sábado, 17 de janeiro de 2015

[Maratona de Vícios #16]: Twin Peaks


O clássico cult da TV.

Certas séries são obrigatórias para um bom viciado em série, principalmente se ela pertence à algum dos gêneros favoritos. Twin Peaks era obrigatória para mim por ter aberto as portas para a existência de tantas séries que amo. Apesar disso, ia enrolando pelo fato de ter sido cancelada na segunda temporada. Mas a notícia de que a série terá continuação em 2016 me fez ver logo de uma vez. E hoje venho peguntar se vocês já pararam pra pensar que o obrigatório pode ser muito bom?

Tudo começa na manhã em que o corpo da jovem e popular Laura Palmer (Sheryl Lee) é encontrado enrolado em plástico nas margens de um rio na até então pacata cidade de Twin Peaks. A jovem Ronnete (Phoebe Augustine) também é dada por falta e é encontrada horas depois vagando pelos trilhos do trem, completamente perturbada e sem conseguir se comunicar. As duas foram amarradas, violentadas física e sexualmente entre outras coisas. A diferença é que uma saiu viva, mas sem condições de relatar o que aconteceu. No mesmo dia chega à cidade o Agente do FBI Dale Cooper (Kyle McLachlan), que há um ano trabalhara em caso com o mesmo M.O. e acredita ter um assassino em série a solta.

O caso não demora a mostrar todas as suas complicações. A polícia local não consegue fazer muita coisa por ter uma equipe muito restrita, apesar de ser bem comandada pelo Xerife Harry (Michael Ontkean). Cooper e Harry trabalham arduamente, mas parecem nunca conseguir colocar todas as evidencias em pratos limpos. Todos tem algo a esconder, e mesmo aqueles que nada tem a ver com o assassinato tem receio que seus segredos mais sombrios venham à tona. Além disso, estão envolvidas forças ocultas e desconhecidas. A morte de Laura abre portas para que tantos segredos sejam revelados, e mostrar que a loucura está nas pessoas normais e nos fatos cotidianos.


Twin Peaks é uma série bastante estranha, mas você acaba se acostumando e gostando. Na verdade é pela estranheza que a série ganha muitos pontos, pois na época em que foi lançada foi pioneira por mostrar cliffhangers, ter um elenco grande e misturar gêneros. O surrealismo foi uma ótima forma de trazer isso ao público e inovar. É ainda uma bela mistura de policial, suspense, terror, drama familiar e humor. E mesmo tendo um final um tanto atropelado por causa do cancelamento precoce, vale muito a pena assistir. O fato de que cada episódio corresponde a um dia permite ao telespectador um acompanhamento pleno sobre o desenrolar da investigação e da trama em si.

Por ser uma série relativamente curta e com muitos personagens e plots não vou falar muito sobre o enredo além do que já falei. Mas posso dizer que foi uma experiência bem promissora, e apesar da trama perder um pouco da motivação quando o assassino é revelado (plot que os produtores precisaram antecipar por pressão da emissora) teve um final bem intrigante. E os momentos de humor são tão engraçados quanto os de terror são assustadores. Bem, não posso dizer quem é Bob, mas ele me deixou com tanto medo que tive pesadelos.

Realmente não devo entrar em detalhes sobre os personagens, tira a graça de conhecê-los por si mesmos. Mas preciso falar sobre Laura e Cooper. Laura é possivelmente a personagem mais intrigante que já vi. Repleta de nuances e aspectos, mostrando o tempo todo novas perspectivas sobre quem ela foi. Perturbada, assombrada, autodepreciativa, mas também doce e afável. Ela não era totalmente dona de suas vontades, e muitas das coisas que fez são de deixar qualquer um abismado mas é digna de empatia. Já Cooper é totalmente irreverente, com seus métodos nada ortodoxos e sonhos bizarros. Ele tem uma linha de pensamento bem diferente e que de início é até um pouco difícil de acompanhar, mas logo você começa a se perguntar como não pensou naquilo antes. Todavia, admito que minha personagem favorita é a jovem Audrey (Sherilyn Fenn). Que de início parece chatinha e mimada, mas logo se mostra forte e determinada e se torna uma peça fundamental.


Twin Peaks teve 30 episódios divididos em duas temporadas, exibidos originalmente entre 08 de Abril de 1990 e 10 de Junho de 1991 pelo canal americano ABC. Foi criada pelos famosos visionários David Lynch e Mark Frost, que também produziram o filme Twin Peaks: The Fire Walk with Me que mostra os últimos dias da vida de Laura. Teve também o livro O Diário Secreto de Laura Palmer, escrito por Jennifer Lynch, filha de David. Que pretendo ler, mesmo sendo difícil de achar, pois Laura é uma personagem absurdamente complexa da qual sempre se quer saber mais.

