Eu sou daquele tipo de cara que não pode ver um seriado de mulherzinha que já se apega. Já tentei explicar essa minha queda através da trilha sonora, da beleza de todo elenco, do estilo de vida dos personagens que esse tipo de história sempre tem, mas o que me prende na verdade são as personalidades de cada personagem feminino existente nessas séries de menininha.
The Big C está longe de ser uma simples série de mulherzinha, muito menos uma série com um elenco dentro dos padrões de beleza impostos pela sociedade e menos ainda com personagens que são puro status, porém The Big C é uma série cheia de mulheres fortes, com personalidades envolventes e ideias fixas na cabeça que fazem delas grandes heroínas, dignas de orgulho.
Marlene,
viúva com Alzaihmer.
Devido sua forte personalidade, Marlene é vista por todos da
vizinhança como aquela velha carrancuda que sofre em silêncio e é
completamente excluída da comunidade. Com o passar dos episódios
aprendemos com ela que as pessoas são capazes de ir muito além do
que elas acreditam que conseguem e, apesar delas não demonstrarem
isso claramente, todos temos sentimentos de amor, carinho, afeto e
cuidado para com o próximo e as vezes e, por medo de ser machucado e
de sofrer, preferimos não mostrar nossas qualidades para o mundo.
Mas,
Marlene consegue ir contra todo esse medo e se arrisca por uma
amizade que, embora seja finita, ainda assim é digna de atenção.
Marlene nos mostra que é possível lutar e vencer todas as coisas
ruins que acontecem em nossas vidas e, mesmo quando todas as outras
pessoas parecem pensar o contrário, Marlene nos mostra que a escolha
de fazer o bem e ajudar o próximo e a si mesmo só depende de nós!
Andrea,
negra, obesa e adolescente.
A melhor e, com certeza, a pior época da minha vida foi a
adolescencia. Principalmente no colégio com aquela pressão de não
fazer nada errado pra não virar chacota entre os amigos, de ter que
conviver com diferente tipos de pessoas que nem sempre são legais
são uma das coisas que me faz ter arrepios dessa minha fase. Hoje
ainda trago comigo um pouco dessa preocupação de adolescente de
querer parecer cool
diante
dos outros e, confesso, que se não fosse pela Andrea essa minha
psicopatia poderia ser algo bem pior.
Andrea
tem o dom de nos ensinar a apertar o botão foda-se
que existe dentro de cada um de nós. Tem a habilidade de dizer o que
pensa sem se importar com a opinião alheia e meter um grande dedo do
meio na cara de quem tenta fazer com que ela se sinta mal. Mas não
pensem que Andrea não passa de uma arrogante recalcada que só por
que tá acima do peso acha que pode tratar todo mundo mal, não.
Andrea não é assim. Apesar da casca grossa e da brutalidade, Andrea
também me ensinou a ser humilde e a aceitar ajuda quando ela é bem
vida, me ensinou que na vida a gente não consegue nada sozinho e que
estar rodeado de amigos é importante para qualquer pessoa, mesmo que
sejam poucos.
Cathy,
diagnosticada com Melanoma maligno.
Dumbledore já dizia que, para os corajosos, a morte é apenas a
aventura seguinte e se tem uma coisa que Cathy é, é corajosa. E a
coragem dela vai além da sua luta contra o Câncer, a coragem dela
vai pelo fato dela não desistir de quem ela ama, pelo fato dela
mesmo estando no ápice do desespero conseguir se controlar e não
passar por cima de ninguém. Embora, tenho que admitir, a vida loka
tenha escolhido ela para aproveitar seus últimos momento, Cathy
nunca deixa de lado quem realmente importa e se vê obrigada a deixar
tudo certo para eles quando chegar a hora de partir.
Cathy
teve a oportunidade de viver como eu deveria viver, uma vida voltada
pro presente, pro agora. Uma vida sem arrependimentos e com algumas
consequências boas e ruins, por que faz parte. Cathy é um exemplo
de que o mundo tá girando cada vez mais rápido e se você parar pra
pensar demais acaba ficando pra trás e jogando fora um precioso
tempo que poderia ser melhor aproveitado fazendo aquilo que você
ama, aquilo que te faz bem. Ouso afirmar, inclusive que -enquanto eu
assistia a série- a Cathy foi em vários momentos o ACORDA,
MENINO!
da minha vida e espero que ela possa ser na sua também! (:
Este texto é a versão completa do que foi mostrado no Especialde Dia das Mulheres
que foi maravilhosamente escrito por Rodrigo Azevedo, Jack Fact.
Não pude deixar de postá-lo na integra. :)