Série:
Crônicas Lunares – Livro #01
Autora:
Marissa Meyer
Edição: 1/2013
Editora:
Rocco
Páginas:
448
Sinopse:
Num
mundo dividido entre humanos e ciborgues, Cinder é uma cidadã de
segunda classe. Com um passado misterioso, esta princesa criada como
gata borralheira vive humilhada pela sua madrasta e é considerada
culpada pela doença de sua meia-irmã. Mas quando seu caminho se
cruza com o do charmoso príncipe Kai, ela acaba se vendo no meio de
uma batalha intergaláctica, e de um romance proibido, neste misto de
conto de fadas com ficção distópica. Primeiro volume da série As
Crônicas Lunares, Cinder une elementos clássicos e ação
eletrizante, num universo futurístico primorosamente construído.
Comentários:
Hoje
venho com a resenha de um livro que eu desejava desde que li sua
sinopse pela primeira vez, em meados deste ano de 2013, e finalmente
o li por ter ganho de aniversário da minha tia. (E
também foi o único livro que ganhei na data.)
Eu estava bastante ansiosa por essa leitura pelo fato de misturar
contos de fadas com ficção científica em uma distopia (que
a propósito, foi meu livro do gênero distópico), e fico feliz em
dizer que superou todas as minhas expectativas.
Não
há muito que eu possa dizer sobre o enredo sem revelar grandes
spoilers. Apenas que a história se passa na cidade de Nova Pequim no
ano 126 da Terceira Era, depois de ter não só uma Terceira mas
também uma Quarta Guerra Mundial que destruiu várias cidades
inclusive a Pequim original. Lá vive Cinder Linh, uma jovem de 16 anos
que trabalha como mecânica (a melhor da comunidade) para sustentar a
casa onde vive com a madrasta Adri (que ela chama de guardiã legal)
e as meio-irmãs Pealr e Peony. E se isso já não fosse o
suficiente, Cinder é uma ciborgue. Aos 11 ela sofreu um acidente que
destruiu boa parte de seu corpo, e precisou de uma cirurgia para
reconstruí-lo usando próteses cibernéticas. Mas ela não se lembra
de nada anterior a isso.
Tudo
ia bem até que em dia qualquer de trabalho o Príncipe Kai aparece
em sua oficina pedindo para que Cinder conserte seu androide. A
partir daí começam a acontecer coisas e são feitas descobertas que
mudariam não só a vida de Cinder como também o futuro da
humanidade. E aí realmente não posso contar mais nada, apenas
descrever alguns aspectos do livro. Se quiserem saber o que acontece,
terão que de fato ler o livro.
É
o primeiro livro da americana Marissa Meyer, e digo que ela foi muito
feliz quando resolveu se arriscar ao adaptar o conto da Cinderela de
uma forma totalmente inovadora. Criou uma história totalmente nova e
ainda assim manteve pontos essenciais do conto original. Soube
aproveitar bem os pontos que caracterizam os três gêneros. A
narrativa é feita na terceira pessoa, fluída e bastante descritiva.
É tudo muito bem explicado, do funcionamento de Cinder ao fato de
terem pessoas morando na Lua. Os Lunares, com quem os Terráqueos
vivem em constante conflito. Tanto que você chega a achar realmente
possível que alguém viva lá.
O
caráter dos personagens é muito bem construído. Desde Cinder que é
uma garota forte e madura para sua idade, e não por que ela é
ciborgue que ela não tem sentimentos. Ela os tem, mas tudo bem
dosado e sem faniquitos. O tipo de protagonista feminino que dá
gosto de ver. Temos o príncipe Kai, que é simplesmente adorável.
Não é mimado nem badboy demais. É um jovem que desde muito cedo
foi guiado para ser um bom líder, o que o deixa um tanto sério mas
não o impede de ser sarcástico. Não tem como não citar Iko, a
androide assistente e amiga de Cinder que tem uma personalidade um
tanto... inusitada para um androide. Ri muito com ela. Temos o médico
pesquisador Erlund, que tem um papel fundamental para que Cinder
descubra quem é. No início ele não parece muito confiável, mas
logo você passa adorá-lo. E confesso que o que contribui para eu
simpatizar tanto com ele é que alguns aspectos de Dr Erlund me
lembraram um tanto de Walter Bishop, personagem do queridíssimo John
Nobel na série de TV Fringe. E por último cito a rainha
Levana, a malvada soberana de Luna. Ela é tão malvada que atinge um
nível diferente de maldade, um que eu nunca tinha visto. Nem dá pra
descrever, só torcer pra que ela logo seja derrotada.
Cinder
tem tudo que uma boa história precisa ter. Momentos tensos, para
refletir, os personagens cativantes, uma dose certa de humor para
aliviar os nervos e romance. Sim, o romance é perfeito. Não é
avassalador daqueles que você sabe que não existem nem aqui e nem
na China do futuro, nem meloso do tipo que te deixa enjoado. Cinder e
Kai apenas vão se conhecendo (e nem terminaram de se conhecer ainda)
e criando uma afinidade. Claro que tem aquela primeira impressão,
mas nada que pareça forçado. É até bem agradável. E quero ver
como a história deles vai se desenvolver.
Por
último falo do acabamento do livro. A capa tem uma ilustração
maravilhosa, similar a original, que reflete bem a história. O
titulo é em alto-relevo, que admito ser algo que adoro. Os tons
metálicos no titulo e “ossos” (mesmo que bem sutil) e
envernizado no sapato dão um toque todo especial. A diagramação é
maravilhosa com letras grandes e bom espaçamento. Os capítulos não
são longos mas também não são muito curtos. Eu diria que tem o
tamanho ideal. E tudo contribuí para uma leitura fluida. Dá pra ler
cem páginas brincando.
Cinder
é o primeiro volume da trilogia Crônicas Lunares. Os
próximos serão Scarlet e Cress, baseados
respectivamente nos contos de Chapeuzinho Vermelho e Rapunzel. Cada
um terá sua protagonista mas sem esquecer de dar sequencia ao livro
anterior. Não, não acaba com “felizes
para sempre” o que foi um ponto bastante positivo.
Scarlet acaba de ser lançado nos EUA e deve chegar ao Brasil
apenas em meados do ano que vem, e já estou me mordendo de ansiedade
para lê-lo. Ah, e parece que já estão negociando uma adaptação
para o cinema. ;)
-Srta. Linh, você deve me ouvir. Você foi trazida até aqui por um motivo.
-Qual, ajudar você a encontrar a cura? Acha que isso é algum tipo de presente tortuoso do destino?
-Não estou falando de sorte ou destino. Estou falando de sobrevivência. Você não pode deixar que a rainha a veja.
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