Como mencionei no início, Twin Peaks ganhará continuação. Será uma limited series de 9 episódios transmitida pela Showtime em meados de 2016, com produção e roteiros dos próprios Lynch e Frost. O motivo da data, 25 anos depois do termino da série original, é cumprir algo que foi dito no último episódio a fim de manter a fidelidade da mitologia para a continuação. Além disso, Frost está trabalhando no romance intitulado A Vida Secreta de Twin Peaks que contará o que aconteceu com os personagens durante essas duas décadas e meia, com lançamento previsto para o final de 2015. Eu não perderei nada disso e recomendo a todos.

8 comentários:

  1. Nunca tinha ouvido falar na série, mas já me interessei bastante.
    A premissa da série parece ser bem bacana. Gosto de coisas peculiares, acho que irei me dar bem com Twin Peaks.
    Não sabia que ela tinha sido uma das pioneiras a usar os cliffhangers (que é uma parada que curto demais).


    www.booksever.com.br

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  2. Oi Gabi,
    Sabe q eu fico protelando Twin Peaks pelo mesmo motivo? E como n consigo me manter em dia nem com as séries que assisto, analiso mto antes de começar uma nova.
    Nao sabia q Twin Peaks iria ganhar uma continuação, e o que me chamou atenção foi a questão de manter a fidelidade da mitologia. Fiquei curioso rsrs
    Abraço,
    Alê
    www.alemdacontracapa.blogspot.com

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  3. Francielle Couto Santos20 de janeiro de 2015 09:33

    Gabi, ando muito seleta quanto as séries... ultimamente tá complicado me manter em dia com as que acompanho, imagina acrescentar mais na lista? Mesmo assim achei a proposta interessante, embora eu sinta certa resistência por conta do gênero surrealista. Mesmo curtindo a temática, ando buscando séries mais dramática (hahahah). Enfim... achei bem interessante essa história de continuação, viu!? Fiquei intrigada e até curiosa...

    Abraços,
    http://universoliterario.blogspot.com.br/

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  4. GabrielaCeruttiZimmermann22 de janeiro de 2015 17:57

    É excencial conhecer Twin Peaks pelo menos de nome, Filipe. Sério, já que abriu portas pras séries que conhecemos hoje existirem. Ela foi A pioneira dos cliffhanger justamente por abandonar o formato procedural. E pra que curte sobrenatural, que eu sei que você gosta, é imperdível.


    Abraço!

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  5. GabrielaCeruttiZimmermann22 de janeiro de 2015 18:08

    Compreendo perfeitamente, Alê. Na verdade se não fosse o anúncio da continuação é provável que eu continuaria enrolando pra sempre. Mas fico feliz de não ter deixado pra ver mais próximo ao retorno, já que o Netflix tirou do catalogo. [rs]
    E sobre a fidelidade da mitologia, é por algo mencionado no último episódio que não citei por causa do spoiler. Spoiler que eu peguei. :/ [rs]


    Abraço!

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  6. GabrielaCeruttiZimmermann22 de janeiro de 2015 18:18

    Te entendo, Fran. Mas simplesmente não sei não colocar mais séries na lista. [rs] Sei que você não gosta muito do surreal, mas isso é mais nos sonhos. O resto é só sobrenatural, que sei que não te incomoda tanto. Foi a forma que acharam na época de fazer críticas sociais e tratar de assuntos tabus, ficou bem interessante. E quero logo essa continuação! kkkk


    Abraços!

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  7. Hey Gabi, tudo bem?

    Eu gosto de series estranhas, de coisas estranhas, falou estranho eu quero saber mais HAHAHAHAHA
    Porem dessa vez eu não me senti cativada a colocar na lista, o que você já deve ter notado pelos meus comentários em outros posts de seriado aqui que é raro... Mas quem sabe em outro momento, não direi que nunca vou assistir.

    Beijos
    www.pepperlipstick.com

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  8. GabrielaCeruttiZimmermann25 de janeiro de 2015 17:46

    Também tenho uma preferência por coisas estranhas, Bia. Bom, como não sei o por quê de você não se sentir cativada não tenho como argumentar, mas entendo. Mas se tiver oportunidade, dê uma chance sim. :)


    Beijos!

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