E se
tivesse como voltar da morte?
Geralmente
não gosto de demorar a publicar primeiras impressões de uma série
de TV, fazendo o possível para postá-las antes da exibição do
segundo episódio. Mas as vezes, é claro, o tempo não me permite
fazer isso. Exceto que nesse caso o atraso foi proposital, pois o
piloto de The Returned por si só mal me forneceu material e
inspiração para um mísero paragrafo. Então tive que assistir o
segundo episódio e pensar um bocado sobre o que vi até me sentir
preparada para colocar em palavras.
A série,
que é um remake do grande hit francês Les Revenants, se
passa em uma pequena cidade americana onde misteriosamente algumas
pessoas mortas (algumas há poucos anos, outras há décadas)
voltaram a viver. Suas últimas memórias são de minutos antes de
suas mortes, não fazem ideia do que aconteceu e agora precisam lutar
para se readaptar. Não existe nenhum padrão aparente em suas mortes
e nem um por quê de elas terem ressuscitado. Exceto por um menino
enigmático e desconhecido que de alguma forma parece estar ligado a
esses acontecimentos.
A
premissa é bastante interessante, e somado ao fato de ter Carlton
Cuse como produtor e Mark Pellegrino e Carl Lumbly no elenco foi o
que me atraiu a assistir. Confesso que não me cativou da forma que
imaginei, e achei o início até um pouco insosso. Mesmo assim não
consigo deixar de ver um bom potencial. Alguns personagens são
interessantes e é difícil não se perguntar o que realmente está
acontecendo. Se há uma razão científica, sobrenatural ou ambas.
Talvez aqui valha aquela máxima “a curiosidade matou o gato”.
A
história começa a ser contada no dia em que as pessoas
ressuscitaram. Aparentemente cada episódio será centrado em um
desses personagens, e mostrando flashbacks do dia em que morreram.
Até agora já conhecemos a história de Camille e Simon. Ela é uma
adolescente que morreu há quatro anos num acidente de ônibus de
excursão, e agora precisará lidar com as mudanças em sua família
que para ela soam repentinas. Ele é um jovem que morreu há seis
anos no dia de seu casamento, e agora precisa entender que sua noiva
se casará com outro.
Mas o
personagem que mais desperta curiosidade é pequeno Victor, um menino
de aproximadamente 11 anos que apareceu do nada e não fala
absolutamente nada sobre si. Sua história deve ser contada no quarto
episódio, mas desde o início fica claro que ele não é apenas um
garoto comum. Há também um serial killer que depois de anos voltou
a ativa. Ele parece fazer algum tipo de ritual com as vítimas e
apenas uma delas sobreviveu, mas não há pistas sobre a identidade
do assassino.
O que me
anima a continuar é que aparentemente deve ter uma discussão entre
os personagens sobre o que causou essa ressuscitação em massa.
Depois da decepção que tive com os personagens de The Leftovers
por não questionarem a verdadeira causa dos fatos misteriosos, fico
até emocionada ao ver uns que se perguntam que diabos realmente está
acontecendo. Claro que toda boa história deve se focar nas reações
e relacionamentos entre os personagens, mas quando há, como aqui, um
evento que desafia a lógica creio que a curiosidade sobre os fatos
se encaixe na lista de reações normais.
The
Returned é uma produção em parceria entre o canal A&E
e o Netflix. A primeira temporada terá 10 episódios e até
agora teve uma recepção satisfatória. Não acompanhei a versão
original francesa e não li nada sobre o quão fiel está sendo, mas
se fizer o mesmo sucesso logo deve garantir renovação.
Ficha
Técnica
The
Returned
Elenco:
Mary Elizabeth Winstead, Mat Vairo, Dylan Kingwell, Agnes Bruckner,
India Ennenga.
Estreia:
09 de Março de 2015.
Exibição:
Terças-feiras, pelo A&E e quartas-feiras, no Netflix.
Trailer: