Título:
A Culpa é das Estrelas
Autor:
John Green
Edição:
1/2012
Editora:
Intrínseca
Páginas:
288
Sinopse:
A culpa é das estrelas narra o romance de dois adolescentes que se
conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com
Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a
uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e
Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a
perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo
senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer
- a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente
drena a vida das pessoas.
Inspirador,
corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra
mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a
tragédia que é viver e amar.
Comentários:
Queria
ler esse livro há bom tempo em parte porque quero ler cada frase
simplória e profunda escrita por John Green e em parte porque todos
que leem só tem elogios a dar. Mas ganhei da Marina em Março e só
congui ler agora (metade de Julho) porque... Bem, porque honestamente
tive medo do que sentiria lendo. Não sou uma manteiga derretida, mas
também estou longe da dureza de um diamante. Até que inspirada pela
bravura e emoções das minhas heroínas televisivas (Kate, Olivia,
Sydney, Kono, Scully...), resolvi respirar fundo e encarar o que quer
que A Culpa é das Estrelas estava guardando para mim.
O livro é
tão famoso e a recente adaptação para o cinema que foi sucesso de
bilheteria me faz preferir comentar minhas impressões do que o
enredo em si. Mesmo assim preciso dizer que a sinopse (e muitos
comentários) mal diz respeito sobre a introdução da história.
Hazel e Gus são sim dois adolescentes com câncer que se apaixonam,
mas A Culpa é das Estrelas está longe de ser apenas uma
história sobre pessoas com câncer ou um mero romance adolescente. É
uma história sobre a vida, seus inconvenientes e metáforas. Sobre
os efeitos colaterais de se estar morrendo. Não estamos todos nessa
afinal? Cada dia mais próximos de morrer?
É
incontestável a capacidade que John Green tem de usar as doses
certas de tudo em suas histórias. Tanto no desenvolver do enredo
quanto na criação dos personagens. É engraçado, leve, profundo,
fofo, emocionante, triste... Tudo na hora que tem que ser. Talvez
isso tenha contribuído para que eu me identificasse tanto com os
personagens. Em geral tendo a me identificar mais com coadjuvantes, e
embora tenha visto um pouco de mim na tendência de Isaac de dar mais
importância a coisas nem tão importantes assim, me vi mesmo em Gus
e Hazel.
Me
encontrei no incansável interesse por metáforas de Gus, que por
sinal é mesmo um garoto apaixonante. Bem como o fato de ser mais e
muito diferente do que mesmo as pessoas próximas tendem a enxergar.
Mas me vi mesmo em Hazel, na sua forma de pensar sobre si e sobre o
mundo. Em como mesmo aceitando sua situação e entendendo tudo em
que implicava não podia deixar de querer viver. Até no fato de
implicar com coisas corriqueiras. (Sim, eu lutaria pelos direitos dos
ovos mexidos.) Mas sobretudo no relacionamento com os pais. Me
emocionei muito com o livro, mas chorei mesmo em apenas uma e quase
em outra justamente em que Hazel falava com/sobre os pais. Vi meus
sentimentos ali. Não significa que não outras situações não
tenham me tocado profundamente, mas foram do tipo que me fazem chorar
por dentro.
Bom,
adorei também a incessante busca de Hazel e Gus por contato com o
escritor Peter Van Houten em prol de conseguir respostas para o final
do livro favorito deles. Mesmo que isso implicasse em uma viagem para
a Holanda. É o tipo de coisa que eu faria. Só não sei se
conseguiria levar tão na boa caso o resultado fosse o mesmo comigo.
Nessa busca, inclusive, foi onde encontrei uma citação que vejo
muitos fãs de John Green usarem a respeito de suas narrativas. Então
agora posso mesmo dizer que leria até a lista de compras de
supermercado dele.
Normalmente
é mais difícil escrever sobre algo que gostamos do que odiamos.
Mais difícil ainda é concluir o texto. E estou passando por isso
aqui. Só sei dizer que A Culpa é das Estrelas é um livro
lindo e que deve ser lido sem preconceitos. Não é uma história de
amor entre adolescentes que acham que seus problemas são maiores que
tudo. É a história de adolescentes que amadureceram cedo por conta
dos inconvenientes do Universo mas nem por isso deixam de querer
aproveitar o melhor da vida. Que queriam fazer o melhor com a vida
que lhes foi dada. Uma lição de que mesmo que o mundo não seja uma
máquina de realização de desejos, devemos viver o melhor de nossas
vidas hoje. Okay?