segunda-feira, 22 de setembro de 2014

[Mês Lost] Os 10 anos da série


Uma história de vida.

Exploring & Travelling Theme - Michael Giacchino

Há dez anos atrás um homem abria os olhos no meio da selva. Desnorteado. Perdido. Sem entender bem o que tinha acabado de acontecer. Só o que ele entendia naquele momento era o que seu instinto lhe dizia. Correr em direção aos gritos, procurar quem precisasse de ajuda. Esse homem se chamava Jack, e ele estava prestes a começar a maior jornada de sua vida. Bem como todos os espectadores que acompanharam essas cenas em 22 de Setembro de 2004 e nos dez anos depois disso.

É um tanto estranho pensar que já se passou uma década desde a estreia de Lost, e ao mesmo tempo muito bom saber que vivemos intensamente uma década marcada por uma das maiores (possivelmente a maior) e marcantes obras televisivas de todos os tempos. Muitos podem dizer que isso é exagero, que é apenas uma série de TV. E pra alguns pode ter sido mesmo. Mas a maioria sabe do que estou falando. Lost não se transformou em um grande marco à toa. Isso aconteceu porque a série trouxe mais do que o que queríamos ver. Mostrou o que sentimos. Disse o que precisávamos ouvir.

Sim, apesar de sua mistura de ficção científica e misticismo, Lost retratou o ser humano e a vida de forma mais realista do que muitas produções ditas “espelhos” da vida real. Ver aqueles personagens, aquelas pessoas tão parecidas comigo e com você passando por situações aflitivas foi algo impossível de não se identificar. Nunca sofri um acidente de avião, nunca precisei caçar minha própria comida, nunca tive que fugir de um monstro de fumaça e muito menos viajei no tempo. Mas já me senti perdida, frustrada, cética. Precisando me encontrar. Ver aquelas pessoas passando por tais situações foi como ver a si mesmo dentro delas.

Por isso pode se dizer que o abrir de olhos de Jack no episódio piloto é também o de quem assiste. O despertar para algo novo. Renascer para uma jornada de evolução. Não só Jack, mas Kate, Sawyer, Hurley, Charlie, Claire, Sayid, Sun, Jin, Ben, Desmon, Juliet, Locke e todos os outros personagens evoluíram de forma que nos serviram de guia nessa jornada. Nos enxergamos em seus erros, aprendemos com suas novas chances. Então não é que Lost nos tenha feito evoluir, mas nos mostrou como evoluímos. E fez isso com uma fidelidade impressionante.


Lost foi acima de tudo uma história de vida e morte. E daí que nem todas as respostas foram dadas? Não é exatamente assim na vida? Passamos boa parte do tempo procurando por explicações plausíveis e sentidos lógicos e acabamos chegando ao fim do caminho sem nem metade deles. Acho que foi isso que Lost quis mostrar. Passamos a vida nos questionando sobre por quê alguns se importam tanto com o poder, por que alguns adoecem, por que outros se curam, qual é o sentido de tudo e nos esquecemos de viver com aqueles que importam. E quando nos damos conta disso as vezes já é tarde. Pelo menos Lost terminou respondendo o que era relevante, quantas pessoas podem dizer isso de si mesmas?

Claro que os mistérios, as perguntas, foram o que movimentaram e causaram rebuliço entre os fãs. Os responsáveis pelo grande sucesso. Mas pense um pouquinho, você teria se importado tanto com esses mistérios caso não tivesse sido cativado tão profundamente pelos personagens e visto como eles eram afligidos pelos tais mistérios? Creio que não. Queríamos que as questões fossem resolvidas para que os personagens pudessem viver enfim. Mas eles já estavam vivendo, evoluindo. E nos ensinando tudo isso.

Lost me marcou tanto por ter sido minha grande companheira em uma fase que precisei crescer e evoluir muito. Me serviu de espelho, inspiração e consolo. Então me irrito um bocado quando alguém vem criticar Lost pra mim em particular e muitas vezes no simples intuito de me provocar não só por que estão criticando minha série favorita, mas porque não entender o quão Lost é importante pra mim significa não estar disposto a me conhecer direito. Cada um tem algo especial que o marcou e o ajudou a seguir adiante em um momento difícil, um amuleto, um livro, um filme, uma banda ou até mesmo um time de futebol. Eu tive Lost.

Ainda tenho muito o que viver, enfrentar, errar, aprender e evoluir. E com isso sempre lembrarei de Lost, de seus personagens que me foram (e continuam sendo) tão queridos e que me mostraram e ensinaram tanto. Sempre pensarei neles, no que fariam. E em cada momento que isso acontecer serei ainda mais grata a Lost, por ter entrado em minha vida. Cumprindo sua função como minha constante. Estamos celebrando dez anos, e que venham vinte, trinta, cem! Eu já não estarei mais aqui, mas certamente pelas próximas gerações virão mais que se deixarão marcar por essa história inesquecível.