Uma caça
pela verdade.
Depois de
uma semana de viagem e mais uma semana e meia tentando colocar as
coisas (séries+leitura+textos) em dia finalmente consegui conferir a
nova série de Cauã Reymond, que dessa vez é série mesmo e não
minissérie. E com esse meu atraso escrevo o post após assistir os
dois primeiros episódios, ao invés de apenas o piloto como
geralmente faço. Enfim, vamos lá.
André
Câmara (Reymond) acaba de sair da prisão após cumprir uma pena de
três anos por um crime que não cometeu. O pior é saber que o
verdadeiro culpado é seu pai, um homem que admirava pelo seu caráter
e no qual se espelhou inclusive na hora de escolher a carreira
policial para seguir. Embora esteja livre agora, André nunca poderá
provar sua inocência pois os únicos capazes de prová-la estão
mortos. A família não quer contato e ele não pode voltar para a
polícia ou mesmo conseguir um emprego. Quem contrataria um
ex-presidiário? E as complicações só começam.
Seu
ex-Capitão na polícia Lopes (Ailton Graça) mesmo tendo sua
carreira prejudicada com a prisão de André e sentido raiva dele por
isso não consegue acreditar totalmente na culpa dele. E é ele quem
fornece a André um trabalho para se manter enquanto procura pela
verdade. A polícia não consegue lidar com todos os casos de
desaparecidos, então alguém tem que executar essa tarefa por fora
do radar. Um caçador de recompensas como define o próprio André. E
é isso que ele fará.
O
Caçador tem alguns aspectos de conhecidas séries americanas.
Como o respeitável e honesto pai de família que após descobrir um
câncer terminal adota uma conduta ruim, como o Walter de Breaking
Bad. Ou o fato de pai e filhos seguirem carreira policial, como
em Blue Bloods. Mas senti mesmo foi muita coisa de Prison
Break, como o cara inocente preso por algo relacionado ao pai e
com um irmão mais bem sucedido que pelo menos a princípio não
acredita em sua inocência. Ah, e claro, querem ele morto. Mas você
não fica com o sentimento de cópia ruim, apenas de aspectos
sabiamente emprestados e adaptados para seu próprio enredo.
O elenco
é muito bom. Além de Cauã e Ailton temos Alejandro Claveux como
Alexandre, Delegado e irmão de André. As cenas dos dois juntos são
um show à parte, pois além das ótimas atuações os personagens
tem personalidades muito fortes. No piloto temos a participação de
Jackson Antunes como pai de André, e Milton Golçavez no papel de um
senhor que ele encontra no ponto de ônibus e começa a contar sua
história à la Forrest Gump. Não gosto muito da Cléo Pires,
mas como a esposa de Alexandre que tem uma paixão nada secreta por
André até que não está ruim. Nanda Costa também deve entrar nos
próximos episódios como Marinalva, a única ainda capaz de limpar a
reputação de André.
Apesar da
estreia não ser extremamente fascinante achei bastante razoável e
muito melhor que a da recém encerrada minissérie A Teia.
Algumas coisinhas podem ser adaptadas mas nada que precise ser
tirado. Apesar de algumas situações parecerem meio forçadas nada
pareceu superficial ou supérfluo. Gostei das cenas de ação e como
as peças da trama se encaixam. Gostei até da sessão de vudu onde
André teve que ir para obter pistas de seu primeiro caso e acabou
recebendo um pedido de perdão e um recado do espírito de seu pai.
Nada é em vão.
A
abertura é que não tem muito a ver. Ok, tem um tubarão, o tubarão
é um grande caçador e etc. Mas me parece uma analogia meio pobre.
Colocar O Patrão Nosso de Cada Dia do Secos e Molhados como
tema musical no entanto foi perfeito. A cena de introdução da série
com um monólogo de André também foi um grande acerto. A frase
“será que sou um caçador que não sabe pra onde a mira está
apontando?” resume muito bem o personagem.
O
Caçador pode não ser uma série perfeita, ou pelo menos não
ter começado perfeita. Mas tem bastante potencial e um enredo que só
tem a crescer. Resta saber se a trama terá assunto para dar
continuidade a mais de uma temporada.