Autora:
J K Rowling
Edição:
1/2012
Editora:
Nova Fronteira
Páginas:
504
Sinopse:
Quando
Barry FairBrother morre inesperadamente aos quarenta e poucos anos, a
pequena
cidade
de Pagford fica em estado de choque.
A
aparência idílica do vilarejo, com uma praça de paralelepípedos e
uma antiga abadia, esconde uma guerra.
Ricos
em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais,
esposas em guerra com os maridos, professores em guerra com os
alunos… Pagford não é o que parece ser à primeira vista.
A vaga deixada por Barry no conselho da paróquia logo se torna o catalisador para a maior guerra já vivida pelo vilarejo. Quem triunfará em uma eleição repleta de paixão, ambivalência e revelações inesperadas? Com muito humor negro, instigante e constantemente surpreendente, Morte Súbita é o primeiro livro para adultos de J.K. Rowling, autora de mais de 450 milhões de exemplares vendidos.
A vaga deixada por Barry no conselho da paróquia logo se torna o catalisador para a maior guerra já vivida pelo vilarejo. Quem triunfará em uma eleição repleta de paixão, ambivalência e revelações inesperadas? Com muito humor negro, instigante e constantemente surpreendente, Morte Súbita é o primeiro livro para adultos de J.K. Rowling, autora de mais de 450 milhões de exemplares vendidos.
Comentários:
Depois de
uma mega maratona de Harry Potter, estava determinada e ler Morte
Súbita o quanto antes para ficar logo em dia com as obras de J K
Rowling. Sabia desde o princípio que a narrativa pautada nada tinha
a ver com sua saga de estreia que virou sucesso mundial e das
opiniões divergentes que ela causou. Mas esperava ter uma boa
leitura devido a qualidade do trabalho da autora, e no entanto não
foi bem o que aconteceu.
Morte
Súbita é o primeiro romance para adultos de Rowling, com uma
história bem cotidiana e nada fantasiosa. O enredo se passa no na
vila de Pagford, um distrito pertencente à cidade britânica de
Yarvil. Distrito e cidade tem um conflito de décadas por causa de
Fields, um bairro suburbano situado na divisa e pelo qual ninguém
quer se responsabilizar. O enredo começa quando Barry Fairbrother,
um conselheiro distrital de Pagford, tem um aneurisma que causa sua
morte súbita. Isso faz com que surja uma vacância, uma vaga no
concelho. E dependendo de quem tomar essa vaga, significa que Pagford
se livrará ou estará atada para sempre à Fields.
A morte
de Barry meche com todos. Os que o amavam por terem perdido alguém
querido e querem dar continuidade ao seus projetos, e os que o
odiavam por verem uma oportunidade única de passar Fields para os
domínios de Yarvil. E com as eleições para decidir quem tomará a
cadeira de Barry no conselho vem a revelação de segredos que
estavam muito bem guardados e que ameaçam a estrutura dessa
sociedade tão frágil.
A
premissa assim parece interessante, e realmente é. O problema
principal são os personagens, mesquinhos e pouco carismáticos. Tem
uns quinze personagens e só simpatizei com três: Tessa, a
orientadora da escola e esposa do melhor amigo de Barry, Colin. Kay,
nova assistente social de Pagford que pretende lutar pelos moradores
de Fields e namorada de outro amigo de Barry, Gavin. E Sukhvinder, a
filha do meio do casal de paquistaneses Parminder e Vinkram, dois dos
principais médicos de Pagford. Alguns como os jovens Krystal e
Andrew me despertaram algo próximo de uma empatia, mas alguns atos
deles me impediram de realmente apreciá-los. Claro que todos crescem
continuamente com o decorrer da narrativa, e embora eu até tenha
admirado uns atos finais de outros personagens, não pude deixar de
considerar a frieza e mesquinhez deles.
Outra
coisa que me incomodou um pouco foi o grande uso de palavrões. Está
certo que por ser uma temática adulta a autora tenha uma certa
liberdade para usá-los e concordo que até dão um realismo a mais,
principalmente nos momentos de conflito. Mas quando fazem parte da
narrativa, ainda mais quando feita na terceira pessoa, e não só dos
diálogos se torna algo um tanto desnecessário e até ofensivo. Não
que a narrativa do livro não seja boa, é ótima. Além de uma
verdadeira prova da versatilidade de Rowling, mas realmente acho que
ela pecou um pouco em alguns aspectos. Não sei se ela queria muito
provar que podia fazer algo totalmente diferente de Harry Potter, mas
ficou um pouco exagerado.
Um ponto
positivo é que o livro tem vários personagens, de diferentes
classes sociais e com diferentes experiências e opiniões sobre a
vida como um todo. E dividir a narrativa entre eles faz o leitor ter
diversos pontos de vista, conhecendo bem o convívio naquela vila
como o de sua própria cidade. Nos levando a pensar como a hipocrisia
e o preconceito complicam a evolução da sociedade como um todo. E
embora a leitura seja meio lenta na primeira metade, a revelação de
segredos e fatos passados faz a leitura da segunda metade fluir
melhor.
Não amei
Morte Súbita, mas também não me arrependo de ter lido.
Apesar dos pontos negativos o livro tem muitos momentos que nos faz
refletir sobre a sociedade e até a vida em família. Usando temas
que são uma verdadeira ameaça para ambos como as drogas, política
retrógrada, o ato de ignorar situações erradas e até o velho e
simples egoísmo. É tudo parte de um grande ciclo vicioso, enquanto
as pessoas não puderem se apoiar e ajudar suas próprias famílias
não poderão fazer o mesmo pela sociedade. E o contrário também
acontece.
O final
do livro foi bastante chocante, aconteceram coisas que eu realmente
não imaginei que aconteceriam. E funcionou bem. Ficou meio em aberto
mas não do tipo que deixa brecha para uma continuação, e sim para
imaginar o que acontecerá a partir daquelas circunstâncias. E
apesar dos fatos tristes, fiquei feliz por alguns personagens
finalmente tomarem jeito. Pelo menos aparentemente.
Então se
você quer um livro para refletir, talvez seja uma escolha. Mas não
espere nada arrebatador e empolgante. Morte Súbita não é um
livro da autora de Harry Potter, mas da versátil e brilhante J K
Rowling.
Uma vez, já há um certo tempo, Parminder contou a Barry a história de Bhai Kanhaiya, o herói sique que cuidava das necessidades dos feridos em combate, fossem eles amigos ou inimigos. Quando lhe perguntaram por que ele ajudava a todos indiscriminadamente, Bhai Kanhaiya respondeu que a luz de Deus brilha em todas as almas e que, por isso, ele não podia fazer distinção entre os homens. A luz de Deus brilha em todas as almas.
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