Título:
Cidades de Papel
Autor:
John Green
Edição:
1/2013
Editora:
Intrínseca
Páginas:
368
Sinopse:
Em
Cidades de papel, Quentin Jacobsen nutre uma paixão platônica pela
vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman desde a infância.
Naquela época eles brincavam juntos e andavam de bicicleta pelo
bairro, mas hoje ela é uma garota linda e popular na escola e ele é
só mais um dos nerds de sua turma.
Certa
noite, Margo invade a vida de Quentin pela janela de seu quarto, com
a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um
engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a
noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a
escola, esperançoso de que tudo mude depois daquela madrugada e ela
decida se aproximar dele. No entanto, ela não aparece naquele dia,
nem no outro, nem no seguinte.
Quando
descobre que o paradeiro dela é agora um mistério, Quentin logo
encontra pistas deixadas por ela e começa a segui-las. Impelido em
direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo,
mais se distancia da imagem da garota que ele pensava que conhecia.
Comentários:
Ganhei
esse livro no Top Comentarista do blog Além da Contracapa
em Outubro do ano passado, e mesmo gostando muito da narrativa de
John Green não sei porquê diabos esperei até agora pra fazer essa
leitura. Bom, quando se tem uma grande pilha de livros a espera é
normal ficar perdida. Mas o fato é que procurava uma leitura
descontraída e que ao mesmo tempo me agregasse algo, e foi
exatamente o que encontrei em Cidades de Papel.
Quentin
(Q para os amigos) é um garoto comum. Mas como é estaticamente
comprovado, todas as pessoas comuns tem um grande milagre em suas
vidas. O de Q era ser vizinho de Margo Roth Spiegelman. Os dois eram
bem próximos na infância, viviam brincando juntos até que depois
de um acontecimento quando tinham dez anos acabaram se afastando.
Mesmo virando quase estranhos um para o outro, Q nunca deixou de
admirar e ser apaixonado por Margo.
Aos
dezesseis anos Q é um nerd e Margo uma das garotas populares, cada
um no seu mundinho. Mas em uma noite, à poucas semanas da formatura,
Margo aparece na janela de Q vestida como uma ninja convocando-o para
uma aventura. E assim eles passam a madrugada rodando por Orlando,
executando pequenas missões de vingança e entregando mensagens
sicilianas. Q estava feliz com a aventura e por Margo ter se
aproximado dele novamente, mas no dia seguinte a garota desaparece
sem deixar vestígios óbvios.
A
narrativa de John Green e a criação de seus personagens deve ser
aplaudida. Em minha terceira experiência com autor fico ainda mais
encantada com como consegue algo natural e fluido e ao mesmo tempo
com uma certa profundidade filosófica. Digo isso principalmente
pelos diálogos, totalmente casuais e ainda assim com algo que te faz
refletir. Assim com Margo, que a princípio parece uma daquelas
meninas de filmes da Sessão da Tarde que cresceu mas que tem
um ponto de vista bastante peculiar sobre o mundo com o qual me
identifiquei.
Q e seus
amigos Ben e Radar são sempre ótimos. Não dá pra não rir das
conversas deles. Personagens que também ganham pontos são os pais
de Q, por ser psicólogos usam tom de diagnóstico mesmo em conversas
cotidianas. E mesmo os diálogos mais engraçados no fim trazem algo
pra ser pensado. Seja com observações lógicas ou referências a
conceitos religiosos e filosóficos. Como a metáfora dos fios que Q
usa para dizer que seu destino e o de Margo estavam predestinados a
se cruzarem trata-se do mito chinês do Fio Vermelho do Destino, que
por acaso ou não vim a conhecer na série Touch.
Cidades
de Papel é mais um grande livro de John Green. Divertido, com
surpresas um certo toque de aventura. Mas sobretudo vai te desarmar.
Pois apesar de ser uma leitura rápida alguns trechos te obrigam a
parar e pensar em quem você é. Principalmente o final. Nada é tão
estranho que não possa ser compreendido.