De volta
velha forma.
Fazer o
balanço de uma série como Community não é nada fácil se
levar em conta que a série é várias em uma só. Os episódios
temáticos trazem à trama uma roupagem diferente a cada semana, e
com a volta de seu criador Dan Harmor a produção fez com que isso
voltasse a ser feito com brilhantismo, diferente do que ocorreu na
temporada anterior.
Uma boa
comédia nem sempre é aquela que te faz gargalhar até sentir dores,
mas a que te dá uma visão única sobre algo que não está certo.
Essa é a grande tacada de Community, com seus personagens
imperfeitos que aprendem com seus erros e nos divertem com as
mancadas ocorridas no processo. E nessa temporadas pudemos voltar a
ver nossos personagens crescerem com louvor, o que na minha opinião
foi o que mais fez falta na 4ª temporada.
Por falar
em personagens, tivemos duas grandes perdas. Pierce apesar de ser um
dos personagens mais chatos da história da TV tinha seus momentos e
fazia parte da mitologia da série, e a atuação de Chevy Chase
trazia a ele a chatice necessária. Ele que já estava ausente
desde o final da temporada anterior voltou apenas como “fantasma”
para dar um fim definitivo (ou não) ao personagem. Já Troy que era
um dos mais queridos do público e muito bem vívido por Donald
Glover partiu para atender as necessidades do ator e os últimos
desejos de Pierce. Partiu em um dos melhores episódios da temporada
e em um momento emocionante que levou lágrimas aos olhos dos clones
dos fãs. Ambos partiram para não mais voltar, mas quem sabe o que
Community reserva pro amanhã? Star-Burns é prova de que em
Community o inesperado acontece.
Em
compensação tivemos o acréscimo mais que bem vindo de Jonathan
Banks. Se em Breaking Bad ele era o bad ass Mike, o ranzinza Professor Hickey não fica pra trás em matéria de ser durão. E os
conflitos internos aos quais seus novos alunos o levam não tem
preço, principalmente quando se diz respeito a nova partida de
Dungeons & Dragons armada para tentar fazê-lo se entender
com o filho.
Dar mais
enfase aos professores foi um grande acerto, ainda mais agora que
Jeff é um deles. Mostrar mais do que apenas os estudantes ajudou no
objetivo que antes era dos fãs e nessa temporada virou lema dos
personagens: Save Greendale (Save Community). Foram
vários esforços e precisaram até embarcar numa louca caçada por
Russel Borchert, o fundador de Greendale, para cumprir essa missão.
Resta saber se nós fãs cumpriremos a nossa de realizar o desejo de
Abed: Six seasons and a movie!
Senti
falta das celebrações de datas festivas, mas desde que a série
passou a fazer parte de mid season isso deixou de fazer sentido. E
talvez até por isso os da temporada anterior tenham soado tão
forçados. Os episódios temáticos por outro lado voltaram a sua boa
velha forma. Quem além de Community para fazer uma distopia
com base num aplicativo de celular? E o que dizer do jogo de
lava-quente que serviu como despedida de Troy? Mais uma grande sátira
às produções policiais, e que mais uma vez deixou o bandido do
cofrinho escapar. Até uma homenagem à G.I. Joe, que
conseguiu agradar mesmo aqueles que assim como eu nunca assistiram o
desenho. Se continuar assim, os fãs cumprirão com muito gosto a sua
missão.