Tardou
mas não falhou.
Depois de
uma 1ª temporada fantástica, The Musketeers começou sua
nova etapa de forma quase decepcionante. Isso provavelmente foi
efeito da morte do Cardeal Richelieu, que era justamente do tipo de
vilão que movimenta a trama e faz a coisa acontecer. Embora o fato
de que a saída do personagem já era quase certa desde a renovação
da série, uma vez que ator Peter Capaldi (que interpretou seu papel
magistralmente) já estava comprometido em ser o novo Doctor Who
quando The Musketeers era projetada para ser apenas uma
minissérie. Culpei muito a BBC por ter renovado sem levar
esse detalhe em consideração, mas continuei assistindo com
esperança.
Sai o
Cardeal Richelieu, entra o Capitão Rochefort. Mas apesar da
ilustríssima atuação de Mark Warren, este vilão não brilhou como
seu antecessor. Pode ser que por estar acostumada com a sede de poder
e riquezas do Cardeal, a obsessão doentia pela Rainha Anne que movia
Rochefort soou imatura e sem lógica nessa história toda. E se a
meta dele era manipular o Rei Louis convenhamos que não é nenhum
mérito, qualquer imbecil é capaz de enganar aquele Rei Bobão. Pelo
menos ainda tivemos Milady de Winter, que se revelou uma verdadeira
sobrevivente. Descobrir a verdade sobre alguns fatos do passado fez
compreensível o fato de ter se tornado essa pessoa fria e sem pudor.
Já não a vejo mais como vilã, talvez uma anti-heroína. No mais,
foi uma grande aliada na luta contra Rochefort.
Mas o
foco são nossos mosqueteiros, que ainda tiveram feitos e momentos
importantes. D'Artagnan continuou lutando por um futuro com
Constance, que confesso ambos terem me irritado em algumas partes mas
foi impossível não vibrar quando finalmente puderam ficar juntos.
Porthos esteve com raiva de Treville por um tempo ao descobrir que
ele escondeu a verdade sobre seu pai, mas ao encontrar sua família
paterna entendeu que seu Capitão só tentava protegê-lo. Aramis se
viu numa verdadeira enrascada com seu filho sendo criado como
herdeiro do trono, e para manter a segurança da Rainha chegou a se
envolver com a governanta Margueritte só para poder chegar perto de
Delphin. E Athos se viu arrastado de volta a sua velha mansão e
sendo obrigado a enfrentar seu passado, enquanto ele e seus amigos
ajudavam os camponeses a defender as terras e nós descobríamos que
tanto ele quanto Milady foram vítimas de sua cunhada Catherine.
Foram plots intrigantes soltos em meio a muita enrolação.
Alguns
casos também foram empolgantes. Como os traficantes de escravos que
sequestraram D'Artagnan e o Rei, que no fim ainda foram salvos pela
Milady. A jovem profetiza Emilie, que era intoxicada pela mãe e
provocava uma fé exagerada e com motivações erradas no povoado. O
astrônomo Marmion que manteve toda a corte e os mosqueteiros como
reféns para fazer seus jogos como forma de vingar a dizimação de
sua vila e a morte de sua família. O casal de impostores que se fez
passar pela prima do Rei, e cuja confusão resultou na morte de
Bonacieux. (Que já foi tarde.) O lado positivo foi
que continuaram fazendo casos que de alguma forma se entrelaçam com
a trama central, embora o ritmo pareça ter diminuído.
Se a 2ª
temporada de The Musketeers vinha apresentando um ritmo moroso
no início, a coisa mudou nos últimos episódios. Ainda mais depois
que Rochefort acusou a Rainha Anne de traição quando ela o atacou
para se defender de suas investidas. Aí começou aquela onda de
reviravoltas que tanto estava esperando. Travou-se a batalha contra
Rochefort, com ele usando o Rei de marionete e ameaçando Marguerite
a testemunhar enquanto todos os outros defendiam como podiam. E o
pobre médico ainda pagou o pato, decapitado por traição. Mas em
uma bela luta com os mosqueteiros Rochefort viu o fim de seus dias e
a paz foi reestabelecida, ao menos por enquanto.
O season
finale teve cara de fim de novela. Com o Rei perdoando e pedindo
perdão a todos, e dizendo que é claro que Delphin só pode ser seu
filho. (Senta lá, Claudia!) Aramis decidindo ir ao
monastério cumprir o voto que um dia fizera a Deus. Treville sendo
nomeado novo Ministro de Guerra e Porthos promovido a Capitão dos Mosqueteiros. Athos fez as pazes com Milady. E claro, o lindo
casamento de D'Artagnan e Constance. Mas agora que a Espanha declarou
guerra contra a França a equipe já foi buscar Aramis para essa nova
aventura. E será que Milady foi mesmo embora? Só espero que a
menção ao clássico lema “um por todos, e todos por um”
seja um bom sinal e que a 3ª temporada seja para fechar a história
com chave de ouro ao invés de continuar uma sequência de temporadas
em que o nível vai diminuindo.