Antes de
tudo preciso dizer que resolvi aposentar a coluna Maratona de Vícios. Tomei essa decisão porque quando a criei o
blog ainda estava no início e eu estava sozinha nele, então parecia
fazer sentido uma seção própria para falar das minhas maratonas. E
fazia mesmo. Mas com o tempo o CV virou um trabalho de equipe
e passou por mudanças, bem como a referida coluna. Primeiro a
transformei em algo exclusivamente sobre séries de TV (inicialmente
abordava também as literárias e cinematográficas), mas desde que o
Vale Ver teve sua premissa e periodicidade redefinidos a MdV
deixou de fazer tanto sentido. Por isso estou usando essa coluna para
falar da minha última grande maratona, como farei com as próximas
que já não foram indicadas.
Passei um
bom período da minha infância assistindo episódios esporádicos de
Um Maluco no Pedaço (título que a série ganhou no Brasil)
no SBT. Na época nem
entendia direito a dinâmica de uma série, mas desde que me tornei
uma seriadora convicta sabia que essa era uma das que um dia teria
que ver na íntegra. E não seria no SBT, pois não creio que
seja algo possível de ser feito. Tempos depois o Netflix
entrou em minha vida e, veja só, The Fresh Prince of Bel-Air
estava no catalogo! Mas só metade. Até que ano passado a série foi
inteiramente disponibilizada (assim com Friends) e comecei
2016 realizando essa meta de tantos anos.
Não é
de hoje que exponho aqui minha admiração por comédias com críticas
sociais bem elaboradas, e The Fresh Prince of Bel-Air é um
espécime da melhor qualidade. A piada está ali, a situação é
hilária. Mas no fundo você sente o dedo na ferida, o tapa na cara
da sociedade. Alguns momentos é claro exigem certa seriedade, não
exagero quando digo que algumas cenas me trouxeram lágrimas aos
olhos. São críticas sobre racismo, classes sociais, educação,
sistema judiciário, o comportamento dos jovens e por aí vai. E o
pior é quando você percebe que a série foi exibida há mais de
vinte anos e pouquíssima coisa (ou quase nada) mudou. Will e Carlton
sendo presos pelo simples motivo de serem negros dirigindo um carro
de luxo em uma rua escura. Um colega de Will lhe oferecendo
anfetaminas para “aguentar” as tarefas que precisa fazer. O
discurso de Carlton por comprar uma arma para se proteger pois sente
que a segurança pública não o fará. Esses são só alguns
exemplos de assuntos que continuam atuais. Abordados de forma que as
cenas poderiam muito bem terem sido escritas na semana passada.
Depois de
ter escrito tudo isso parece até que a série só tem críticas
sociais. Mas na verdade é algo muito leve e divertido de se
assistir, apenas que esses pontos ficaram mais evidentes agora do que
quando eu era uma menina de 8 anos que passava as férias assistindo
a programação da tarde na TV aberta. A história é muito atraente
e os personagens cativantes. O entrosamento, o relacionamento entre
cada um deles e a forma como evoluem é única e fáceis de criar
identificação. Gosto especialmente da relação de Will com seus
primos Carlton, Ashley e Hillary e com o tio Phill. O elenco todo (ou
quase) é ótimo, e tirando alguns poucos erros de
continuidade (talvez alguns indiretamente causados pela troca da
interprete de Vivian) a trama é muito bem desenvolvida.
The
Fresh Prince of Bel-Air teve 148 episódios divididos em 6
temporadas exibidos originalmente entre 10 de setembro de 1990 e 20
de maio de 1996 pelo canal americano NBC. Ano passado saiu a
notícia de que haverá um remake produzido pelo próprio Will Smith.
Honestamente não vejo motivo para isso, uma vez que o original
continua tão atual. Mas não vamos julgar precipitadamente, certo?
Por hora recomendo que se assista (ou reassista) a boa e velha The
Fresh Prince of Bel-Air.