saber o quão boa seria essa leitura até
finalmente fazê-la, mas ainda assim confesso que fiquei com aquele
odiosinho básico de mim mesma.
A
narrativa é feita na primeira pessoa, conhecemos a história de Pat
Peoples sobre sua própria perspectiva. Da mesma forma que só temos
conhecimento de alguns fatos e acontecimentos com terceiros quando
Pat toma ciência dos mesmos. E o livro começa quando sua mãe vai
tirá-lo da Casa de Saúde Mental, o “lugar ruim” como ele chama
e para onde foi quando começou o início do tempo separados.
De volta
à casa dos pais em Nova Jersey, Pat tenta de novo tomar as rédeas
de sua vida – seguir o roteiro de Deus para o filme de sua vida,
como ele diz - para voltar com esposa Nikki e assim encerrar o tempo
separados. Começa a ler todos os livros favoritos dela, faz um
programa intenso de exercícios - porque Nikki gosta de homens
sarados – e prática “ser legal ao invés de ter razão”. Só
que Pat não se lembra de como se separaram e nem como foi parar no
lugar ruim. Até perdeu a noção do tempo em que esteve lá.
A família
e os amigos de Pat fazem o melhor que podem por sua recuperação e
tomam muito cuidado para reintroduzi-lo no mundo, já que seu
psicológico está abalado. O único que não ajuda é seu pai, que
vive de mau humor por causa da fase ruim em que os Eagles se
encontram. Por outro lado tem seu novo terapeuta, Dr. Cliff Pattel.
Um adorável indiano, torcedor dos Eagles e que se torna um grande
amigo e confidente de Pat. E finalmente Tiffany, que ele já conhecia
por ser cunhada de seu melhor amigo Ronnie mas só se aproximou
agora.
Assim
como Pat, Tiffany também está com o psicológico abalado. Mas
enquanto Pat quer sempre ver o lado bom das coisas, ganhando uma
postura sonhadora e até infantil, Tiffany é mais depressiva por ser
viúva. Então isso os faz terem momentos ótimos, de certa forma
hilários. E constroem uma amizade cheia de alto e baixos. Pois
muitas vezes ele não entende o que ela quer/precisa e a inocência
dele a tira do sério.
Mas antes
que eu conte a história toda, é um livro super agradável de se
ler. A leitura é rápida já que a narrativa é simples e os
capitulo curtos aceleram o processo. O livro tem o que chamo de
“sutileza profunda”, porque apesar de não ter grandes frases de
efeito ou filosóficas ainda te faz pensar. Te passa toda aquela
emoção e sentimento que passam pelos personagens. Estes, que a
propósito, são muito cativantes. Boa parte do livro é leve, mas tem alguns bons momentos tensos. A maioria mais pro final, quando a história dá uma virada dramática. Foi meu primeiro contato com a
escrita de Matthew Quick, e certamente lerei mais dele.
Ainda não
vi o filme que foi inspirado no livro, mas já posso imaginar que
muita coisa foi alterada simplesmente por terem escalado Jennifer
Lawrence para o papel de Tiffany. Já que no livro Tiffany é mais
velha que Pat. Mas a escolha provavelmente se deu pela ótima atriz
que Jennifer é, prova disso foi o Oscar que o filme lhe rendeu. Já
Bradley Cooper com a exceção da cor dos olhos – no livro, Pat tem
olhos castanhos – me soou a escolha perfeita. Só conseguia
imaginá-lo enquanto lia. Tá, parei.
Enfim, é
uma linda história sobre amor, amizade, família, loucura e ódio ao
Kenny G. Ok, nem tanto ódio assim. Mas uma bela forma de perceber
que vale a pena e é preciso ver o lado bom da vida, mesmo que isso
soe como um atestado de loucura.
— As
pessoas podem ser cruéis — comenta o Dr. Patel com um olhar
solidário que me faz confiar ainda mais nele.
É então
que me dou conta de que ele não está anotando todas as minhas
palavras em um arquivo, e eu realmente gosto disso, preciso dizer.
Digo a
ele que gostei da sala, e conversamos sobre meu gosto por nuvens e
sobre como a maioria das pessoas perdeu a habilidade de ver o lado
bom das coisas, embora a luz por trás das nuvens seja uma prova
quase diária de que ele existe.
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