Nome:
O Chamado do Cuco
Série:
Cormoran Strike – Livro #01
Autora:
Robert Galbraith (a.k.a J K Rowling)
Edição:
1/2013
Editora:
Rocco
Páginas:
448
Sinopse: Quando
uma modelo problemática cai para a morte de uma varanda coberta de
neve, presume-se que ela tenha cometido suicídio. No entanto, seu
irmão tem suas dúvidas e decide chamar o detetive particular
Cormoran Strike para investigar o caso. Strike é um veterano de
guerra, ferido física e psicologicamente, e sua vida está em
desordem. O caso lhe garante uma sobrevida financeira, mas tem um
custo pessoal: quanto mais ele mergulha no mundo complexo da jovem
modelo, mais sombrias ficam as coisas e mais perto do perigo ele
chega. Um emocionante mistério mergulhado na atmosfera de Londres,
das abafadas ruas de Mayfair e bares clandestinos do East End para a
agitação do Soho. O chamado do Cuco é um livro maravilhoso.
Apresentando Cormoran Strike, este é um romance policial clássico
na tradição de P.D. James e Ruth Rendell, e marca o início de uma
série única de mistérios.
Comentários:
Em meados
do ano passado tomei conhecimento desse livro que foi escrito por J K
Rowling sob o pseudônimo de Robert Galbraith. Como estava prestes a
encerrar a leitura da série Harry Potter e decidida a ler
tudo que a autora escrevesse estava determinada a ler esse também. E
tão logo O Chamado do Cuco foi lançado aqui no Brasil eu o
adquiri durante a Black Friday. Só não tinha lido até agora
por frescura, pois queria capa dura e por engano/distração comprei
edição brochura. Mas então resolvi deixar de neura e ler de uma
vez, o livro afinal é o mesmo.
Cormoran
Strike é um veterano do Exército britânico, fora de batalha por
ter perdido uma perna em uma explosão no Afeganistão. Ele agora
trabalha como investigador particular, mas sem muito sucesso. Pelo
menos até ser contratado por John Bristow para investigar a morte da
irmã Lula Landry, uma modelo que morrera três meses antes. Todo o
mundo está convencido de que a moça – que sofria de alguns
transtornos psicológicos – cometera suicídio, menos a família e
algumas pessoas mais próximas.
Cormoran
se vê envolvido com o caso de diversas maneiras. Primeiro porque
quando criança foi muito amigo de outro irmão de John que morrera
de forma trágica. Também por conhecer a perseguição da mídia às
celebridades por conta de seu próprio pai, e por ver que há mais
coisas abaixo da superfície do que poderia imaginar. Enquanto isso
precisa lidar com alguns problemas em sua vida pessoal, como o fim de
um longo relacionamento conturbado. Mas para ajudá-lo em tudo terá
Robin, a secretária temporária que se mostra uma assistente
eficiente e ótima amiga.
Ao meu
ver, uma história policial precisa acima de tudo ter personagens
convincentes. E é com prazer que digo que foi o que encontrei. Todos
eles são extremamente humanizados e despertam diferentes impressões
a todo o tempo. Isso deve-se ao fato de que não só as
personalidades foram muito bem montadas como a forma em que veem uns
aos outros é divergente e instigante. Os que mais importaram pra mim
são Cormoran e Robin, uma vez que eles é que ficarão para os
próximos livros. Ambos são interessantes e ficam melhores juntos,
pois minhas partes favoritas foram em que estavam na companhia um do
outro. Pois apesar de ter achado Cormoran muito astuto e ter gostado
de sua história não vi muito carisma nele.
O
Chamado do Cuco é o que chamo de policial com drama social.
Tanto a história de Cormoram quanto – e principalmente – a de
Lula são repletas de fatores que nos fazem pensar na sociedade e no
mundo em que vivemos como um todo. Aqui o enfoque foi o mundo das
celebridades e todo tipo de ostentação e perseguição que o cerca.
Quem tem pelo menos pouco mais de duas décadas de vida consegue
lembrar de Lady Di em diversas partes devido às citações sobre a
perseguição da imprensa e distorções que ela faz.
A
investigação foi bastante intricada, com reviravoltas
surpreendentes e condizentes. Apesar disso, teve um bom trecho em que
senti que a leitura ficou um tanto morgada. Mesmo gostando de vários
aspectos me parecia que a história não andava. Mas nas últimas
cento e cinquenta páginas e situação mudou de figura. Começa a
reviravolta da trama e o enredo vai ganhando um ritmo alucinante,
então tudo que você quer é saber o que está se passando pela
cabeça do investigador e quem é o culpado.
Sobre a
narrativa não há o que dizer que a maioria já não saiba. Rowling
mesmo sob o nome Galbraith e se aventurando por um novo gênero
mantém sua escrita envolvente e marcante. Suas descrições de
cenários e exposição das emoções dos personagens nos permite
montar cenas completas e precisas e nossa mente. Mas preciso dizer
que agradeço o fato do número de palavrões ter diminuído em
relação à Morte Súbita. Aqui ficaram em apenas alguns
diálogos, lugar onde considero aceitável vê-los.
Já
mencionei algumas vezes que não tenho muita experiência com
literatura policial. Isso somado ao fato de que só comecei a
escrever a resenha alguns dias após o fim da leitura e ainda
precisar de muitas pausas (e alguns inconvenientes) podem ter
comprometido minha intenção de fazer comentários concisos. Mas o
que quis dizer é que mais uma vez J K Rowling mostrou lindamente sua
versatilidade como contadora de histórias. Que fico feliz por poder
acompanhar essa em tempo – quase – real. Já encomendei o segundo
volume, O Bicho da Seda, e pretendo não demorar tanto para
lê-lo.