Sei que
critiquei bastante True Detective no post de primeiras
impressões, e confesso que por um bom tempo pensei que seria difícil
escrever um balanço de temporada sem que ficasse quase idêntico
aquele. Mas acabei me surpreendendo positivamente e até gostando,
embora esteja bem longe de se tornar uma das minhas favoritas e
algumas das primeiras impressões ainda persistam.
Já
confessei meu problema com séries da HBO, então apesar das
cenas fortes e impactantes tudo é meio lento e acaba soando um tanto
maçante pra mim. Então sim, mesmo que lá pelo 3º episódio as
investigações feitas por Rust e Marty no passado assim como o
inquérito ao qual respondiam no presente ficassem cada vez mais
instigantes, não pude deixar de me sentir um tanto entediada e até
perdida. Cenas longas, diálogos parados... Isso me cansa.
Uma das
coisas que me manteve assistindo foi realmente o caso. Cada pista
colhida sobre os assassinatos das jovens que logo foram conectados ao
desaparecimento de crianças causava uma curiosidade a parte. Tentar
descobrir quem era o sequestrador/estuprador/assassino ritualístico
e ao mesmo tempo entender seus métodos e prever seus próximos
passos por vezes parecia um labirinto sem saída. Mas eis que existe
Rust Cohle para conectar as peças mais improváveis e chegar às
verdadeiras respostas.
Rust se
mostrou um dos melhores detetives que já vi na ficção. Não sei se
ele é mais fascinante investigando ou conseguindo uma confissão. Só
quem assistiu viu o quanto era peculiar o seu modo de persuadir um
criminoso a confessar os seus crimes. Fiquei de queixo caído a cada
confissão conseguida. Em alguns casos até fez os bandidos chorarem.
E não ficaria surpresa se Matthew McConaughey, que recentemente
ganhou o Oscar de Melhor Ator por Clube de Compras de Dallas,
ganhasse o Emmy em Setembro. Marty não conquistou tanto minha
simpatia. Algumas partes, principalmente sua hipocrisia, me irritaram
bastante. Mas não nego o brilhantismo da atuação de Woody
Harrelson.
O final
ótimo. A conclusão do caso foi arrebatadora e o encerramento dado
aos personagens foi gratificante. Durante toda a temporada tivemos
belas mensagens através das conversas entre Rust e Marty, mas o
final foi realmente magnífico. De fazer pensar no que o ser humano é
capaz, tanto para o bem quanto para o mal. Então você pode ser como
Marty, e acreditar que a escuridão está vencendo por estar em maior
número. Ou como Rust, e acreditar que a luz está vencendo pois um
dia ela sequer existiu.
Infelizmente
Rust e Marty não estarão na próxima temporada, e isso me deixa com
algumas duvidas sobre assisti-la ou não. Do que já foi divulgado
até agora, sabemos que a 2ª temporada terá duas mulheres como
detetives protagonistas e terá como tema a história oculta do
sistema de transporte dos Estados Unidos. Não sei se tenho interesse
por esse assunto, então realmente vou deixar pra decidir quando
escolherem o elenco.
Ao meu
ver, True Detective é uma série que teve uma 1ª temporada
brilhante mas que sempre dependerá da questão de quem integrará o
novo elenco. Por causa disso não costumo acompanhar séries com esse
formato. Gosto de ter um elenco fixo ao qual me agarrar e sofrer.
[Risos] Mas pra toda regra há uma exceção, e que sabe a minha não
seja True Detective?