Olá, pessoal! Eu sou a Hanna, do blog Hanna no Sekai (que está engatinhando ainda... hihihi) e, a partir de hoje, serei colunista aqui no CV! Esta coluna, que ainda não tem nome, trará reviews e análises sobre assuntos diversos mas com foco maior em animações, quadrinhos e games. Apresentações feitas, vamos ao trabalho! :)
A Viagem de Chihiro (em inglês, "Spirited Away"; em japonês, "Sen to Chihiro no Kamikakushi") é uma animação japonesa produzida pelo Studio Ghibli - grande referência no mundo das animações - e com direção e roteiro de Hayao Miyazaki. Com estreia em 2001, levou em 2002 o Urso de Ouro no Festival de Berlim, os prêmios de Melhor Filme e Melhor Música no Japan Academy Award, e o prêmio de Melhor Filme Asiático no Hong Kong Film Awards. Em 2003, recebeu o Oscar de Melhor Animação. Com um orçamento inicial de U$19 milhões, teve uma receita de quase U$275 milhões, tornando-se o filme com melhor retorno financeiro na história do cinema japonês e detendo o record de bilheteria no país - que até então era do filme Titanic - até este ano, quando foi ultrapassado pela animação Frozen, da Disney.
Chihiro e Yubaba |
A trama gira em torno de Chihiro, uma garotinha de 10 anos que está mudando para uma cidade nova com seus pais. Em meio à viagem, eles encontram um vilarejo aparentemente abandonado, mas que parecia se preparar para um festival. Vendo toda aquela comida, os pais da garota resolvem fazer uma refeição e acabam sendo transformados em porcos (que, por sinal, é uma cena bem engraçada já que eles comiam como porcos...). Na busca por ajuda, Chihiro acaba entrando no mundo dos espíritos, controlado pela poderosa Yubaba. Sem conseguir ajuda e sem ter para onde ir, ela acaba indo trabalhar na sauna local onde, com a ajuda de seu novo amigo Sen, parte em busca de uma forma de salvar seus pais e voltar para o mundo normal.
Por essa trama ser incrivelmente bem escrita, bem roterizada e bem transportada para a animação, vou apenas dizer que, no fim, tudo dá certo. Mas vou parar o resumo por aqui para não tirar a emoção do desdobramento desses acontecimentos. ;)
Vou começar esta análise pelo título. Kamikakushi (presente no título original) é um folclore muito presente na cultura japonesa. Segundo ele, às vezes as pessoas desaparecem ou morrem de formas misteriosas e tais eventos seriam causados por Kami (o deus japonês), em momentos de ira. Essa lenda é tão forte por lá que, durante o período Pré-Moderno, eram comuns os casos de crianças que desapareciam e eram encontradas perto de templos ou santuários, vários dias depois, dizendo terem sido levadas por Kami. E é a isso que o título faz alusão: Sen e Chihiro foram levados ao mundo dos espíritos.
(Por sinal, já deixo aqui um aviso: Sen é meu personagem favorito e toda sua história é incrível! Mas, infelizmente, falar mais sobre ele poderia estragar completamente a experiência de quem ainda não viu esse filme. Por causa disso, daqui para frente, vou fingir que ele não existe.)
(Por sinal, já deixo aqui um aviso: Sen é meu personagem favorito e toda sua história é incrível! Mas, infelizmente, falar mais sobre ele poderia estragar completamente a experiência de quem ainda não viu esse filme. Por causa disso, daqui para frente, vou fingir que ele não existe.)
Chihiro e Sen |
Porém, a "viagem" não é apenas para o mundo dos espíritos, mas também para a vida adulta. O momento em que Yubaba rouba o nome de Chihiro e a obriga a trabalhar na sauna representa esse rompimento com a infância. Essa busca por uma nova identidade em um novo mundo pode ser comparada com a de Alice no País das Maravilhas, e é o que a antropologia chama de limiaridade: o ato de estar no limite ou entre dois estados diferentes de existência. Para Alice, era a fronteira entre o mundo real e o País das Maravilhas. Para Chihiro, entre seu mundo e o mundo dos espíritos.
Além dos temas folclóricos, a animação também faz algumas críticas à realidade da sociedade moderna japonesa. Dentre elas, vale citar a crise econômica, simbolizada pelo festival: quando Chihiro está em seu mundo, o que ela vê naquela cidade é praticamente o fantasma do que costumava ser o festival. Mas, quando ela vai para o mundo dos espíritos, festival ganha vida e riqueza, fazendo uma alusão a essa decadência econômica pela qual o país passava na época.
Chihiro e o Sem Rosto |
Outra crítica interessante é a representada pelo personagem sem rosto, uma figura tímida, sempre próximo de Chihiro desde que ela entra naquele mundo. Por inocência da criança, ela ignora a regra e deixa-o entrar na sauna em um dia de chuva, sem saber de sua carcterístia especial: a de aprender comportamentos apenas observando-os. Pois bem, uma vez lá dentro, ele se torna uma criatura enorme, formada por lixo, devorando tudo e todos que vê pela frente. Um retrato perfeito das pessoas que frequentavam aquele lugar. Mais uma vez, Chihiro salva o dia e o Sem Rosto, devolvendo-o a sua forma normal e tornando-se sua amiga. Por sinal, uma característica que a garota adquire em sua jornada é a de aceitar o diferente: no fim, ela se torna amiga de todos, independente de suas aparências ou motivações.
Em entrevistas, Miyazaki afirmou que queria construir uma personagem inocente e forte ao mesmo tempo, que pudesse servir como uma heroína para as garotas de 10 anos. E, de fato, é isso o que ele faz com Chihiro: uma menina que não é bonita ou engraçada, no começo até bem chata, mimada e birrenta, mas que passa por grandes transformações e amadurecimentos. Uma verdadeira viagem em busca da vida adulta, superando obstáculos, solidão e preconceitos.
Bem, pessoal, é isso! Peço desculpas pelo post enorme e garanto que não costumo escrever tanto assim! hahaha
Deixem nos comentários se vocês já viram essa animação, o que acharam dela, do post... Enfim! E aceito sugestões de temas e de nome para a coluna também! :D
Bem, pessoal, é isso! Peço desculpas pelo post enorme e garanto que não costumo escrever tanto assim! hahaha
Deixem nos comentários se vocês já viram essa animação, o que acharam dela, do post... Enfim! E aceito sugestões de temas e de nome para a coluna também! :D