Entre
jornadas e batalhas, as descobertas.
Queria
dizer que a série manteve o ótimo nível da temporada passada, mas
a verdade é que Da Vinci's Demons se saiu ainda mais
surpreendente esse ano. Claro, com as consequências do final da 1ª
temporada o resultado nem podia ser diferente né? E entre salvar
Florença e a caça pelo Livro das Folhas, não sobrará pedra sobre
pedra.
Giuliano
morreu no ataque do fim da 1ª temporada, e se isso já não fosse
sofrimento suficiente levaram três episódios para enterrá-lo e
ainda voltou como fantasma para Lorenzo e Leonardo. Foi difícil
perder um personagem tão querido, mas ele deixou sua mensagem. Seu
irmão não deve desistir e seu filho deve ser bem cuidado. Aliás,
Lorenzo provou mesmo que não é de desistir facilmente. Esteve quase
a beira da morte, e teria morrido se não fosse a astúcia de
Leonardo. E tenho cada vez admirado-o mais como líder que faz e vai
onde for preciso para salvar Florença. Mesmo enfrentando a morte de
frente.
O
Leonardo da série continua inovador como foi o da vida real. Fazer
uma transfusão de sangue com Lorenzo numa época em que veias e
artérias não passavam de teoria (o que fez a transfusão de Jack e
Boone em Lost parecer um procedimento até seguro) e um
submarino quando Júlio Verne nem sonhava em nascer (quem dirá
escrever Vinte Mil Léguas Submarinas) foram só alguns de
seus desafios. Teve que salvar os escravos do navio que precisou
invadir pra ir (ou eu deveria dizer “vir”?) à América e provar
a eles que não iriam cair no fim do mundo, resolver os vários
desafios dos incas, lidar com o fato de que o Livro das Folhas não
estava lá e ainda com a perda de seu estimado Mestre Adrea
Verrocchio. Sem falar da ocasião em que teve que se disfarçar de
Riario. Uma imitação impecável.
Mas
Leonardo não fez nada sozinho. Contou principalmente com a ajuda de
seu leal amigo Zo, que continua reclamando e sendo sarcástico mas
está sempre lá. E se você vai à América precisa de quem? Amerigo
Vespucci, é claro. Quase surtei quando vi que era dele que
precisariam para navegar e conseguir outro navio, já que Riario
pegou o primeiro. Nico também continua sendo o devotado aprendiz,
ainda mais depois de ter sido refém de Riario e de ter sofrido o
naufrágio. E falando em naufrágio, Riario parece ter virado outra
pessoa depois disso. Claro que o breve e trágico relacionamento com
Zita contribuiu, mas ajudar Leonardo é algo que nunca esperei dele.
Ver Riario em um desafio de morte para trazer Leonardo de volta do
Vale dos Mortos foi algo desesperador.
Tão
fascinante quanto a viagem e as aventuras na América foi a batalha
dos que ficaram. Lorenzo e Piero foram para Napole tentar conseguir
um acordo enquanto Clarice ficou como Regente de Florença. Nunca
admirei tanto esses personagens, que mesmo quando tudo parecia
perdido conseguiram de alguma forma encontrar forças para lutar.
Lorenzo foi pedir ajuda de sua primeira amada Ippolita e acabou
caindo nos desafios incoerentes de Alfoso, Rei Ferrante e Papa Sixtus
IV. Que a propósito, foram desesperadores. Até alucinações (ou
visões) com Giuliano ele teve. Enquanto Clarice tentava resistir às
investidas e golpes do Capitão Dragonetti, estava recebendo ajuda (e
outras cositas mas) de Carlo que no fim de tudo se mostrou o traidor
dos traidores.
Dois
personagens que realmente me surpreenderam foram Riario e Lucrezia.
Os odiava tanto que ainda nem consigo acreditar que passei a gostar
deles. Mas com tudo o que passaram, suas atitudes foram mais que
compreensíveis. Entender que a fé cega que Riario depositava no
Papa não era tão cega assim, afinal ele é seu pai, mudou a
situação. Saber que sua primeira prova de lealdade foi matar uma
prostituta judia que nem conhecia e no fim descobriu ser sua mãe foi
algo bastante intenso. Já Lucrezia é filha do verdadeiro Papa,
irmão gêmeo do falsário. Viu o pai ser preso e a irmã caçula ser
assassinada na mesma hora, já sendo obrigada a servir Sixtus. Depois
disso fui quase obrigada a sentir pena dos dois. Ao menos Riario
passou a ajudar Leonardo, até ser pego pelos Inimigos do Homem.
Agora seu futuro é uma verdadeira incógnita. E Lucrezia resolveu
lutar pela liberdade de seu pai e por conseguinte da Itália, mas sua
visita ao Império Otomano não saiu como o planejado. E aquilo que a
Oraculo disse sobre Francesco querer guerra e não paz me preocupou.
Nico e
Vanessa continuam crescendo como personagens e nos cativando cada vez
mais. Nico já não é o rapaz ingenuo do início, evoluiu
significativamente durante a jornada para a América e se tornou um
homem valente e mais leal que nunca. Deu gosto de vê-lo enfrentando
os valentões de frente e defendendo os amigos, principalmente
Vanessa. Mas a surpresa do personagem veio mesmo no season finale,
com a revelação de seu sobrenome. Só consegui pensar: “O quê?
O Niquinho é o Nicolau Maquiável? Noooossaa!”. Uma promessa
de que Nico crescerá ainda mais. E Vanessa que sempre mostrou certa
força deixou seu jeito meio espevitado para se tornar uma mulher
determinada. Não só a gravidez mas a vontade de lutar pela
liberdade dela e do filho a fizeram evoluir. Mas o que fazer quando
seu filho é o único herdeiro com direito ao trono? E agora que
Clarice partiu e Nico falsificou o documento praticamente obrigando-a
a ficar no posto de Regente Reitora da Casa di Medici, Vanessa terá
de amadurecer ainda mais.
Pra
encerrar, volto a Leonardo. Ele que foi a América e descobriu um
lugar de beleza inigualável de cores vívidas, mas também passou
por desafios que fizeram de sua genialidade uma ferramenta de
sobrevivência. Teve uma experiencia inquietante pelo Vale dos
Mortos, que o fez encarar a si mesmo em idade avançada no leito de
morte e questionar ainda mais sobre si mesmo. Sem falar do pedido de
Giuliano para que cuide de seu filho com Vanessa e a visão de que
sobre todas as obras, deve terminar a Monalisa. Também está no
centro de uma guerra prestes a explodir. Mas além disso tudo, depois
de tanto perseguir as pistas vazias do Turco sobre sua mãe e o Livro
das Folhas, descobre por Piero que sua mãe Catarina está vindo com
os otomanos. Com tudo que aconteceu nessa temporada de Da Vinci's
Demons, a próxima promete ser ainda mais explosiva e
avassaladora.