Nome:
Codinome Verity
Autora:
Elizabeth Wein
Edição:
1/2013
Editora:
iD
Páginas:
336
Sinopse: Outubro,
1943: o avião britânico pilotado por Maddie sofre uma pane e cai em
plena França ocupada pelos nazistas. Sua melhor amiga, Queenie, é a
única passageira desse voo sem volta, que muda o destino das duas
garotas. Enquanto uma delas tem uma segunda chance, a outra não tem
tanta sorte assim. Emocionante, Codinome Verity conta a história de
uma grande amizade, além de também falar sobre espionagem, tortura,
mulheres que pilotam aviões e os horrores da Segunda Guerra Mundial.
Comentários:
Esse
é um daqueles livros que me apaixonei imediatamente pela sinopse.
Apesar de tê-lo descoberto na época do lançamento só o adquiri na
Black Friday de 2014, quando o encontrei por menos da metade
do preço habitual. Não sei explicar por quê ficou mais de um ano
parado em minha estante se eu queria tanto lê-lo, embora, por outro
lado, foi bom eu ter garantido um exemplar uma vez que a Editora
iD encerrou suas atividades no primeiro semestre de 2015. E agora
vejo que não podia mesmo perder a oportunidade, pois Codinome
Verity vale muito a pena.
Essa
uma história de guerra, mas também da amizade entre Maddie e Julie.
A primeira é uma piloto do ATA (Corpo de Transporte Aéreo
Auxiliar), inglesa, descendente de judeus, filha e neta de
comerciantes. A segunda é agente da SOE (Executiva de Operações
Especiais), escocesa, descendente da família real (que lhe rendeu o
apelido Queenie). Ambas lutando pelos países aliados contra Hittler,
e provavelmente não se tornariam amigas se não fosse pela guerra.
Seus destinos talvez nem se cruzariam caso Julie não fosse chamada
para traduzir as instruções de Maddie à um piloto alemão que se
perdeu em território britânico. Mas elas se conheceram e se
tornaram melhores amigas.
Em
Codinome Verity vemos alguns aspectos da II Guerra que
normalmente são pouco explorados, como o funcionamento das Forças
Aéreas, o Serviço Secreto, o trabalho das mulheres e até mesmo
como a Gestapo mantinha e torturava seus reféns. Obviamente,
trata-se de uma obra de ficção e não um relato histórico. O que
faz com que nem todas as informações sejam reais. A autora fez
questão de admitir ao fim do livro que tomou certa licença poética
para escrever essa história, pois sua primeira inspiração foi
escrever sobre uma mulher que pilota aviões (uma vez que a própria
Wein é uma piloto licenciada). Todavia, ela inseriu algumas
informações verídicas (como a criação da caneta esferográfica
para que os pilotos tivessem algo mais prático para escrever) e
fatos baseados na realidade como Julie sendo pega em território
francês por olhar para o lado errado da rua antes de atravessar.
Isso realmente aconteceu com um agente. Saber disso só aumentou
minha admiração pelo livro.
Mas
o melhor com certeza é a amizade entre as duas protagonistas. Duas
jovens mulheres com vidas promissoras pela frente tendo que dar um
tempo em seus planos pessoais para servir o país e lutar pelo que
achavam certo. Ou ao menos poder continuar fazendo o que queriam,
como Maddie que mais do que tudo queria pilotar aviões. Mulheres
valentes, que criaram um laço de admiração e confiança mútuos,
partilhando desejos e medos. O medo de decepcionar, de que uma bomba
atingisse as pessoas que amam. Julie e Madie (bem como os demais
personagens) foram muito bem construídas e o que diz respeito às
suas personalidades e relacionamento bastante verossímeis. O que faz
com seus pensamentos e decisões sejam ao mesmo tempo compreensíveis
e aterradores.
Há
pouca abertura para outros personagens já que o foco é mesmo Julie
e Maddie, o que não chega a ser um problema. Entretanto, dois
tiveram um destaque especial. Falo de Ana Engel, agente da Gestapo
que traduz as anotações de Julie e que no decorrer da leitura muda
nossa opinião, e Jamie, o irmão de Julie que acaba se envolvendo
romanticamente com Maddie.
O
livro é dividido em duas partes, trazendo os acontecimentos na visão
de Julie (Verity) e Maddie (Kittyhawk) através de seus relatórios
escritos. Embora as duas escrevessem por motivos diferentes seus
relatos se completam, fazendo da segunda parte aquela que bota os
pingos nos “is”. Achei incrível como Wein encontrou e usou vozes
diferentes para suas protagonistas, parece até ter sido escrito por
duas pessoas diferentes. Os capítulos variam entre medianos e
curtos, ainda contando com algumas subdivisões conforme o tema que
as personagens abordam. Minha única crítica é que alguns momentos
contam com informações muito técnicas, o que às vezes pode deixar
a leitura um pouco arrastada. Mas tirando isso a narrativa de Wein é
maravilhosa. A edição é simples, mas muito caprichada, apenas a
fonte é um pouco pequena.
Codinome
Verity é uma trama emocionante e trágica. Traz os pesares da
vida mas também um tom de esperança, e mostra que amar alguém as
vezes requer tomar decisões difíceis. Durante a leitura você fica
esperando ou um final feliz ou um desfecho arrasador, qualquer um é
válido em uma história de guerra. Mas a escolha de Wein por um
final aberto e agridoce soa muito mais crível. Gostaria de ler
outras obras da autora, e me pergunto porque este é seu único
romance publicado no Brasil. Enfim, recomendo.