O futuro
depende de escolhas.
Da série
só entrou pra lista porque tem alguém de Lost,
chegou a hora de conferir a estreia de The 100. Confesso que
depois de tantas decepções com a CW naturalmente já torço
o nariz para as produções do canal e até cheguei a boicotá-las
por um tempo. Mas quando soube que The 100 teria no elenco
nomes tão queridos algum crédito precisava ser dado. E sim, foi uma
ótima surpresa.
As
distopias tem dominado a literatura juvenil e aos poucos vem migrando
para cinema e TV. A exemplo das obras distópicas cinematográficas
(e diferente da TV, já que Revolution é uma obra original),
The 100 é adaptado do livro homônimo de Kass Morgan, que
será lançado aqui no Brasil no mês de Abril pela Editora Galera
Record. Então não poderei fazer comparações, mas já adianto
que fiquei com vontade de ler o livro.
Um
apocalipse Nuclear transformou a Terra em um planeta inabitável, e
os únicos sobreviventes foram aqueles que estavam nas doze estações
espaciais (quase como na animação WALL-E). Só
seria seguro voltar para a Terra depois de cem anos, mas noventa e
sete anos depois do desastre só sobrou a Estação Arca, e esta
apresenta problemas que devem diminuir ainda mais a expectativa de
vida de seus habitantes. O crescimento populacional fez com que o
Chanceler Jaha (Isaiah Washington) precisasse tomar algumas medidas
drásticas, como condenar à morte os maiores de idade que cometessem
qualquer crime e colocar os delinquentes juvenis na solitária até
completarem dezoito anos e então serem executados. Apesar disso, o
posto de “grande ditador”, essencial em distopias, não pertence
a Jaha mas ao Concelheiro Kane (Henry Ian Cusick, o amado e eterno
“Brotha” Desmond de Lost), que já mostrou que não vai
deixar passar nenhuma oportunidade de tomar o posto de seu superior.
Uma das
decisões drásticas que Jaha precisou tomar foi mandar cem dos
delinquentes juvenis para a Terra para ver se é seguro voltar. Nossa
protagonista Clarke (Eliza Taylor-Cotter) está nesse grupo. Ela é
filha do engenheiro que descobriu a falha na estação, e seu crime
foi estar ciente disso. A mãe dela é Abigail (Paige Turco, a Zoe de
Person of Interest), médica e também Conselheira da Arca.
Sabe que o destino da filha pode ser fatal, mas ficar seria apenas um
caminho mais lento e doloroso para a morte.
Dentre os
jovens há alguns que se destacam. Como Wells (Eli Goree), filho do
Chanceler e amigo de Clarke que cometeu um crime quando descobriu que
a garota estaria na nave e queria ir com ela. Finn (Thomas McDonnel),
não sei o que ele fez, mas como é o típico bad boy dá pra
imaginar. Octavia (Marie Avgeropoulos), cujo o crime foi nascer, uma
vez que os casais só podiam ter um filho e seus pais já um quando
ela nasceu. Bellamy (Bob Morley), irmão de Octavia e um anarquista
que pretende fazer uma rebelião contra Jaha. Além de Jasper (Devon
Bostick) e Monty (Chris Larkin), os “nerds” da turma. Além lidar
com suas diferenças e uma natureza que só conheciam pelos livros,
esse jovens descobrem que não sozinhos. #Othersothersothers
Sim, tudo
isso e muito mais acontece no piloto. Isso pode significar duas
coisas: A) A série mostrou demais no piloto e não vai conseguir
manter o ritmo nos próximos doze episódios da temporada; ou B) The
100 vai surpreender cada vez mais e se tornará uma grande série.
Como ando muito boazinha ultimante e tem Henry Ian Cusick e Paige
Turco no elenco, vou torcer pela segunda opção. Digo torcer mesmo,
pois acreditar é pedir demais pra mim.
Enfim,
sobre as características da série. Gostei do contraste de ambientes
entre a floresta onde os jovens estão e a Arca, principalmente
porque os cenários foram bem planejados. Os efeitos são bons, com
exceção do cervo de duas faces que apesar de chocar não me pareceu
tão realista. Mas a mata brilhando no meio da madrugada é
maravilhosa. Realmente bonita de se ver.
Os
personagens parecem bem construídos a uma primeira vista. Posso
dizer que gostei de Clarke, é uma moça corajosa, que sabe o que
precisa ser feito e não chora sem necessidade. Gostei também da mãe
dela, Abigail. Claro que gostar da atriz já é meio caminho andado,
mas uma mulher que perdeu o marido, corre risco de perder a única
filha e vive em conflito com Kane enquanto faz o possível e o
impossível pela sobrevivência conquista qualquer um. Wells é
aquele garoto que por medo de errar acaba metendo os pés pelas mãos,
e com medo de decepcionar o pai acabou traindo a melhor amiga. Já
Kane é fonte de ódio puro. Amo Desmond eternamente, mas como fã de
Cusick é bom vê-lo explorando seu talento como um grande vilão
(mesmo já o tendo visto como terrorista em Hawaii Five-0).
Kane é aquele cara que alega prezar pelo bem maior enquanto comete
as maiores atrocidades. Acho que vou amar odiá-lo.
Bom,
apesar de meus traumas com a CW realmente gostei de The 100
e espero que dê certo. A estreia teve a melhor audiência do canal,
mas sabemos que uma grande estreia não significa muita coisa. O
progresso nas próximas semanas é que trará o veredicto. Por hora
apenas continuo acompanhando.