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para toda hora.
Há quem
diga que Lost virou o fenômeno que virou por causa de sua
interatividade com o público, e isso é bem verdade. Mas pense um
pouquinho, será que essa interatividade toda teria acontecido caso a
série não abordasse temas com os quais as pessoas se
identificassem? A resposta é não, pois o público queria interagir
justamente por ver retratado ali algo com qual já viveu ou vive de
forma tão verossímil que as vezes até esquecia ser apenas uma
série de TV. Não é a toa que os fãs dizem que viveram Lost.
Os temas
são universais, e o mais grandioso é que nunca houve uma separação
entre o comum e o filosófico. Tudo estava interligado e todos os
personagens enfrentaram problemas cotidianos e dilemas existenciais.
Pois assim somos nós, embora haja quem diga que a diferença entre
um e outro está no lugar que a pessoa ocupa na sociedade. Nunca foi
assim e nunca será. Não existe sofisticação que livre alguém de
questões familiares ou simplicidade que impeça alguém de se
questionar sobre seu lugar no mundo. Os personagens de Lost
nos mostraram isso e dessa forma ganharam a empatia de todo o mundo.
O fato do
elenco ser bastante eclético, de diversas etnias e idades, permitiu
um leque enorme de assuntos que os roteiristas poderiam abordar e
mostrar que acontece com todos. Questões sociais como diferenças
socioeconômicas e racismo foram abordadas de forma sutil, com breves
comentários. O importante era falar de questões pessoais, coisas
que fazem de nós as pessoas que somos. Problemas com o pai, medo,
culpa, fé, redenção, destino... Esses foram apenas alguns dos
muitos temas tão bem retratados e nos quais nos enxergamos.
A questão
destino x livre arbítrio foi um grande carro chefe da história.
Talvez não tenhamos total domínio sobre as coisas que nos
acontecem, mas podemos escolher a forma como vamos agir perante elas.
Todos os personagens cometeram erros, mas também sofreram
consequências dos atos de outros. Também não escolheram ir para a
ilha, mas era o destino deles. E as escolhas de cada um poderiam ser
a salvação ou destruição do grupo. Era viver juntos ou morrer
sozinhos. E também uma questão de fé.
Além das
questões filosóficas, o que nos faz mais humanos que o amor? Esse
era com toda certeza um tema constante em Lost. Não só
aquele amor romântico, apesar da série ter maravilhosos casais.
Afinal, como poderíamos viver em grupo se não fossemos capazes de
amar? Amar a família, os amigos, o próximo. Toda forma de amor é
fundamental, necessária para fazer um mundo melhor. O primeiro passo
para a compreensão.
Questões
científicas sempre tiveram bastante força. Não só pelo duelo fé
x ciência, mas por muitos elementos científicos fazerem parte da
mitologia da série. Viagens no tempo, buraco da minhoca e teoria da
relatividade são apenas alguns dos assuntos referentes a ciência
que vimos ganhar forma. O mais interessante é que por serem apenas
teorias as situações em que essas coisas ocorriam geralmente
exigiam uma grande dose de fé da parte dos personagens. Fazendo
entender que fé x ciência é como destino x livre arbítrio, nenhum
dos lados é uma verdade absoluta.
Alguns
elementos científicos também andaram ganhando uma simbologia
filosófica. Como as constantes e variáveis que ganharam um contexto
enorme na mitologia da série. Além disso, foi por conta desses
novos significados que os termos em questão se mostraram o nome
perfeito para o blog.
Cultura
também é algo que estava sempre presente em Lost,
principalmente na forma de referências. Não só cultura histórica,
com os diversos elementos mitológicos usados na trama. A dita
cultura pop foi muito influente. Não era raro ver alguém lendo, e o
livro em questão sempre estava relacionado aos acontecimentos. Além
das referências literárias em cenas e títulos de episódios. Houve
também diversas referências a filmes e séries que marcaram
gerações, e que eram muito citados. Sem falar das músicas, que
sempre foram escolhidas a dedo e retratam com maestria as emoções
sentidas pelos personagens e telespectadores.
Foram
muitos outros temas a mais retratados em Lost, mas minha
intenção não é me aprofundar muito. Apenas queria relembrar um
pouco do que nos fez identificar tanto com essa série que marcou
cada um de seus fãs de forma tão especial e peculiar. Porque afinal
de contas, essa história era sobre nós também.