Nome:
Perdido em Marte
Autor:
Andy Weir
Edição:
2/2015
Editora:
Intrínseca
Páginas:
336
Sinopse: Há
seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima
pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente, será a primeira a morrer
no planeta vermelho.
Depois
de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a
tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível
acidente.
Ao
despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como
avisar às pessoas na Terra que está vivo. E, mesmo que conseguisse
se comunicar, seus mantimentos terminariam anos antes da chegada de
um possível resgate.
Ainda
assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de
curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico – e um
senso de humor inabalável –, ele embarca numa luta obstinada pela
sobrevivência.
Para
isso, será o primeiro homem a plantar batatas em Marte e, usando uma
genial mistura de cálculos e fita adesiva, vai elaborar um plano
para entrar em contato com a Nasa e, quem sabe, sair vivo de lá.
Com
um forte embasamento científico real e moderno, Perdido em Marte é
um suspense memorável e divertido, impulsionado por uma trama que
não para de surpreender o leitor.
Comentários:
Como
sou apaixonada por ficção científica a premissa de Perdido em
Marte me conquistou de primeira. E como nos últimos anos muito
tem se falado dos esforços reais para colonizar o planeta vermelho a
hipótese levantada pela trama não soa tão ficcional, o que
aumentou minha curiosidade. Como de costume levei mais tempo para
conferir do que gostaria, talvez só não demorou mais porque o
ganhei numa promoção do blog Universo Literário. E valeu
muito a pena.
Depois
de seis dias em Marte, Mark Watney acorda sozinho e ferido no
desértico e inóspito terreno do planeta. Ele é integrante da Ares
3, uma equipe que precisou abortar a missão quando formou-se uma
tempestade de areia mais forte do que o Hab (instalação onde os
astronautas viveriam) foi projetado para suportar. Durante o trajeto
até o veículo espacial, Mark foi atingido por uma antena e arrastado
pelo vento, tirando-o totalmente do alcance da equipe. Procuraram por
ele o máximo que puderam, até perder qualquer esperança de
encontrá-lo vivo. Mas ele sobreviveu, e precisa encontrar meios de
se manter vivo até achar um modo de voltar à Terra, ou pelo menos
fazer um último contato.
Se
precisasse escolher duas palavras para definir Perdido em Marte
estas certamente seriam eletrizante e angustiante.
Primeiro é incrível como uma história que em sua maioria é vivida
por um personagem solitário, sem nenhum meio de interação com
outros seres humanos e cuja atividade mais importante é se manter
vivo consegue ser ágil e instigante. E outra que a cada
acontecimento inesperado que ameaça completamente qualquer
possibilidade de Mark sair vivo de lá é extramente aflitivo. Porque
no fundo você só quer que ele seja salvo.
A
trama e o personagens são extremamente verossímeis e cativantes. O
humor peculiar do protagonista e de algumas situações certamente
ajudam no envolvimento, não nego que dei boas risadas em momentos
que certamente aliviaram a tensão dos acontecimentos. As explicações
e descrições são feitas de maneira bastante verídica mas não
muito técnica, o que mostra que o autor Andy Weir fez pesquisas bem
detalhadas (tanto sobre missões da NASA, o ambiente de Marte,
botânica e outras assuntos abordados) para tornar sua história
crível, mas se preocupou em mantê-la acessível. Um bom exemplo é
que sempre fui uma negação em Astronomia, mas não tive grandes
dificuldades em compreender menções feitas à posição de Astros e
constelações.
A
história é em sua grande parte contada de forma epistolar, através
do diário de bordo de Mark e algumas mensagens. Mas também existem
trechos narrados em terceira pessoa mostrando os esforços da NASA
desde que descobrem que Mark sobreviveu à tempestade e como está o
restante da equipe da Ares 3. Penso que Weir não poderia ter
escolhido um formato melhor para seu livro de estreia, pois permite
que o leitor acompanhe o desenvolvimento de todos os núcleos da
maneira mais adequada para cada um. Mas confesso que apesar de ter
gostado de tudo tenho predileção pelas partes de Mark, não só
porque é incrível acompanhar cada experimento de sua luta pela
sobrevivência mas pela forma peculiar de relatar seu infortúnio. Os
capítulos são medianos e contam com subdivisões, o que contribui
para a agilidade da leitura.
Gosto
de pensar que uma boa ficção científica deve provocar reflexão,
sobre nós e o mundo em que vivemos. E Perdido em Marte faz
isso de forma brilhante, pois é fácil se imaginar em situação
semelhante. Digo, as probabilidades de Mark não são boas, na
verdade são péssimas. Não importa quão bom seja o humor de uma
pessoa é natural que diante da possibilidade iminente de definhar
até a morte se escolha acabar com tudo de uma vez. E Mark até
cogita isso. Mas aí vem o instinto mais forte de qualquer animal:
sobreviver acima de tudo. Outra questão é de porque tanto esforço
e gastos para salvar um único homem cujo tudo indica estar condenado
quando menos precisaria ser feito por muitas pessoas necessitadas
nesse planeta mesmo? É aquela mesma coisa que pode nos fazer entrar
em um incêndio para salvar alguém sem pensar se conseguirá, o
sentimento de que ninguém deve ficar para trás.
Perdido
em Marte foi originalmente publicado em 2011 e em 2015 ganhou uma
adaptação para o cinema estrelada por Matt Damon. O filme foi
sucesso de bilheteria e recebeu sete indicações ao Oscar (cujo os
premiados serão revelados amanhã), incluindo Melhor Filme e Melhor
Ator. Ainda não conferi, mas tudo indica que seja pelo menos tão
bom quanto o livro.