Nome:
Scarlet
Série:
Crônicas Lunares – Livro #02
Autora:
Marissa Meyer
Edição: 1/2014
Editora:
Rocco
Páginas:
480
Sinopse:
Depois
de Cinder, estreia de sucesso de Marissa Meyer e primeiro volume da
série As Crônicas Lunares, que chegou ao concorrido ranking dos
mais vendidos do The New York Times, a autora está de volta com mais
um conto de fadas futurista. Scarlet, segundo livro da saga, é
inspirado em Chapeuzinho Vermelho e mostra o encontro da heroína
ciborgue que dá nome ao romance anterior com uma jovem ruiva que
está em busca da avó desaparecida. Em uma trama recheada de ação
e aventura, com um toque de sensualidade e ficção científica,
Marissa Meyer prende a atenção dos leitores e os deixa ansiosos
pelos próximos volumes da série.
Comentários:
Crônicas
Lunares se tornou de imediato uma das minhas séries literárias
favoritas, devo até dizer que é minha favorita em andamento.
Infelizmente levei mais tempo do que pretendia para conferir a
continuação, mas não aconteceu o que eu temia de que tanto tempo
me fizesse criar expectativas demais. Embora ela já fossem bem
altas, todas foram superadas. E Scarlet se mostrou uma
sequencia eletrizante e digna.
ALERTA
DE SPOILER: Apenas o primeiro paragrafo contém revelações sobre o
livro anterior. O resto é spoiler free.
Cinder
precisa fugir da prisão e encontrar Dr. Erland na África como ele
instruiu, para que ela possa aprender a dominar da forma devida o seu
glamour e assim tomar o posto de Rainha de Luna que lhe é de
direito. Mas Cinder precisa descobrir algumas coisas sobre seu
passado antes, ela só não contava que precisaria da ajuda de outro
fugitivo para isso. Enquanto isso, no interior da França, a jovem
Scarlet está aflita com o sumiço da avó. A policia encerrou as
buscas alegando que ela desapareceu por vontade própria, mas a
garota tem certeza de que a avó fora sequestrada. Scarlet está
disposta a fazer o que for preciso para encontrá-la, até mesmo
confiar em um forasteiro que se chama de Lobo. E essas duas garotas
nem imaginam o quanto seus passados estão conectados.
Podemos
perceber que Cinder é ponto central da série como um todo, mas que
cada livro apresentará uma nova garota que de alguma forma está
ligada a ela. Essa é a vez de Scarlet, inspirada no conto da
Chapeuzinho Vermelho. Uma garota de 18 anos que trabalha na fazenda
com a avó Michelle, que cuidou dela desde que sua mãe morreu. Ela
adora essa vida simples, cheia de paz e cercada pela natureza. Mas
quando seu pai reaparece dizendo que foi torturado pelos raptores de
sua avó e que precisa encontrar algo que ela escondia para que
possam ser libertados e o recém-chegado lutador de rua mostra saber
mais do que aparentava, Scarlet terá que deixar a fazenda.
Talvez
meu único receio fosse de que ao contar a história de Scarlet, a de
Cinder não recebesse a devida continuidade. Mas o que aconteceu foi
o oposto, e as duas histórias seguem em equilíbrio até se
encontrarem de forma maravilhosa. Nem mesmo dá para eleger a
preferida, pois tanto é gratificante acompanhar a fuga de Cinder e
os deveres de Kai como recém coroado Imperador da China como a busca
implacável de Scarlet e Lobo por sua avó. E claro, o retorno de Iko
que fez meu coração pular de alegria.
Até os
novos personagens são tão cativantes quanto os já conhecidos.
Scarlet é tão forte e determinada quanto Cinder, mostrando dúvidas
e medos em momentos compreensíveis e conseguindo passar por cima
deles. Lobo é misterioso e ambíguo, por boa parte tornando
impossível saber de que lado estava. E o engraçado é que apesar de
rápida, a relação entre os dois é aceitável. Não posso esquecer
de Thorne, o Tenente americano preso por traição que se torna
parceiro de fuga de Cinder e cujo a mania de grandeza e o sarcasmo
são motivos de muitas risadas.
Os
capítulos intercalam os pontos de vista de Scarlet, Cinder e Kai.
Dois breves capítulos também mostram os pontos de vista de Lobo e
da Rainha Levana. A narrativa em terceira pessoa continua envolvente
e ainda mais eletrizante. Se o livro de introdução que se passa em
um período de aproximadamente duas semanas já se mostra bastante
ágil, esse que se passa em cerca de dois dias é totalmente
alucinante. Cada página é repleta de ação e existem reviravoltas
aos montes, pausar a leitura é uma tarefa quase impossível.
Fiquei
ainda mais encantada com a capacidade da autora Marissa Meyer de
adaptar um conto de fadas em uma ficção científica futurista. Na
verdade o que ela fez foi criar uma nova história, seu próprio
universo. Mas com elementos que nos remetessem aqueles clássicos
contos. Até o famoso “mas que dentes grandes você tem, vovó!”
está lá. De uma forma totalmente surpreendente e reinventada, mas
está. O que me fez admirar ainda mais a imaginação e criatividade
da autora.
O que
também continua maravilhoso é a descrição do planeta na Terceira
Era. A França do Futuro é um lugar que eu certamente gostaria de
conhecer, embora o que aconteceu com alguns célebres monumentos de
Páris na IV Guerra Mundial tenha partido meu coração. Mas a
cidadezinha de Rieux, onde Scarlet vivia com a avó parece ser o
paraíso na Terra. Sem falar das maravilhas tecnológicas saídas da
incrível mente de Meyer. Já quero uma nave que nem a da Scarlet.
Quando li
Cinder, sabia que cada livro mostraria uma nova garota e que
suas histórias estariam entrelaçadas de alguma forma. E um fato
apresentado quase no final do primeiro livro chamou minha atenção
para de que forma como os lobos poderiam aparecer aqui em Scarlet,
acertei e ainda assim Meyer agregou algo para surpreender. Da mesma
forma que o próximo livro tem como base o conto da Rapunzel e
desconfio, pelas características, que a garota também já apareceu
no primeiro livro. Provando que a trama foi toda previamente
planejada.
O
terceiro volume de Crônicas Lunares se chamará Cress,
e se seguir o cronograma do anteriores deve ser lançado aqui no
Brasil na metade do ano. Há também o prequel Fairest,
centrado em Levana e que também deve ser lançado no Brasil nesse
ano. E existem alguns contos, que espero futuramente serem reunidos
em uma única publicação a exemplo do que acontece com outras
séries literárias. Essa é uma história ao mesmo tempo inovadora e
nostálgica, que recomendo sem medo e sem ressalvas. É só começar
e se deixar levar.