The Godfather Theme Song
Primeira vez que escrevo nessa coluna sobre uma série cinematográfica, uma trilogia pra ser mais precisa. E o que poderia ser melhor pra marcar essa estreia do que o melhor filme sobre gângster e o segundo melhor da história do cinema americano? Pouquíssimos seriam tão bons quanto. Mas a verdade é que além de estar mais do que na hora de falar sobre filmes aqui, estava na hora de eu ver O Poderoso Chefão.
Talvez
não tenha sido bem uma maratona. Vi os dois primeiros filmes numa
mesma semana em Novembro, e o terceiro no final de Fevereiro. Mas se
comparar com o tempo original de lançamento (dezesseis anos separam
o segundo do terceiro filme), foi de fato um atrás do outro. Também
custei um pouco pra ver o último filme porque não queria acabar. Na
verdade, tinha um pouco de medo do que me aguardava no final. Mas
criei coragem e vi.
Pra
continuar falando a verdade, por ser descendente de italianos sempre
tive um grande interesse por história de máfia. Em especial O
Poderoso Chefão (ou The Godfather, como tenho preferido
chamar ultimamente). E a Famiglia Corleone não me decepcionou nem um
pouco. É fácil entender porque os filmes são tão aclamados até
hoje. E o elenco repleto de grandes talentos conhecidos por todos,
embora tenha sido a primeira vez que pude apreciar um trabalho de
Marlon Brando, algo dirigido por Francis Ford Coppola e o segundo de
Al Pacino.
O
patriarca dessa família é Vito Andolini (Brando), que ainda menino
foi obrigado a migrar sozinho da Sicília para Nova York onde virou
Vito Corleone. Lá ele cresceu, construiu família e máfia. Teve
quatro filhos: Sonny (James Caan), Fredo (John Cazale), Connie (Talia
Shire) e Michael (Pacino). E ainda o filho adotivo Tom Hagen (Robert
Duvall), que atua como advogado e consigliere da Famiglia Corleone.
Apenas Michael não deveria seguir o ramo da máfia, sendo apenas um
civil. Mas nem tudo sai como planejado.
No
primeiro filme (1945-1955) o foco é em como Michael que sempre foi
um cidadão exemplar e até herói da II Guerra muda de rumo até de
opinião sobre os negócios do pai. Ele até assume o posto de novo
Don Corleone com a intenção de legitimar os negócios da família,
em parte para tranquilizar sua esposa Kay (Diane Keaton) e em parte
porque ele mesmo acreditava nisso. Mas nem tudo é tão simples, e no
segundo filme (1955-1959) Michael continua na ilegalidade e precisa
até responder a um inquérito judicial. Em paralelo a isso vemos a
saga do jovem Vito, que nessa fase foi interpretado por Robert De
Niro. Já no terceiro filme (1979) vemos um Michael grisalho que
enfrenta vários dilemas com a família e os negócios, e começa a
encaminhar seu sobrinho Vinnie (Andy Garcia), filho ilegítimo de
Sonny, para os negócios.
Os
primeiros filmes tiveram lançamentos razoavelmente próximos pra
época. A Parte I foi lançada em 1972 e a Parte II em
1974. Mas a Parte III só foi lançada em 1990. No entanto,
não há falhas de continuidade e nem queda de qualidade. Os três
filmes são de igual excelência e totalmente surpreendentes. Mesmo
os filmes sendo longos, com cerca de 3hrs de duração, eu me via
querendo mais. Enredo e personagens são maravilhosamente construídos
enquanto as cenas de ação fazem você vidrar na tela. Os
personagens são algo sem igual. Apesar de viver do crime, há alguns
escrúpulos. Limites que não ultrapassam. E zelam pelos seus entes
queridos.
Vou dizer
porque passei a preferir o título The Godfather a O
Poderoso Chefão. Embora os Dons sejam os chefões (os poderosos
chefões) da máfia, as pessoas iam procurar seus padrinhos. Pedir
favores aos seus padrinhos. Então mesmo que O Poderoso Chefão
não seja uma um titulo totalmente errado, não segue tanto a
etimologia quanto “O Padrinho”. Mas coloquei The Godfather
no título pra diferenciar, pois pretendo ler os livros de Mario
Puzo. E quando isso acontecer teremos outro post aqui, e esse será
com o título em português. ;)
The
Godfather é uma boa pedida pra quem procura uma trama
inteligente e bem montada. Um clássico cheio de feras do cinema que
sempre dão o melhor de si. Você vai se surpreender a cada cena e
passar dias pensando no que viu. E talvez fique com um certo receio
de laranjas. Porque se nos contos de fadas as maçãs são perigosas,
em The Godfather as laranjas são ainda mais terríveis.