Título:
Psicose (Limited Edition)
Autor:
Robert Bloch
Edição:
1/2013
Editora:
DarkSide Books
Páginas:
256
Sinopse:
Livro
que deu origem ao mais famoso filme de suspense de todos os tempos.
Psicose conta a história de Marion Crane, que foge após roubar o
dinheiro que foi confiado a ela depositar num banco. Ela então vai
parar no Bates Motel, cujo proprietário é Norman Bates, um homem
atormentado por sua mãe controladora. Belo suspense, de tirar o
fôlego!
Comentários:
Pra
começar sendo sincera, nunca gostei de histórias de terror. Sou do
tipo de pessoa que detesta sentir medo, odeio a adrenalina que o medo
causa. Simplesmente não combina com a minha asma. Com isso, passei
anos sem sequer cogitar a hipótese de ver ou ler Psicose. Mas
de uns tempos pra cá passei a perceber que adoro thrillers
psicológicos, e é exatamente aí que essa obra se encaixa. Embora
admito que o que mais me impulsionou a ler o livro foi a série Bates
Motel.
Norman
Bates é um quarentão solteiro e esquisito que mora com sua mãe
Norma, com quem tem uma relação bastante doentia. Os dois dirigem
um velho motel na beira da antiga rodovia de Fairville que leva o
nome da família, o Bates Motel. Tudo corria normalmente (ou pelo
menos o mais próximo do normal que a vida de Norman pudesse ir) até
que a jovem Mary, uma mulher que acabar de roubar quarenta e quatro
mil dólares do chefe, pega a estrada errada e acaba se hospedando no
motel. Esse é o primeiro acontecimento de uma semana que mudaria
drasticamente a vida de Norman, da irmã e do noivo de Mary, Lila e
Sam.
É
praticamente impossível falar do enredo sem soltar spoilers, por
isso não o farei. Antes de ler o livro acabei descobrindo uma
peça-chave muito importante da história ao ler uma matéria sobre a
série, mas mesmo que não tivesse lido provavelmente acabaria
deduzindo por causa de um elemento demostrado na série. (Não se
preocupem, omiti a informação na descrição do enredo.) Ainda
assim, devo dizer que me surpreendi bastante com o desenrolar e
desfecho da trama. O livro tem um ritmo frenético e uma narração
tão viciante que eu virava página atrás de página em um desespero
sem tamanho pra saber como tudo acabava.
Psicose
pode ser um dos filmes de terror mais aclamados da história, mas
pelo menos o livro acho que está mais pro suspense. Daqueles
suspenses que não te deixam sossegar enquanto não chegar na última
página. E as questões psicológicas são bem abordadas, chegando a
ter uma explicação do distúrbio abordado no final. Por eu ter lido
a tal matéria e assistir a série sábia qual questão era, mas isso
não atrapalhou a leitura. Pelo contrário, por saber previamente do
que se tratava pude analisar os fatos por duas perspectivas. Como eu
não posso explicar, mas talvez você descubra se ler. Alias, creio
que uma boa sugestão seria ler duas vezes, uma pra ter a surpresa da
descoberta e outra pra analisar sobre uma nova perspectiva.
Apesar de
Psicose ter sido escrito em 1959, em momento algum a trama soa
datada. Na verdade parece até bastante contemporâneo, e apenas
algumas questões de comportamento fazem você perceber que se trata
de algumas décadas passadas. A linguagem é bem simples e de fácil
compreensão, fazendo com que você entenda na hora e faça só
poucas pequenas pausas pra se recuperar do choque. Se eu tivesse que
resumir em uma palavra, seria impressionante. O único erro que
encontrei diz respeito ao dinheiro que Mary roubou. No livro menciona
quarenta mil dólares, mas valor do imóvel que seu chefe estava
negociando era de trinta e seis mil mais oito mil em taxas.
Matemática básica: 36 + 8 = 44. Se o erro foi do autor, da tradução
pro português, dessa edição em específico ou apenas um
arredondamento eu não sei. Mas quatro mil dólares não me parece
uma quantidade que se arredonde simplesmente. De qualquer forma, não
atrapalha em nada a trama.
Queria
ter lido Psicose antes de ver Bates Motel, mas, como o
livro não tinha edições no Brasil desde 1964 e essa só saiu em
meados do ano passado, não deu. Por outro lado, gostei tanto da
série (que comecei a assistir apenas por causa do Nestor Carbonell e
por ter Carlton Cuse como produtor) que tive receio de começar a
odiá-la por ver diferenças demais. Só que comecei a gostar ainda
mais da série. Claro que há diferenças, mas elas se fazem
totalmente justificáveis visando a longevidade da produção. Bates
Motel é um prelúdio de Psicose, o que dá uma liberdade
a mais aos produtores e roteiristas. Na série, Norman é um jovem em
idade escolar interpretado por Freddie Highmore que começa a dar os
primeiros sinais de seus distúrbios. Aliás, eu já achava que
Freddie estava arrasando na atuação, mas ao ler o livro vi que não
podiam ter escolhido ninguém melhor para viver a adolescência de
Norman Bates. E alterações como o fato do pai de Norman ter morrido
ao invés de fugido e o acréscimo do irmão Dylan representaram ganhos
para a produção. Não farei mais comparações pra evitar spoilers
de original e adaptações, mas, se quiserem, posso tentar fazer um
post sobre isso.
Voltando
ao livro, atualmente no Brasil temos duas edições de Psicose
lançadas pela editora DarkSide Books: uma em brochura e uma
edição limitada em capa dura. Comprei a edição limitada na Black
Friday porque achei que merecia, e realmente foi uma ótima
aquisição. A editora fez um ótimo trabalho no designe do livro. A
diagramação é perfeita e as letras são grandes e confortáveis. O
interior é vermelho e contém fotos do filme. A capa além de
simples e bonita é emborrachada (com um toque aveludado) com o
título envernizado. É tão bom tocar na capa que simplesmente dá
vontade de ficar segurando o livro por segurar. [Risos] E vem junto
um marcador/placa de porta do Bates Motel escrito “Não
perturbe, estou lendo”. E plastificado! Se amei? Imagine!
Ainda não
vi o filme de Alfred Hitchcock, mas agora pretendo fazer isso o mais
breve possível. Soube que na época em que comprou os direitos de
Psicose, Hitchcock comprou todos os exemplares do livro
disponíveis para que o mínimo possível de pessoas soubesse o final
da história. Isso somado à declaração dele de que “o livro
de Robert Bloch é seu filme”, mas faz acreditar que seja uma
adaptação bem fiel. Mas isso ainda vou averiguar.