A que se
salva.
Eis a
série que comecei a ver com os dois pés atrás (afinal, é uma
série da CW) mas que precisava ver porque tem alguém de Lost
e que acabou me conquistando. Não, não virou uma das queridinhas
assim como o Concelheiro Kane não tirou o posto de melhor personagem
de Henry Ian Cusick que continua sendo de Desmond. Mas comparando com
outras séries do canal que comecei a assistir por causa de atores de
Lost (The Vampire Diaries por causa de Ian Somerhalder,
Ringer por causa de Nestor Carbonell e The Tomorrow People
por causa de Mark Pellegrino), The 100 é a que se saiu
melhor.
Por que
The 100 se saiu melhor? Ora, porque apesar de se uma série
dirigida a um público jovem e com um elenco
não-tão-jovem-mas-que-se-faz-de-adolescente como em 99,9% das
produções do canal, conseguiu fazer algo um tanto crível. Digo
isso porque os personagens não entraram naqueles tórridos romances
avassaladores impossíveis de se acreditar e que se tornam irritantes
por isso. Mas apesar de romances avassaladores serem normais nessa
faixa etária, esses personagens sofrearam tanto e tiveram tantas
privações que foram obrigados a amadurecer cedo. São adolescentes
com uma carga emocional imensa e que acima de tudo precisavam se
preocupar em sobreviver. Por isso achei certo não focarem já no
romance entre os protagonistas.
Claro,
teve uma pitadinha de romance. Numa história que foca no caráter
dos personagens é necessário abordar as emoções destes. Teve uma
aproximação entre Clarke e Finn, mas tiveram que dar espaço ele
resolvesse sua história com Raven assim que esta chegou. Nada mais
justo. Até achei legal quando Raven descobriu por conta própria o
que tinha acontecido e perguntou para Clarke se ela o amava, e teve
como resposta “Eu mal o conheço”. Foi a mais pura
verdade. Dizem quem Bellamy vai entrar nesse triângulo amoroso.
Honestamente, não sinto nada entre ele e Clarke. Só se for pra
ficar com Raven, caso ela sobreviva. A única que realmente teve um
romance foi Octávia. O que se justifica por ela ser uma personagem
que não está só descobrindo o mundo, mas a liberdade e as pessoas.
E depois de beijar Jasper e “dar uns pegas” com Anton, conheceu e
se apaixonou pelo Terra-firme Lincoln. Um romance difícil, que não
nasceu da noite pro dia e que denota de grande devoção e confiança
por parte de ambos.
Gostei da
profundidade dos personagens, tanto dos jovens quantos dos adultos
que ficaram na Arca. Vejo muita gente reclamando da Clarke e dizendo
que ela é cheia de mimimi, mas levando em conta tudo que ela passou
é compreensível que de vez em quando ela precise desabafar. E isso
não a impede de ser forte, uma boa líder que ainda precisa dar
atendimento médico ao grupo. Também gostei de Jasper e Monty,
personagens que são pouco citados mas que tiveram certa importância
em momentos decisivos. Os conhecimentos deles ajudaram um bocado. Mas
admito que nada se compara aos irmãos Bellamy e Octávia. Suas
personalidades únicas e a história conturbada são inquietantes e
as vezes de partir o coração. Passaram dificuldades extremas
simplesmente porque a mãe teve mais de um filho, se desentenderam e
chegaram a brigar feio. Mas são irmãos e se amam. Quando Bellamy
disse a Octávia no season finale que sua vida começou quando ela
nasceu. foi difícil não se emocionar.
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Impressão minha ou tem um bandeira do Brasil ali? |
Só tenho
que confessar que meus personagens favoritos estavam na Arca. Os
atores contribuíram, mas realmente gostei mais de suas tramas.
Adorei ver a perseverança e a fé de Abi para reencontrar Clarke,
como ela não se dá por vencida facilmente. Kane me enganou
completamente. Jurava que o papel de líder ditador essencial em
distopias caberia a ele. Mas desde que soubemos que a mãe dele era a
hippie da Arca isso começou a mudar, principalmente depois que ela
morreu. Chegou a ter um dia de bêbado depressivo, o que me deu uma
certa nostalgia. (Será que era whisky McCutcheon?) E então virou
defensor da justiça disposto até mesmo a se sacrificar para salvar
vidas. Foi bonito ver essa evolução do personagem. O Chanceler Jaha
sempre se mostrou um líder justo e que sentia por ter que tomar
decisões drásticas, que infelizmente eram necessárias. E acabou
fazendo um último sacrifício pela única oportunidade de
sobrevivência dos demais, tendo como consolo o reencontro com seu
amado filho Wells. Se bem que do jeito que a série anda nada impede
que ele encontre um modo de ir pra Terra. Quanto aos que conseguiram
chegar, o desafio agora será encontrar seus jovens. E é impressão
minha ou Abi e Kane estão cada vez mais próximos?
Mas teve
bastante coisa que me incomodou. Não mencionarei aqueles fatos que
fazem você ter que desligar o botão do bom senso pra conseguir
assistir porque, afinal de contas, é uma série da CW. Mas
aquele plot da menina Charlotte que matou Wells e acabou se matando
por não conseguir lidar com o dilema do grupo se ela deveria ser
perdoada ou punida foi muito chato. Sim, fiquei com pena da menina,
mas foi algo irritante de se acompanhar. Outra coisa que me incomodou
foi o fim que deram para Diana Sydney, que acreditei ser a verdadeira
ditadora dessa distopia. Mas aí ela simplesmente morre na explosão
da Nave Exodus? Tudo bem que ela pode ter ejetado antes, mas aí é
daquele tipo de coisa que odeio na CW. Além de várias
incoerências a respeito dos Terra-firmes, mas aprendi a relevar esse
tipo de coisa.
E a
temporada acabou de forma nada menos que chocante. O remanescentes da
Arca chegaram com a esperança de reencontrar seus jovens sem saber
da guerra que tiveram que travar pela sobrevivência e muito menos
que se encontram em um tipo de quarentena. É, parece que sobreviveu
mais gente à catástrofe nuclear do que imaginamos a princípio. E
preciso ver se consigo o livro antes que comece a 2ª temporada.