Uma
história de família e poder.
Quando
escrevi aqui sobre minha experiência com a trilogia The
Godfather, expressei minha vontade de conferir também a obra
literária. Não imaginei que seria tão cedo, mas quando vi o box da
Editora Record em promoção não resisti. São edições
econômicas, simples. Mas são as únicas disponíveis atualmente. E
apesar de achar que uma história de tal magnitude mereça edições
à altura, são bem razoáveis.
O box
contém quatro livros. O Poderoso Chefão, A Volta do
Poderoso Chefão, A Vingança do Poderoso Chefão e O
Último Chefão. O que me surpreendeu e agradou muito foi ver que
com exceção do primeiro título, os demais relatam momentos e
acontecimentos diferentes dos filmes. E mesmo quando se trata de algo
comum é por um ponto de vista diferente. Isso se deve ao fato de que
o primeiro filme é inspirado na obra de Mario Puzo, mas Coppola
seguiu com as duas sequencias por um rumo ao passo que Mark
Winegardner seguiu com os dois livros seguintes por outro. O que
permite um aprofundamento ainda maior sobre a família Corleone. Mas
infelizmente não foi uma experiência 100% satisfatória.
O
Poderoso Chefão é um livro perfeito, tão perfeito quanto o
filme. Pra quem já assistiu, é praticamente o mesmo enredo.
Diferenciando-se apenas por se aprofundar mais em personagens como
Johnny Fontane, Lucy Mancini e até Kay Adams e no que diz respeito a
juventude de Vito Corleone, que é mostrada apenas no segundo filme.
Na verdade fiquei feliz em ver que a adaptação foi tão fiel, com
exceção de pequenos detalhes e em particular um que levou o
terceiro filme a ter um plot único. Mas como foi um filme igualmente
ótimo é algo que se pode relevar. Sobretudo, apreciei muito a
narrativa de Puzo e a forma como faz uso de disfunções temporais.
Indo e voltando no tempo para construir seus personagens. Isso torna
a leitura um pouco mais lenta, mas nada cansativa. E tem mais. Parece
que ao invés de criar personagens Puzo, entrou na mente de algumas
pessoas e fez uma autópsia de psiques humanas pra escrever, de tão
realistas que são.
A Volta do Poderoso Chefão e A Vingança do
Poderoso Chefão foram escritos por Mark Winegardner. Me vi
bastante dividida a respeito desses dois livros. Gostei de terem
retratado momentos distintos ou por pontos de vista diferentes dos
filmes. Ou
por mostrar personagens que nem aparecem neles, como as filhas gêmeas
de Sonny (Francesca
e Kathy).
Ou até se aprofundar mais em personagens como Tom Hagen e Fredo.
Contar sobre a infância e juventude de Michael e Tom. Todavia, não
conseguiu me envolver tanto quanto a obra original. Nunca li nada de
Winegardner, então não posso afirmar com certeza, mas me pareceu
que ele tentou imitar o estilo de Puzo aqui. E não foi tão bem
sucedido. E alguns atos acabaram descaracterizando um pouco certos
personagens, deixando-os até um tanto
menos cativantes. Nisso os filmes tiveram
mais sucesso.
Sem falar que o vilão criado por Winegardner, Nick Geraci, é muito
chato.
Então
cheguei em O
Último Chefão,
e como esse é escrito por Puzo já fiquei super animada. Mas como
não tinha lido as sinopses dos livros por
medo de que estragassem a leitura,
me surpreendi ao descobrir
que o livro não encerrava a saga da Famiglia Corleone, e sim falava
sobre a Famiglia Clericuzio. O
enredo se passa no início da década de 1990, e mistura o mundo da
máfia com a produção de um filme hollywoodiano. Apesar de ter
gostado bastante dessa trama, também não me envolvi tanto. Isso
porque confesso não ter simpatizado tanto com o clã Clericuzio
quanto o Corleone. Mas não pude deixar de me deliciar com a
narrativa e as artimanhas de Puzo. O
que me faz desejar ler muitos outros livros do autor. Mas voltando
a'O
Último Chefão,
o livro foi adaptado em uma minissérie de TV em 1997 chamada The Last Don. E apesar de
não ter curtido tanto o livro, fiquei com certa vontade de conferir.
Todavia,
a experiência com
esse último livro me fez pensar em qual teria sido o critério usado
pela Editora
Record
para escolher os livros que formariam o box. Se foi pelos títulos,
sem nem mesmo avaliarem as sinopses. Pois pesquisando um pouco
descobri que a trilogia planejada por Puzo seria O
Poderoso Chefão,
O
Último Chefão
e Omertà.
E creio que O
Siciliano
também poderia ter seu lugar nessa coleção. Mas
tudo bem. Pretendo ler esses livros de qualquer forma, mas quando se
é uma colecionadora, você quer que todos os livros sejam de uma
mesma edição.
Ainda
sobre as edições, o que mencionei sobre serem simples mas razoáveis
define bem. As capas apesar de não terem abas são fortes e não
vão criar as famosas orelhas com facilidade.
As folhas são brancas e a fonte mediana, o que dá pra relevar. Mas
existem falhas de impressão, páginas onde algumas partes ficaram
meio apagadas. Também há alguns erros de revisão, principalmente
no
último livro. Nisso
acho que a editora podia ter dado um pouquinho mais de atenção. Mas
pelo menos as capas ficaram lindas.
Sobre a capitulação, tanto Puzo quanto Winegardner mesclam
capítulos longos, medianos e alguns poucos curtos. Além dividir as
obras em partes chamadas de livros. O
que combinou bem.
O
Poderoso Chefão
é uma obra prima tanto na literatura quanto no cinema. Um grande
marco de seu gênero e que deve ser conferido por todos que o
apreciam. Foi uma experiência que
além de excelente
contribuiu muito no desenvolvimento do meu senso crítico. Repetiria
algumas vezes, e assim espero poder fazer.