Há um
tempo tenho cogitado a possibilidade de escrever balanços de
temporada das novas séries, além das primeiras impressões que
vocês já vem acompanhando. Apenas tinha receio de não dispôr do
tempo necessário para escrevê-los. Contudo, resolvi arriscar. É
bem verdade que a primeira a chegar ao fim da temporada foi Atlantis,
mas falarei sobre ela em uma próxima oportunidade.
Sleepy
Hollow chegou sem fazer alarde, veio para surpreender e
conquistar. Se usou de conceitos e arquétipos que muitos já
consideravam esdrúxulos e repetitivos para construir um mundo novo.
A série trouxe o Cavaleiro Sem Cabeça do livro de Washington Irving
para os Estados Unidos da América na época da Guerra da
Independência, inserindo no contexto o apocalipse cristão e vários
aspectos de outras mitologias. Os personagens encantadores
completaram a receita para um grande sucesso.
A trama
te faz acreditar em coisas impossíveis, como um homem ressuscitar
após duzentos anos devido a um feitiço lançado por sua esposa ou
que o Presidente George Washington conhecia segredos sobre o
apocalipse. Impossível porém é não se apaixonar pela bravura e os
modos cordiais de Ichabod Crane, além de seus choques
culturais/temporais e a luta para salvar sua amada Katrina do
purgatório. Não compartilhar das dúvidas de Abbie Mills, uma
mulher valente que cometeu erros compreensíveis. Sentir compaixão
pelas dificuldades e dilemas enfrentados por Frank Irving, um homem
de gestos secos mas de bom coração. Ou se identificar com Jenny
Mills, uma mulher que ainda menina precisou enfrentar acusações e
abandonos e dali tirar forças para sobreviver.
O enredo
segue uma linha com base num jogo de caça-palavras, de
quebra-cabeças. Te leva por um caminho e o faz acreditar piamente
nele. Então você se distrai, acha que sabe o que vai acontecer, e
ele dá uma guinada e muda de direção. Te surpreendendo
completamente. E já que mencionei o fator surpresa, foi uma feliz
surpresa ver John Noble (um ator que admiro muito) fazer
participações e recentemente ser promovido ao elenco fixo. Fazendo
algo que eu já gostava ficar ainda mais atrativo.
Reconheço
que Sleepy Hollow possui seus pontos baixos, mas vem superando
bem os obstáculos. Sem mencionar que é intrigante a forma como
encerem personagens históricos na mitologia empregada. Um trabalho
notável. E ainda arranjam espaço para momentos e revelações
emocionantes. Concluo dizendo que a série me conquistou. E se me
perdoam o uso de um clichê, é de perder a cabeça.
Respeitosamente,
Gabriela Cerutti Zimmermann.
P.S.: Não
resisti a tentar escrever algo no moldes formais de Ichabod Crane.
Tentei, não quer dizer que consegui.