Acredite
no improvável.
The X-Files Theme (Mark Snow)
Começamos
a acompanhar essa história quando a Agente Dana Scully (Gillian
Anderson), que é formada em medicina e acredita apenas no que a
ciência pode provar, é designada para acompanhar o Agente Fox
Mulder (David Duchovny) nos Arquivos X, com o intuito de desmentir
seu trabalho e acabar com o setor. O Arquivo X consiste em casos não
resolvidos pelo FBI, em grande parte porque suas provas não podem
ser comprovadas com ciência. Pelo menos não com a ciência que
conhecemos.
Por ter
escolhido trabalhar com os Arquivos X e acreditar em extraterrestres,
paranormalidade, seres sobrenaturais e muitas outras coisas Mulder
ganha uma certa reputação e o apelido de Spooky Mulder (algo como
“Mulder Assombrado”). Mas ele tem seus motivos para acreditar em
tudo isso, pois quando era apenas um garoto viu sua irmã Samantha
ser abduzida por alienígenas e acredita um dia poder salvá-la.
Apesar do ceticismo, Scully admira a determinação e a dedicação
do colega à suas crenças. Ela sempre tenta refutar as teorias dele
com ciência, mas Scully acaba sem poder negar o que realmente
aconteceu nos relatórios.
Scully
poderia ter se sentido fracassada por não poder cumprir a tarefa que
lhe foi dada. Mas como a própria viria a dizer mais tarde, ela viu
coisas que não podia negar mesmo que não houvessem explicações
plausíveis. Scully na verdade se sentiu realizada por poder provar
que o trabalho de Mulder era bem sucedido e não um desperdício de
dinheiro do governo, como muitos pensam. E então ela descobre que
existem motivos muito mais profundos e secretos para quererem o fim
dos Arquivos X, a partir daí Scully passa a se juntar a Mulder
também na luta contra essa grande conspiração.
Mulder e
Scully são supervisionados pelo Diretor Assistente Walter Skinner
(Mitch Pileggi), que começa não querendo se envolver e de início
até parece um rival. Mas acaba se apegando e se torna um aliado
indispensável em diversas circunstâncias. É claro que Mulder e
Scully tem vários rivais e aliados, mas não podem ser mencionados
sem spoilers pois só aparecem mais adiante e geralmente não
mostrando ser quem realmente são. Por isso não confie em ninguém.
De rival que posso citar é o Smoking Man/Canceroso (William B.
Davis), cujo qual a primeira aparição você mal dá importância e
acaba sendo um grande pesadelo. Mesmo que mais tarde suas decisões e
atos se mostrem justificáveis.
Dos
aliados que posso mencionar o trio The Lone Gunmen (Os Pistoleiros
Solitários), formado por John Fitzgerald Byers (Bruce Harwood),
Richard Langly (Dean Haglund) e Melvin Frohike (Tom Braidwood). Os
três são teóricos da conspiração amigos de Mulder que de início
prestam assistência em alguns casos e mais tarde mostram ser de
grande valor em momentos cruciais. Além de muitos momentos de
diversão. Ao longo do tempo surgem outros aliados dentro e fora do
FBI, sendo o primeiro e mais ambíguo deles o Deep Throat/Garganta
Profunda (Jerry Hardin). E nas últimas temporadas também começam a
trabalhar no Arquivo X os Agentes John Doggett (Robert Patrick) e
Monica Reyes (Annabeth Gish), dois personagens maravilhosos.
De início
pode até parecer que o cerne de The X-Files é apenas provar
a existência de alienígenas, e que é apenas disso que o governo
nega conhecimento. Mas esse é apenas o começo de algo muito maior
do qual depende a própria existência humana. E em meio a isso são
discutidas muitas coisas sobre o próprio ser humano, entre a fé e a
negação e a capacidade de ser a salvação ou destruição. Foi
isso e muito mais que me conquistou em The X-Files.
Existem
dois tipos básicos de episódio na série. Os que tratam da história
central, de sua mitologia, e os sobre casos que formam o Arquivo X.
Dentro desses casos estão lendas urbanas, seres sobrenaturais,
paranormalidade, ocultismo, manifestações religiosas e afins. Até
universos paralelos e o Triângulo das Bermudas foram abordados.
Sempre há a possibilidade de ser algo forjado, e era isso que
investigavam. Pois como Mulder e Scully gostam de dizer, é por isso
que tem um I em FBI. Devo dizer que gostei muito de episódios que
tratam sobre anomalias e mutações resultadas do mal que fazemos ao
nosso próprio planeta, nos fazendo pensar no que fazemos com o
conhecimento que a evolução nos permitiu adquirir.
O que
também me agradou muito foi a forma como The X-Files retrata
a fé. Diversas crenças e religiões foram abordadas e nenhuma
mostrada como falsa ou menos valorosa, na verdade todas fazem parte
do Universo que vivemos e eu quero acreditar nisso. Os fanáticos
existiam e em geral são os vilões, ou acabamos vendo que era um
disfarce ou algo assim. Mostrou que acreditar é como um direito, e
que não devemos fechar nossos horizontes. Afinal, a verdade está lá
fora.
O criador
da série, Chris Carter, disse que a ideia de criar Mulder e Scully
veio de representar sua própria dualidade. Da vontade de presenciar
um evento paranormal e ao mesmo tempo do medo de ver e do pensamento
de que tais coisas não existem. Sua fé e ceticismo. Foi uma decisão
que deu muito certo e fez com que os personagens combinassem tão
bem. E talvez isso tenha tornado tão fácil e delicioso torcer por
esse casal. Demora a engrenar, mas é bonito justamente por isso. E o
relacionamento de Mulder e Scully é conduzido de tal forma que o
mais lindo e importante é admirar a confiança e companheirismo
crescente entre os dois.
The
X-Files teve 202 episódios divididos em 9 temporadas, exibidos
originalmente pelo canal americano FOX entre 10 de Setembro de
1993 e 19 de Maio de 2002. Teve também dois filmes no cinema: The
X-Files: Fight the Future foi feito em 1998 e deve ser assistido
entre a 5ª e a 6ª temporada, e The X-Files: I Want to Believe
foi feito em 2008 e deve ser assistido depois da série. Em 2001
chegou a ganhar o spin off The Lone Gunmen, que só teve uma
temporada e que estou assistindo, embora devesse fazê-lo em paralelo a segunda metade da 8ª temporada. Foram também lançados
livros e duas séries de histórias em quadrinhos, uma na década de
1990 e outra ano passado. Os livros e parte da primeira série de
quadrinhos chegaram a ser publicada no Brasil, mas a segunda que é
chamada de 10ª temporada não. E eu gostaria que alguma editora se
pronunciasse a respeito disso.
Fui
totalmente conquistada por The X-Files e seus mais diferentes
episódios, dos normais aos cômicos e especiais. Além de nomes que
já conheço de outras séries como Vince Gilligan, Darin Morgan e
John Shiban terem passado pela produção, teve um episódio
maravilhoso escrito por Stephen King. Além de inúmeras e incríveis
participações especias. Mas o principal de tudo são a história e
os personagens que ganharam meu afeto. Seus relatórios e citações
reflexivos e quase poéticos em meio ao caos. Me surpreendeu e emocionou. Acompanhar The
X-Files foi mais uma experiência sem igual, que recomendo e
pretendo repetir.