Título:
Filhos
do Paraíso
Título
original:
Bacheha-Ye
aseman
Ano:
1997
Elenco:
Bahare
Seddiqi, Fereshte Sarabandi, Karnal Mirkarimi, Amir
Farrokh Hashemian, Mohammad Amir Naji
Direção:
Majid
Majidi
Roteiro:
Majid
Majidi, Parviz Malekzaade
Produção:
Seyyed
Saeed Seyedzadeh
Trilha
Sonora:
Kayvan
Jahanshahi
Gênero:
Comédia, Drama
Tempo:
89min
Censura:
Livre
País:
Irã
Sinopse:
O
menino Ali (Amir
Farrokh Hashemian)
leva os sapatos da irmã Zahra (Bahare
Seddiqi)
para consertar e, na volta, os perde. Era o único par de sapatos de
Zahra e ela não tem outro para usar na escola. As duas crianças são
de uma família pobre, eles temem contar aos pais e decidem resolver
o problema sozinhos. Ali encontra uma solução: como ele estuda à
tarde e ela estuda de manhã, eles revezam os sapatos, ao mesmo tempo
em que o menino procura meios de conseguir algum dinheiro ou novos
sapatos. A situação mostra a confiança mútua e o carinho entre as
duas crianças, numa história simpática e sensível.
O
filme utiliza uma linguagem mais próxima à ocidental que outros
trabalhos iranianos famosos. Indicado ao Oscar de melhor filme
estrangeiro.
✖✖✖
Uma coisa
com que realmente não brinco é quando digo que gosto de variar. E
ainda cumprindo minha promessa de trazer obras bem distintas e não
muito populares, eis aqui um filme iraniano. Descobri esse através
do Netflix
(#ficadica), mas também pode ser encontrado em DVD e na web.
Sabe
aquele filme que de tão simples chega a ser encantador? Esse é o
caso de Filhos do Paraíso, uma história delicada e sútil
mas que nos faz pensar no quanto reclamamos à toa. A trama gira em
torno dos irmãos Ali (Amir
Farrokh Hashemian)
e Zahra (Bahare
Seddiqi),
vindos de uma família bem humilde em que a mãe está seriamente
doente e o pai os sustenta com os bicos que faz como jardineiro.
Ali é
encarregado de levar os sapatos de Zahra para o conserto. Na volta,
para no mercado para fazer compras pra sua mãe e esconde os sapatos
de Zahra no lado de fora. Mas na hora de sair, os sapatos sumiram. O
menino entra em desespero pois sabe que o pai não tem dinheiro para
comprar um novo par para a irmã, então encontra uma solução
simples: Como Zahra vai para a aula de manhã e Ali à tarde, ela vai
com os tênis dele e na volta os entrega para o irmão. Isso até
reencontrarem os sapatos de Zahra ou até que Ali consiga um novo par
para ela.
Claro que
eles enfrentam diversas dificuldades com isso e inclusive quando
reencontram os sapatos de Zahra, mas não vou contar porque. O que me
chamou atenção (além de duas crianças tão pequenas atuando tão
bem) foi o fato de que em momento nenhum Ali fica com medo de levar
bronca, apenas não quer que o pai se sinta mal com o fato de não
poder comprar sapatos novos para a irmã. Até explica isso pra ela
com muita paciência. E apesar de terem uma vida tão difícil, ou
talvez até por isso, Ali e Zahra são daquele tipo de criança que
consegue aproveitar a felicidade vinda das pequenas coisas e momentos
simples. Impossível não se apegar a esses dois.
Sei que
muita gente anda cansada dessas histórias de Oriente Médio e tudo
mais, eu mesma faço parte desse grupo. Mas o que cansou são as
inúmeras histórias sobre a guerra, sempre vangloriando os
americanos. Por se tratar de uma produção iraniana que mostra o
cotidiano de um povo tão sofrido e gente de bem, é um diferencial
mais que bem vindo. Só ouvimos falar de guerra, e esquecemos das
inúmeras famílias que existem por lá e só querem seguir suas
vidas.
Trailer