Nome:
Argo
Autores:
Antonio
Mendez, Matt Baglio
Edição:
1/2012
Editora:
Intrínseca
Páginas:
256
Sinopse:
Em
4 de novembro de 1979, os funcionários da embaixada dos Estados
Unidos em Teerã são surpreendidos pela invasão de um grupo de
militantes, que faz 52 reféns. Em meio à confusão, seis diplomatas
conseguem escapar e encontram refúgio na residência do embaixador
do Canadá. Mas Tony Mendez, especialista em disfarces da CIA, sabe
perfeitamente que é apenas uma questão de tempo até que sejam
encontrados. Para retirá-los do país, ele concebe um plano muito
arriscado, digno de cinema. Disfarçando-se de produtor de Hollywood
e apoiado por um elenco de agentes secretos, falsificadores e
especialistas em efeitos especiais, Mendez viaja para Teerã a
pretexto de encontrar a locação perfeita para um falso filme de
ficção científica chamado Argo. Neste livro, ele revela todos os
detalhes da complexa operação que aliou o alto escalão de
Hollywood ao mundo da espionagem.
Comentários:
Comprei
esse livro em março
de
2013, e ficou na minha estante desde então. Na época queria muito
saber sobre essa história principalmente por ser real, mas depois de
ler alguns comentários desanimei um pouco e o livro foi ficando,
ficando e ficando. Mas nunca desisti totalmente de Argo
e
finalmente o li. Posso dizer que foi uma experiência interessante,
mas com algumas ressalvas.
Em
outubro
de
1979 um grupo de militantes iranianos invadiu a embaixada americana
em Teerã e fez cinquenta e duas pessoas de reféns por 444 dias.
Seis diplomatas conseguiram escapar e se esconder na embaixada
canadense, mas precisavam ser resgatados,
pois
se fossem descobertos pelo komiteh
colocariam
em risco também as vidas dos reféns na embaixada americana. Era um
trabalho para a CIA, e precisava ser rápido.
Antonio
Mendez, um dos especialistas em disfarce da agência naquela época,
pensou
que a melhor forma de fazer esse resgate era com um plano que soasse
tão maluco que não poderia ser comprovado,
ninguém
imaginaria tratar-se de uma missão de extração.
Foi
então que teve a ideia de disfarçá-los como uma equipe de produção
a procura de uma
locação
perfeita para um filme de ficção científica. Para formular esse
plano contou com a ajuda de um amigo que era maquiador em Hollywood e
do serviço secreto do Canadá.
Argo
é
um livro escrito a quatro mãos. Antonio Mendez relata em primeira
pessoa como foi a montagem e execução do plano de resgate
intercalando com experiências de sua vida pessoal e de espião que,
de
alguma forma,
serviram
de aprendizado para essa missão. Enquanto o jornalista
investigativo,
Matt
Baglio,
ficou
responsável por pesquisar e remontar a situação do Irã na época,
bem como entrevistar os seis diplomatas para relatar o que aconteceu
com eles até que pudessem voltar pra casa, narrando tudo na terceira
pessoa. Não é feita nenhuma distinção entre as narrativas, elas
se mesclam até dentro dos capítulos e às
vezes parecem confusas.
Tanto
trabalho de pesquisa e reunião de informações foi essencial para
que a obra fosse completa e concisa,
no
entanto algumas coisas soaram avulsas e até desnecessárias.
Os
autores usaram uma linguagem simples e fluida, facilitando muito a
leitura. Ainda mais levando em conta a complexidade que um tema como
esse pode trazer. Por outro lado, o fato de mesclar a Missão Argo
com relatos de outras missões e acontecimentos da vida do Agente
Mendez muitas vezes causaram distrações. Entendo que a intenção
dele era mostrar como cada um daqueles momentos de alguma forma lhe
trouxe um aprendizado que contribuiu para que essa missão fosse bem
sucedida. Algumas coisas são interessantes de saber, como o relato
de que conheceu seu amigo maquiador de Hollywood (uma das muitas
pessoas a quem ele se refere por pseudônimos, por motivos de
segurança)
por
causa de uma série em que este trabalhava e o procurou a fim de
aperfeiçoar os disfarces da CIA. Bem como a menção ao fato de que
a revolução cinematográfica na década de 1970 contribuiu para o
sucesso da missão. Porém, alguns fatos como o
de
que seu avô trabalhou na construção do Grauman's Chinese Theatre
em LA é totalmente irrelevante para o leitor, e faz o livro soar
mais como autobiografia do que como o
relato
de um acontecimento específico. E até eu que não costumo ter
problemas com disfunções temporais senti certa confusão com as
idas e vindas de Mendez.
Os
capítulos são medianos, mas confesso que em momentos de longos
relatos eles pareceram intermináveis. A inserção de alguns
diálogos e de alguns momentos corriqueiros, como o jantar de Ação
de Graças que os diplomatas ganharam de seus anfitriões canadenses,
ajudaram a tornar o conteúdo mais humano e crível. Penso que se o
livro trouxesse apenas relatos e descrições acabaria soando
mecânico e talvez fosse mais difícil de se envolver. Isso e o fato
de descobrir um pouco mais sobre como a CIA realmente funciona, que a
Agencia e Hollywood tem mais a ver do que imaginava, mantiveram meu
interesse até o fim.
O
resgate dos seis diplomatas foi retratado no telefilme Escape
from Iran: The Canadian Carper,
de 1981 dirigido por Lamont Johnson. E em 2012 no filme Argo,
que foi produzido, dirigido e estrelado por Ben Affleck e ainda teve
Bryan Cranston, Alan Arkin, John Goodman e Victor Garber no elenco.
Ganhou o Oscar de Melhor
Roteiro Adaptado,
Melhor
Edição
e
Melhor
Filme,
e o Globo de Ouro de Melhor
Filme Dramático
e
Melhor
Diretor.
Apesar de partilhar o nome desse livro o longa Argo
não
foi baseado nele, mas no primeiro livro de Mendez Master
of Disguise
(Mestre
do Disfarce, em tradução livre), lançado em 1999 e ainda não
publicado no Brasil e em um artigo publicado na revista Wired
em
2007. O livro nasceu com a intenção de ser um relato escrito do que
é visto no filme. Mas apesar de não ter assistido o longa ainda,
sei que ele se atém a contar apenas sobre a Missão Argo e com isso
não duvido que seja melhor que o livro.
Argo
pode
não ter sido uma leitura totalmente gratificante, mas considero
longe de uma grande decepção como em muitos comentários que li. É
o tipo de livro que você precisa
ler
sabendo o que vai encontrar, que no caso será uma autobiografia
parcial e não apenas um exclusivo relato de um evento específico.
Fiquei interessada o suficiente para ler outro livro de Antonio
Mendez que possa ser publicado no Brasil, e espero que o primeiro
ainda o seja. Recomendo para aqueles que se interessam por espionagem
e política mundial.