Título:
O Vendedor de Sonhos – O Chamado (Livro #1)
Autor:
Augusto Cury
Edição:
1/2008
Editora:
Academia
Páginas:
295
Sinopse:
Um homem desconhecido tenta salvar da morte um suicida. Ninguém sabe
sua origem, seu nome sua história. Proclama aos quatro ventos que a
sociedades modernas se converteram num hospício Global. Com uma
eloquência
cativante, começa a chamar seguidores para vender sonhos. Ao mesmo
tempo em que arrebata as pessoas e as liberta do cárcere da rotina,
arruma muitos inimigos. Será ele um sábio ou um louco? Este é uma
romance que nos fará rir chorar e pensar muito.
Comentários:
Pra já
começar sendo sincera, nunca tive muita vontade de ler algo de
Augusto Cury. Isso porque sua especialidade é a auto-ajuda e não é
um gênero que me instigue. Nada contra, só tenho a impressão de
que esses livros tendem a formar opinião ao invés de provocar
reflexão. Não acho possível colocar tudo em prática. Prefiro algo mais metafórico. Mas ganhei O Vendedor de
Sonhos, e por ser um romance achei que seria diferente. Que teria
as tais metáforas de que gosto. Mas não foi bem assim.
A
história começa quando Júlio, um especialista em sociologia e
professor universitário que apesar do status social já não vê
graça nenhuma na vida. Por não aguentar mais seu sofrimento decide
se jogar do alto de um prédio. Mas apesar de todos os esforços do
chefe de polícia e do psicólogo para fazer Júlio desistir do
suicídio, quem consegue exito é um misterioso homem com um método
bastante peculiar e que insiste em não revelar quem é.
Júlio
acaba seguindo esse misterioso homem, que apesar de parecer um
mendigo fala e se comporta de modo bastante peculiar. Mostrando ter
um vasto conhecimento sobre diversos assuntos, principalmente sobre a
vida. O Mestre, como acaba sendo chamado apesar de não gostar do
título, também conquista outros seguidores. Todos homens feridos
pelo sistema. Dos quais meu favorito é o bêbado e atrapalhado
Bartolomeu. Eles enfrentaram várias situações difíceis, dormiram
debaixo de viadutos. Tudo pela missão de vender sonhos e resgatar a
humanidade das pessoas.
A
proposta até é interessante, bem como a história. O problema é
que tudo é muito explicado, fazendo do livro uma auto-ajuda
disfarçada. Não sou do tipo de pessoa que implica com narrativa em
primeira pessoa, acho inclusive que é a melhor forma de contar
algumas histórias. Mas ter Júlio como narrador me incomodou. A cada
ensinamento do Mestre ele vinha com milhares de fatores sociológicos,
filosóficos, históricos e não sei mais o que pra explicar as
lições. Quando faz parte dos diálogos é uma coisa, dá um tom de discussão. Mas na
narrativa é complicado. As vezes é necessário, mas em excesso se torna maçante e acaba tirando um pouco o rumo da
história. Creio que se fosse narrado pelo Mestre ou na terceira
pessoa seria melhor. Além de ser mais metafórico.
Apesar de
ter gostado da história achei algumas coisas um tanto
despropositadas. Acontecimentos que deveriam ser inusitados, da forma
como foram contados pareceram apenas forçados. Bem como muitas
falas. Mas lembrando que essa é uma opinião pessoal e que
não tenho identificação com o gênero. O Vendedor de Sonhos
assim como o autor Augusto Cury tem uma grande gama de fãs, então
talvez o problema seja comigo. Concordo com muita coisa que foi dita,
apenas não gosto da forma didática como foram abordadas. Sobretudo, devo dizer que gostei do final. E o que me
manteve na leitura foi Bartolomeu, que me divertiu bastante.
Esse é o
primeiro volume da trilogia, embora eu sempre tenha achado que O
Vendedor de Sonhos fosse um livro único. Depois de O Chamado
vem E a Revolução dos Anônimos e O Semeador de Ideias.
Honestamente não tenho grandes pretensões de ler as sequências. Se
vierem até mim lerei, mas não pretendo de ir atrás.