A eterna Little Girl Blue...
Manifestações socioculturais,
feminismo, contracultura e Guerra Fria são algumas expressões que podem
descrever o cenário dos anos 1960. Fortemente influenciada pela década
anterior, a década de 60 esteve inserida num contexto de caos constante –
devido aos conflitos e revoluções – e de paradoxos, visto que a sociedade
caminhava sobre a linha tênue e dolorosa, existente entre a paz e a guerra;
entre a esperança e a desesperança.
Questões como essas impulsionaram a
produção artística e propiciaram o surgimento de grandes nomes da música no
âmbito nacional e internacional; artistas que transcenderam sua época e
consagraram-se mundialmente.
Janis Joplin foi um destes. Tendo
nascido e crescido na pequena e pacata cidade industrial texana, Port Arthur,
Estados Unidos, ninguém jamais imaginaria que dali surgiria a cantora que mais
tarde seria considerada a Rainha do Rock and Roll.
Janis, que nunca se encaixou nos
padrões da sociedade – tanto em termos de beleza quanto de comportamento – teve
uma infância comum, apesar de sempre ter se sentido deslocada e, outrora
relatou sua mãe, carente de atenção. Fora uma criança feliz, mas, segundo disse
a própria cantora: “Depois o mundo inteiro desabou. E desabou sobre mim”.
Já na fase inicial de sua adolescência,
Janis começou a distanciar-se dos amigos de escola por possuir opiniões
contrárias ao que exigia o tradicionalismo de Port Arthur. Por exemplo, ela se
posicionou a favor da integração racial, ideia cada vez mais difundida na época
entre as grandes cidades americanas, como São Francisco, mas que não condizia
com o pensamento da cidade texana.
Questões como essa também aliada à
falta de beleza e ao excesso de peso, fizeram com que Janis adotasse um
comportamento considerado inaceitável, além de vestir-se com desmazelo, o que
culminou com seu envolvimento com pessoas de caráter duvidoso. Tornou-se ainda
mais detestada e nunca se sentira tão deslocada.
Em seu último ano de colégio, Janis
começou a trabalhar e frequentava um café, onde descobriu que podia cantar. Nos
anos iniciais da década de 60, ela iniciou o ensino superior; visitou Los
Angeles pela primeira vez, tendo contato com um mundo oposto ao que conhecia;
dedicou-se mais intensamente à música, passando a cantar em público;
envolveu-se ainda mais com drogas e bebidas. Mas foi quando recebeu o título de
Homem Mais Feio do Campus, que Janis decidiu partir e tentar uma nova vida em
São Francisco.
Na Califórnia, Janis continuou a
cultivar sua rebeldia e trabalhou como cantora, além de se afundar ainda mais
no universo das drogas, passando a usar heroína. Em 1966, conheceu o grupo Big Brother & The Holding Company, com quem gravou um álbum em 1967.
Em 1968, o grupo teve destaque ao
participar do Festival Pop de Monterey e a incrível versão da música Ball and
Chain projetaram Janis para o sucesso, junto ao álbum Cheep Thrills.
No final do mesmo ano, a cantora
despediu-se do Big Brother e formou a banda Kozmic
Blues Band. Em 1969, gravaram o álbum I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama! e tocaram no festival
Woodstock, ao lado de nomes como Jimi Hendrix, Joe Cocker, Santana, Grateful
Dead e Creedence Clearwater Revival.
Janis atingira
seu auge. Em 1970, também deu adeus à
Kozmic Blues Band e iniciou uma parceria com a Full Tilt Boogie Band, que a
acompanhou em suas últimas apresentações, além de terem gravado as faixas que
mais tarde formariam o álbum Pearl, o qual foi lançado postumamente.
No dia 4 de outubro de
1970, Janis Joplin foi encontrada morta em seu quarto de hotel, após sofrer
overdose de heroína. Duas das últimas músicas que gravou, foram Happy Trails,
um presente de aniversário a John Lennon, e o sucesso Mercedes Benz.
Aqueles que a conheceram, concordam que a rebeldia que
tanto caracterizou Janis era, na verdade, onde ela se escondia de si e do mundo
que com ela fora tão cruel; era, na verdade, suas tristezas e frustrações em
disfarce. Mas quando cantava tudo isso transparecia. Talvez seja este um dos
fatores que permitiram que a música de Janis fosse tão peculiar, tornando-se
inesquecível.
Dica de leitura: Enterrada Viva – A biografia de Janis
Joplin. Escrito por Myra Friedman e publicado pela Civilização Brasileira, trata-se
de um livro interessante para aqueles que, assim como eu, apreciam a música de
Janis e que sejam apaixonados pela década de 60.