Quando um
garoto não é só um garoto.
Essa
temporada foi uma grande montanha-russa, com tantos baixos quanto
altos. Mas de forma geral Bates Motel continua surpreendendo e
mantendo um ótimo nível. Teve muita coisa inútil, mas encerrou o
ano preparando o terreno pra uma grandiosa 3ª temporada.
Confesso
que a temporada começando com um Norman perturbado por não
conseguir lembrar o que aconteceu na noite do baile e Bradley
vingando a morte do pai me fez acreditar que a temporada seria mesmo
bombástica. Mas não aconteceu muita coisa em tempo integral. Claro
que precisam manter uma certa fidelidade a história original, já
quem em Psicose Norman não comete nenhum crime até os vinte
anos e vive até os quarenta como um cidadão esquisito porém normal
perante a comunidade. E ele nem mesmo tem consciência das
atrocidades que faz. Então momentos cotidianos se fazem necessários,
mas não podem tomar conta.
Os plots
teen mesmo sendo necessários incomodaram um pouco. Norman envolvido
com uma garota problemática e Emma com um maconheiro? Isso nem faz
sentido! O namorico de Norman e Cody só serviu mesmo para a garota
falar de seus apagões para Emma e para Norman lembrar de como seu
pai era violento e como ele e Norma se escondiam e nos mostrar onde
talvez tenham começado os distúrbios do rapaz. Mas aí Norman mata
acidentalmente o pai da garota e ela simplesmente termina tudo com
ele por quê vai morar com a tia? Já Emma com o maconheiro, sem
comentários. Só é triste ver uma personagem que foi tão
importante e forte na 1ª temporada virar quase uma figurante com
falas.
Quando
soube que Michael Vartan participaria como um interesse amoroso para
Norma confesso que me animei, pois além de gostar do ator (e do
fator Lost feat. Alias) achei que isso mexeria com o
Complexo de Édipo de Norman. Mas além de George ser um almofadinha
sem graça, Norman pareceu fazer pouco caso. A ração dele foi meio
“se ficar sério eu decido o quanto me importo”. Por outro
lado foi interessante ver Norma e Romero num tipo de flerte. Um
romance entre os dois sacudiria e muito a situação toda.
Mesmo
sendo um plot pequeno, a visita do irmão de Norma, Caleb, e a
descoberta de que ele a estuprava e é o verdadeiro pai de Dylan deu
o que falar. Além de entender porque Norma não conseguia ficar
próxima do primogênito, tivemos uma boa mostra da psicose e dupla
personalidade de Norman. Dessa vez foi uma pena o cara ter fugido. E
Dylan que já era bastante perturbado ficou ainda mais depreciativo,
pelo menos agora entende Norma e até ficou do lado dela no
interrogatório de Norman.
Nunca
entendi e continuo não entendendo a importância da guerra de
gangues para a trama, mas o sequestro e cativeiro de Norman teve sua
relevância. Foi quando lembrou do que fez à Blair Watson e
descobriu do que é capaz quando apaga. Isso me deixou bastante
apreensiva para o teste de poligrafo, mas o inesperado aconteceu e
Norman continua sendo visto por todos e por ele mesmo como inocente.
Me pergunto se, diferente do original, em algum momento Norma
aceitará o conselho de Dylan de contar a verdade para Norman. O
Xerife Romero não vai ser enganado pra sempre.
A psicose
e a dupla personalidade de Norman começam a tomar contornos mais
fortes e notáveis. Creio que com isso teremos uma 3ª temporada de
Bates Motel muito mais intensa. Ainda mais com aquele olhar de
Norman na cena final. E é bom que Norma e Dylan tenham finalmente se
aproximado, porquê Xerife Romero é bonzinho mas quando precisa ser
justo...