Título:
Dewey
Autoras:
Vicki Myron, Bret Witter
Edição:
1/2008
Editora:
Editora Globo
Páginas:
272
Sinopse:
A
rotina da pacata cidade de Spencer, Iowa, Estados Unidos, se
transforma após Dewey, um gato, ser encontrado na Biblioteca
Pública. A diretora da Biblioteca, que achou o gatinho na caixa de
devolução, resolve contar a história e lança o livro, Dewey, um
gato entre livros. O livro escrito por Vicki Myron, com colaboração
de Bret Witter é a história real de um gato que fez da biblioteca -
e da cidade de Spencer- sua casa e de seus habitantes, os melhores
amigos.
Comentários:
Não é
nenhum segredo que amo livros sobre animais. Cachorro, gato, cavalo,
elefante, hamster... Se tem bicho na história, eu estou dentro. Pois
essas histórias fazem você rir, chorar e pensar. Principalmente
quando se trata de relatos reais. São história de um amor puro, que
nada pede em troca. E foi exatamente isso que encontrei em Dewey –
Um Gato Entre Livros, livro que ganhei de minha madrinha.
No dia 18
de Janeiro de 1988, um típico dia de inverno rigoroso, a
bibliotecária Vicki e outra funcionária da Biblioteca Municipal de
Spencer (uma cidadezinha no interior de Iowa) tiveram uma grande
surpresa ao verificar a caixa de coleta. Onde só deveria haver
livros devolvidos após o expediente (mas onde já estavam
acostumadas a encontrar lixo e outras coisas que Vicki preferiu não
descrever), encontraram um pobre filhotinho de gato. Magro, sujo e
com as patinhas machucadas pelo frio, as duas não viram outra
alternativa se não acolhê-lo.
Logo
apresentaram o gatinho aos demais funcionários que foram chegando e
alguns usuários de confiança. Vicki podia ser presidente da
biblioteca, mas precisava da autorização do conselho municipal para
manter o gato ali. Mesmo não usando recursos públicos para as
despesas dele. Sabia que outro obstáculo a enfrentar seria as mães
temendo que os filhos tivessem crises alérgicas, então contratou
dois médicos alergistas para uma inspeção e o veredicto foi de que
o local era grande e ventilado o suficiente para evitar isso. Mas
apesar dessas liberações “oficiais” e da empolgação dos
usuários mais fiéis, houveram muitas reclamações.
É
incrível como algumas pessoas reclamam só pelo prazer de...
Reclamar. Vicki recebeu muitas cartas com críticas e ameaças,
embora nunca concretizadas. Mas o amor por Dewey (assim batizado em
homenagem ao Sistema Decimal de Dewey) era muito maior. E a verdade é
que o número de frequentadores da biblioteca aumentou, pois Dewey
fez o ambiente ficar mais aconchegante e receptivo. Segundo Vicki,
ele adorava receber o público e ficar circulando em busca de um colo
pra tirar uma soneca.
As
travessuras e brincadeiras de Dewey são bem divertidas de se ler.
Ele era um gato bem sapeca. Mas o surpreendente foi como a história
dele repercutiu na época e atraiu para a biblioteca visitantes de
diversas partes dos Estados Unidos. E até uma rede de TV japonesa
foi fazer imagens para um documentário sobre gatos. Além disso, a
região passava por uma crise econômica na época. Situações
difíceis podem fazer com que os pensamentos ruins sejam os únicos.
Mas comentar sobre aquele gato levantava os ânimos. Dewey reuniu a
população e as famílias.
Se você
já leu alguma biografia de um animal, sabe que o autor tende a
alternar com sua própria história. Isso nos possibilita ver melhor
o bem que o animal fez aquela pessoa. E a vida de Vicki é bem
emocionante. Nasceu e cresceu em um distrito rural que deixou de
existir por causa dos cortes de gatos do Governo, teve problemas com
o marido alcoólatra, criou sozinha sua filha Jodi enquanto fazia
faculdade, teve inúmeros problemas de saúde causados por erro
médico durante o parto de Jodi... Vicki sempre deu a volta por cima,
e ainda assim não conseguiu evitar problemas com a adolescência da
filha. As duas já não se falavam quando Dewey chegou, mas aquele
gatinho malandro conseguiu reaproximar as duas. E sempre fazia Vicki
rir quando precisava de um consolo.
Apesar de
ter gostado muito do livro, me incomodei um pouco no início. Estou
acostumada com introduções que já falam sobre o bichinho ou sobre
uma experiência anterior do autor com animais. Mas Vicki começou
falando sobre Spencer e o interior de Iowa. Isso me irritou um
bocado. Todavia, logo que começaram os relatos sobre o dia em que
Dewey foi encontrado já comecei a me empolgar com o livro. E no
decorrer da leitura tais explicações sobre a região fizeram-se
justificáveis.
Dewey
Readmore Books viveu por 19 anos, e durante esse tempo serviu à
Biblioteca Municipal de Spencer. Aliviando o stress dos funcionários,
alegrando o público e acima de tudo, sendo um amigo fiel para Vicki.
Uma história bonita de amor e superação que me deixou com um
vontade de ler mais, e ainda bem que Vicki escreveu mais um livro
chamado As Nove Vidas de Dewey. Espero conseguir logo.