Nome:
Uma Visão do Fogo
Série:
Saga do Fim do Mundo – Livro #01
Autores:
Gillian Anderson, Jeff Rovin
Edição:
1/2014
Editora:
Fantasy Casa da Palavra
Páginas:
304
Sinopse: O
primeiro romance de Gillian Anderson, protagonista da série Arquivo
X no papel da agente Scully, é um thriller de ficção científica
de proporções épicas.
A
especialidade de Caitlin O'Hara, uma renomada psicóloga infantil, é
ajudar crianças e jovens que sofreram algum tipo de trauma. Mas sua
vasta experiência é desafiada quando Maanik, filha do embaixador da
Índia na ONU, começa a ter visões, falar línguas desconhecidas e
se autoflagelar em uma espécie de transe. Caitlin tem certeza de que
os ataques estão ligados à recente tentativa de assassinato do pai
da menina, fato que provocou uma tensão nuclear entre Índia e
Paquistão. Mas quando adolescentes de outras partes do mundo começam
a ter visões semelhantes, Caitlin percebe que uma força oculta pode
estar por trás do fenômeno...
Sob
a iminência de um conflito global, Caitlin terá que viajar por
diversos países em busca de possíveis ligações paranormais entre
os incidentes a fim de salvar não apenas sua paciente, mas talvez o
mundo.
Comentários:
Quando
saiu a notícia de que Gillian Anderson escrevera um livro em
parceria com o autor Jeff Rovin pensei: “Ela é uma atriz
fantástica e escreveu um ótimo episódio de The X-Files.
Vamos ver como se sai com um livro.” Claro que a
premissa é daquelas que chamam minha atenção logo de cara, então
todos os fatores foram se mostrando favoráveis. E o que posso dizer
a princípio é que Uma Visão do Fogo é mais uma prova de
que Anderson é uma mulher de múltiplos talentos.
Caitlin
O'Hara é uma psiquiatra especializada em adolescentes que também
trabalha com a Organização Mundial da Saúde principalmente com
casos de trauma coletivo, causado por grandes catástrofes. Certo dia
seu amigo Ben, que é tradutor da ONU, pede para ela dar uma olhada
em Maanik Pawar, filha do embaixador da Índia. Após seu pai, Ganak
Pawar, sofrer um atentado por estar tentado parar os conflitos na
região da Caxemira e promover a paz entre Índia e Paquistão, a
menina começou a ter crises. A adolescente que costumava ser
bem-humorada, inteligente e cheia de vida passou a ter apagões onde
grita de dor, se arranha, fala palavras estranhas e faz gestos
esquisitos. E isso é só a ponta do iceberg.
Inicialmente
Caitlin acredita que as crises de Maanik estão totalmente associadas
ao trauma de ver o pai correr risco de vida. Mas logo ela começa a
perceber, através do processo de hipnose, que as visões da menina
não são apenas delírios. Ela está vivenciando algo. Junto com Ben
nota que a garota não grita sílabas avulsas, mas palavras de outras
línguas, inclusive umas muito antigas, e que apesar de nunca tê-las
estudado as pronuncia como algo que para ela faz todo o sentido.
Caitlin não demora a descobrir que outros dois jovens em lugares bem
distantes do mundo (Haiti e Irã) estão tendo sintomas semelhantes.
Ela precisa viajar para descobrir o que esses casos têm em comum, e
terá que deixar seu ceticismo de lado se quiser ajudá-los.
Enquanto
isso, acompanhamos alguns momentos de um grupo de estudos que está
pesquisando uma série de relíquias encontradas pelo mundo. Seus
principais integrantes são Flora, a diretora do instituto, e Mikel,
o caçador de recompensas responsável por “coletar” as
relíquias. O fato é que logo que Mikel conseguiu o último artefato
foi que os jovens começaram a ter esses episódios. Além disso,
animais se portam de forma estranha perto desse artefato e dos
jovens. Expressam medo e tentam fugir. E ninguém faz ideia da
grandiosidade que faz esses fatos se conectarem.
Ao nos
levar por uma jornada que envolve elementos científicos, históricos,
místicos e sobrenaturais, os autores vão nos mostrando os fios que
formam essa trama. Assim como Dana Scully, personagem de The
X-Files que consagrou Anderson como atriz, Dra. Caitlin começa
essa história com total ceticismo. Acreditando que existe uma
explicação médica, totalmente científica para o que está
acontecendo. Mas aos poucos ela vê que a ciência não explica tudo.
E mesmo sem entender como alguns fatos estão conectados precisa dar
um salto de fé para ajudar os jovens e evitar que o mundo entre em
colapso.
Gostei
tanto de Uma Visão do Fogo que estou com dificuldades para
expressar o que senti com o livro. Parece que nenhuma frase que eu
possa formar conseguirá definir a experiência. A trama é
envolvente e concisa. As coisas acontecem num ritmo agradável e de
forma natural, todos os acontecimentos são bem estruturados. Assim
como os personagens que são cativantes e bem construídos, com uma
boa dose de verossimilhança. É impossível não admirar o altruísmo
de Caitlin, o bom humor de Ben ou a força de Maanik. O diálogos são
dinâmicos e os relacionamentos bem estruturados. Tudo isso contribui
para que o enredo além de inteligente seja orgânico.
Com
capítulos curtos e medianos vamos acompanhando de forma intercalada
Caitlin cuidando de Maanik e pesquisando para ajudar os jovens, um
pouco da vida deles, Ganak e Ben nas negociações de paz e o grupo
de estudos que está atrás das relíquias. A narrativa em terceira
pessoa é fluida, direta e as descrições são na medida certa, o
que colabora para uma leitura rápida e instigante. Inserir alguns
momentos cotidianos serviu não só para trazer certa leveza e fazer
um contrabalanço, mas também ajudou a humanizar ainda mais os
personagens. Tanto é bom ver Caitlin tomando um café com Ben ou
passando algumas horas com seu filho de 10 anos Jacob quanto ver
Ganak e Maanik conversando sobre o cenário político durante o
trajeto até a escola. Sendo que mesmo nesses momentos os personagens
tem insights sobre o que está acontecendo.
Por ser o
primeiro volume de uma trilogia, Uma Visão do Fogo tem um
caráter introdutório e ainda assim traz um conteúdo muito rico.
Fomos apresentados aos eventos e tivemos vislumbres de que estão
ligados a civilizações muito antigas e a uma grande catástrofe no
passado, mas sem saber o que virá. Da mesma forma que tivemos apenas
relances do tal grupo de estudos e suas relíquias, mas por eles
terem formado o prólogo e o epílogo é porque ainda temos muito a
descobrir sobre eles. E creio que em alguma hora cruzarão com o
caminho de Caitlin e os núcleos terão que se fundir.
Esse é
apenas o início da Saga do Fim do Mundo, e promete muito mais
pela frente. Recomendo para quem gosta de histórias com uma boa dose
de ação e que tragam informações variadas intricadas ao enredo. O
final do livro foi empolgante e teve aquele gostinho de “a
verdade está lá fora”. A estreia literária de Gillian
Anderson não poderia ter sido melhor.
Revisão
e edição: Marina Ribeiro Kodama