Um homem
leal à duas famílias.
Da série
“Se tem alguém de Lost a Gabriela
assiste”. Quando essa questão está em pauta, o roteiro e a
probabilidade de ser um flop se tornam detalhes pra mim. Ainda mais
quando esse alguém é alguém no nível de Terry O'Quinn. O que não
quer dizer que eu me torne negligente na hora de avaliar a produção.
Gang
Related se passa em Los Angeles, e tem como protagonista Ryan
Lopes (Ramón Rodriguez). Ryan perdeu o pai muito jovem e desde a
infância foi muito amigo de Daniel (Jay Hernandez), o filho caçula
do maior gangster da região Javier Acosta (Cliff Curtis). Javier
também gosta muito dele e meio que o adota, mas não oficialmente.
Não quer que ele esqueça o pai verdadeiro, mas realmente cuida dele
como parte da família. Apesar de seu filho mais velho, Carlos (Rey
Gallegos), nunca ter gostado dele.
Ryan e Daniel foram criados para não fazer parte dos negócios da família.
Pelo menos não diretamente, especialmente no caso de Ryan. Ele
entrou pra polícia já com a intenção de chegar ao posto mais alto
do Departamento de Narcóticos, e hoje faz parte da Task Force. A
melhor Força Tarefa no assunto. O plano é que Ryan sempre mecha os
pauzinhos a fim de deixar o caminho livre pra Família Acosta, isso
até ele começar a questionar sua lealdade com as duas famílias.
A Task
Force tem como líder o Comandante Sam Chapel (O'Quinn), um homem de
pulso firme e sem rodeios que acima de tudo cuida dos membros da
equipe como um pai. Embora provavelmente viverá em constante
conflito com sua própria filha Jessica (Shantel Vassanten), a
assistente da promotoria. Também fazem parte da equipe: Cassius
Green (Rza), o novo parceiro de Ryan; Veronica “Vee” Dotsen
(Inbar Lavi), uma detetive determinada e Tae Kim (Sung Kang), um
especialista em gangs asiáticas do FBI.
Retornando
a Família Acosta, Daniel estudou Direito e realmente deveria ficar
fora dos negócios. Mas como advogado em início de uma carreira
promissora propõe ao pai que legitimem os negócios, e Javier parece
aceitar a proposta. Carlos é que não gosta muito dessa história,
uma vez que ele é o herdeiro mais óbvio para o comando. Isso se ele
não provocasse a ira de Ryan. Não vou entrar em detalhes, digamos
apenas que isso pode
mudar um pouco as opções de Daniel.
Vou dizer
o que me incomodou fazendo uma pergunta: É impressão minha ou
Família Acosta é quase uma cópia da Famiglia Corleone de The
Godfather? Tirando um detalhe ou outro, tive uma grande sensação
de déjà vu. Vamos às semelhanças:
- Um gangster que é um ótimo pai de família que adota o amigo órfão do filho;
- Ele não quer que esse filho adotivo esqueça os verdadeiros pais;
- O filho mais velho é impulsivo e o mais novo um certinho que não deve seguir o ramo da família;
- Alguém entra pro Exército e vai para a guerra;
- O filho mais novo pensa em legitimar os negócios do pai;
- O mais velho é vítima de uma emboscada que teve colaboração de alguém próximo.
As
diferenças estão em detalhes mesmo. Em The Godfather, Tom (o
agregado) é amigo do mais velho e não do mais novo. Vito (o pai)
era totalmente contra o negócio de drogas. Uma boate então, jamé!
Sonny (o mais velho) era impulsivo mas não babaca. Michael (o
caçula) desde o início se mostra um homem decidido que não se
deixa dominar. E claro, todo mundo ama Tom. Por The Godfather
(tanto livro quanto filme) ser considerado a melhor obra sobre
gangsters é normal que se torne referência. Há milhares delas em
diversas produções. Mas uma coisa é fazer referência e outra bem
diferente é copiar. Até o casamento de Connie de certa forma entrou
pra história, virando o noivado de Daniel. Mas ok. Vamos torcer pra
que essa seja apenas a base e no desenvolvimento a Família Acosta
ganhe vida própria.
No
entanto tenho que admitir a audácia do criador, Chris Morgan. Não é
normal encontrar na TV aberta séries policiais que foquem na vida do
protagonista de forma que isso realmente se torne o cerne da
história. Pois isso limita um pouco a duração coerente da produção
e o que as emissoras querem é algo que venda o máximo possível
durando quantos anos puder sem importar como. Mas aqui está Gang
Related com uma história central concreta que não pode ser
abandonada por episódios a fio. E apesar de não conseguir ver muito
bem como essa história pode evoluir, cabe aos produtores
desenvolvê-la de forma a garantir umas boas 4 ou 5 temporadas. Claro
que também dependerá um bocado da FOX, conhecida por se
meter nas produções. Está na hora da emissora deixar os produtores
fazerem o trabalho deles né?
Me
agradou também ver uma grande diversidade étnica na Task Force.
Basicamente cada um entende melhor o funcionamento de uma gang
específica. Da gang do bairro em que cresceram, de sua etnia. Isso
agrega um dinamismo bem interessante. Eles também são adeptos do
“vale tudo pra prender um bandido”, quebrando o estigma de
policiais certinhos da TV aberta. Ação, entrosamento, diálogos e
atuações também estão de bom grado.
Em
resumo, Gang Related teve uma estreia razoável. Não trouxe
nada surpreendente ou inovador, nem mesmo foi brilhante. Tudo vai
depender da forma como vai se desenvolver. A FOX encomendou 13
episódios, espero que até o terceiro já mostre todo o potencial.
Observação:
A série nada tem a ver com o filme homônimo de 1997, estrelado por
James Beluchi, James Earl Jones e Dennis Quaid.