A guerra
só começou.
E chegou
ao fim a primeira etapa de uma das maiores surpresas que tive esse
ano. E acabou do melhor jeito possível. Cheio de surpresas e
revelações, muitas reviravoltas e criando grandes expectativas para
o próximo ano. Nem tudo foram flores, é claro. Mas em uma visão
geral o resultado foi bastante satisfatório.
Não nego
que não consegui simpatizar totalmente com Alex. Sei que no texto de
primeiras impressões me rasguei em elogios a ele, mas a forma como
não aceitava sua condição de Escolhido por vezes me irritava. Por
mais que compreendesse a situação de Alex e ame muitos personagens
com dilemas parecidos, as reações dele me chatearam. Olivia
(Fringe), Sydney (Alias), Scofield (Prison Break)
e até mesmo Chuck (Chuck) iam à luta para talvez um dia ter
a vida normal que desejavam ao invés de ficar de mimimi. Mas
finalmente tomou uma atitude e se tornou um herói digno para a
próxima temporada.
Algo que
gostei bastante foi a ambiguidade presente em todos os personagens.
Até os mocinhos tem algo obscuro a esconder ou são capazes de algum
ato de frieza. E o vilões também tem algo de bom, mesmo que tenha
sido um pequeno momento de compaixão em um passado muito distante.
Um bom exemplo é Claire, que mesmo sendo a mocinha salvadora teve
instantes de justiceira maquiavélica. Melhores exemplos ainda foram
David e William, mesmo não sendo flores que se cheirem, as atitudes
de pai e filho foram compreensíveis. Mesmo considerando William
chato e estranho pude entender suas escolhas.
Cada
episódio veio com revelações e reviravoltas. E cada episódio
mudava quase que por completo minhas opiniões e expectativas sobre
os fatos. Se numa semana achava alguém o máximo e torcia por ele,
na outra semana já não achava mais. O oposto também acontecia.
Isso aconteceu muito (embora não de forma tão drástica) em
respeito aos arcanjos Miguel, Gabriel e Uriel. Achei muito legal
mostrar que os dois primeiros já estiveram em posições opostas, na
época do dilúvio da arca de Noé. Achei interessante a forma como
abordaram a história bíblica, como se ela tivesse sido retratada de
forma metafórica e não literal nas Escrituras.
Já que
comecei a ver Dominion por causa de Alan Dale, sinto-me
obrigada a falar sobre o personagem dele. Se de início o considerei
um cara do bem, minha opinião mudou um bocado ao longo da trama. Mas
não totalmente. Continuo vendo-o como um líder que quer o melhor
para o seu povo, e infelizmente muitas vezes isso implica em tomar
atitudes difíceis e até repulsivas. Mas foram algumas de suas
atitudes como pai/homem/pessoa que mais me causaram estranhamento.
Foram compreensíveis, mas ainda assim um choque. Isso porque foram
muito humanas, mas foi isso o que mais gostei nos personagens.
Apesar de
algumas titubeadas no ritmo e enredo aqui e ali gostei muito de modo
geral. Me agradou principalmente a forma como a série leva a
reflexões, mesmo que de forma sutil, sobre o que estamos fazendo.
Esperamos por intervenção divina, salvação ou danação, mas o
que fazemos com o mundo que vivemos? Como tratamos o outro? Como
reagimos ao que acontece? Como avaliamos os governantes? Me vi
pensando em tudo isso e muitas outras coisas. E creio que a próxima
temporada será ainda melhor.
Média:
8.94